O governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), disse ontem que a violação de dados de tucanos e da filha do presidenciável do partido, José Serra, tem caráter eleitoral. A declaração foi feita após inauguração do Piscinão Taboão, na divisa de São Bernardo com Diadema.
"Isso tem interesse eleitoral por trás. Se isso acontece na véspera da eleição, a minha conclusão como cidadão é: deve ter algum intuito eleitoral. Por que não foi feito antes? Por que não foi feito depois? É justamente no período eleitoral que me aparece uma dessas? Então, acho que deve ter havido algum intuito eleitoral por ali", afirmou o comandante do Palácio dos Bandeirantes.
A análise de Goldman confronta a investigação feita pela Corregedoria-geral do Fisco, que apontou esquema de compra e venda de dados secretos sem teor político.
Para o governador, o episódio "é inaceitável" no Brasil. "Do ponto de vista da instituição de um país, um país sério e um governo sério não podem permitir que o seu instrumento principal de arrecadação, que é a arrecadação federal, que é o tesouro nacional, se permita que qualquer um, por qualquer razão que seja - política, malandragem para obter dinheiro, qualquer tipo de ação criminosa - possa obter dados que são nossos, sigilosos, para poder utilizar da forma que eles quiserem."
O tucano observou que a responsabilidade é do governo federal, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), principal cabo eleitoral da candidata petista ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff. "É inaceitável que o País tenha uma situação desse tipo, que o governo federal permita que isso seja feito."
O caso de violação de informações secretas de integrantes do PSDB foi revelado pelo jornal Folha de S.Paulo em junho, antes do início da campanha eleitoral. De lá para cá, Serra caiu nas pesquisas de intenção de voto e Dilma subiu - hoje lidera a disputa que pode acabar no primeiro turno. Ou seja, apesar de mais de dois meses de polêmicas sobre o assunto, com acusações de que a candidatura petista está por trás dos acessos ilegais, não houve dividendos eleitorais para os tucanos.
Dilma - Dilma Rousseff afirmou ontem em entrevista ao SBT Brasil que a acusação do PSDB é "leviana". A ex-ministra frisou que é preciso "cuidado com leviandades e calúnias". "Eu não entendo as razões - aliás, algumas eu até entendo - que levam o candidato da oposição (José Serra) a levantar contra a minha campanha uma acusação tão leviana, uma acusação que não tem provas, nem fundamento. Nós temos de ter clareza. Isso aconteceu em setembro de 2009. Em setembro de 2009 minha campanha não existia porque eu nem pré-candidata era", considerou a petista, que disse ser a principal interessada na investigação.