A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, cobrou mais uma vez explicações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre a quebra de sigilo fiscal, desta vez de Verônica Serra, filha do candidato tucano José Serra.
"Não pode o ministro da Fazenda ficar em silêncio. É mais que um incômodo, é uma omissão", disse a candidata.
Marina defendeu ainda investigação rigorosa sobre o episódio e pediu que a Receita mostre para a população que há segurança no sistema. "É preciso mostrar para a sociedade o que está acontecendo", afirmou a candidata ao reclamar da "situação de descontrole" da Receita. A candidata disse que a apuração precisa acontecer num ritmo adequado, sem pressa, para que não haja "prejuízo do processo".
Além do esclarecimento sobre a quebra do sigilo de pessoas ligadas ao candidato tucano, Marina defendeu a punição dos responsáveis pelo vazamento. "Quer seja por fins políticos ou não, é grave o que está acontecendo", avaliou.
Trem-bala - Em sabatina promovida pelo jornal O Estado de S.Paulo, Marina Silva, disse que o projeto de construção de um trem-bala ligando São Paulo ao Rio de Janeiro pode ser revisto caso seja eleita. Marina argumentou que os recursos empregados no projeto poderiam ser revertidos para a Educação, dobrando o orçamento do setor em um ano. A candidata ressaltou que o projeto só seria mantido se houvesse recursos sobrando.
"Com o (recurso do) trem-bala daria para dobrar os recursos do Ministério da Educação. É uma questão de prioridade, tem que ver se tem os recursos", afirmou Marina. "Entre o trem-bala e a Educação de qualidade, eu vou ficar com a Educação de qualidade", completou.
Embora defenda investimento em novas alternativas energéticas, Marina admitiu que, como presidente, não poderia abrir mão do uso do petróleo e, por isso, é importante que o governo federal invista na exploração da camada pré-sal.
Para a candidata, é preciso que o projeto de exploração seja viável e feito com tecnologia que "minimize ao máximo" os riscos ambientais.
Marina colocou em dúvida a viabilidade do projeto da usina de Belo Monte que, em sua opinião, não atenderia aos pré-requisitos ambientais e sociais.
"Nós temos potencial enorme de geração de energia no Brasil, solar, eólica, hidreletricidade, sem falar na biomassa. O projeto tem que ter viabilidade técnica, econômica, social e ambiental. O questionamento a Belo Monte é porque falta a viabilidade social e ambiental", declarou.