O cineasta Vébis Júnior, de São Bernardo, gosta de sua cidade e faz questão de que ela seja cenários de seus filmes. É nela que ocorrem as ações de Das Faces e Sombras, seu mais recente projeto. A produção está na lista de Programas Brasileiros, do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo deste ano e tem sessões hoje, às 20h, no Museu da Imagem e do Som (Avenida Europa, 158. Tel.: 2117-4777) e na quarta-feira, às 19h, no Cine Olido (Avenida São João, 473. Tel.: 3331-8399), ambos na Capital. A entrada é franca.
"É um filme muito cartão-postal. Apesar das intenções sujas dos personagens, mostra lugares muito bonitos do município", diz Vébis, citando locais como a Praça Salvador Arena, o Ginásio Poliesportivo e a Casa da Esfiha, no Rudge Ramos.
O curta conta a história de Inácio , rapaz que está abalado pelo fim de seu namoro. Ele tem a visita do amigo Maurício, que está de olho na antiga companheira de Inácio. Conforme a trama se desenrola, são perceptíveis as intenções duvidosas entre os amigos. Segundo o diretor, "fala sobre até onde vai a amizade verdadeira".
O projeto foi filmado em 2008 e ficou pronto somente neste ano. O orçamento de R$ 5.000 veio quando Vébis foi contemplado com edital da Prefeitura de São Bernardo de apoio cultural. A verba era pouca, mas o apoio de amigos foi fundamental para que finalizasse seu quarto curta-metragem como diretor.
Além de fazer uma ponta no papel de ladrão, assina também o roteiro (em parceria com Flávio Grão) e participa da fotografia (ao lado de Marcelo Kolaiacovo). O controle das imagens é sua preferência. "Gosto de fazer a fotografia dos meus filmes, mas precisei de ajuda neste. O contato com o ator é maior quando você está direto atrás da câmera".
Em meio aos projetos pessoais, dá aulas na Escola Livre de Cinema, de Santo André, e na Estação Jovem, em São Caetano. Mas não se engane: Vébis é um professor participativo ao extremo, se envolvendo frequentemente em atividades dos jovens talentos com quem tem contato diariamente.
Seu próximo passo é um curta-metragem que mistura romance e ficção-científica. O desejo é terminá-lo até o fim do ano.
Fã de nomes como Terrence Malick, Jean-Luc Godard, John Cassavetes e Jim Jarmusch, o cineasta de 34 anos já tem em mente a história do primeiro longa-metragem, mas prefere juntar confiança o suficiente para o desafio. "Não é medo, mas quero ficar mais nos curtas e me sentir mais seguro", explica. Por enquanto o espectador fica com suas obras nada convencionais.
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