Maurício Soares (PT), assessor especial do gabinete do prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), pediu exoneração do cargo para se dedicar à candidatura do filho, Maurício Soares de Almeida Júnior (PDT) à Câmara Federal.
A publicação do afastamento, a pedido, foi publicada ontem no órgão oficial de imprensa da cidade, o jornal Notícias do Município. Com isso, o ex-prefeito abre mão de salário-base de R$ 6.679,05 - referência ‘V' na tabela da administração, fora benefícios. Como deve ficar ao menos dois meses fora, Maurício deixará de receber R$ 13.358,10 no período.
"Não posso me dedicar à campanha do menino sem pedir licença da Prefeitura. Tive de pedir exoneração, mas volto depois da eleição", justificou o ex-chefe do Executivo. Nesses 19 meses ao lado de Marinho, o petista afirma que tem "acompanhado as ações do governo", sem especificar exatamente seu trabalho, no qual atua muito mais como conselheiro. "Vou voltar para continuar a parceria", garante.
Maurício tornou-se aliado de primeira hora de Luiz Marinho dias antes do início da campanha eleitoral de 2008. À época, era filiado ao PSB e integrava o grupo adversário do atual prefeito.
Seria o candidato indicado do governo à sucessão de William Dib (PSDB - 2003 a 2008), mas rompeu por divergências internas, dentre elas a tentativa de inversão da chapa que concorreria ao Paço. Ao invés de candidato à principal cadeira do Paço, seria vice na candidatura encabeçada por Orlando Morando (PSDB).
Maurício, então, mudou de lado e passou a apoiar Marinho, que venceu o pleito, também em função da adesão do ex-chefe do Executivo que se filiou ao PT.
Filho - O "menino" no qual Maurício Soares se refere é seu filho, advogado de 36 anos. Mauricinho, como é conhecido, disputa vaga a deputado federal. Sua candidatura prevê limite de gastos - estipulado pelo partido - no valor de R$ 5 milhões. O pedetista declarou bens na ordem de R$ 584 mil à Justiça Eleitoral no momento de seu registro.
Sua candidatura, porém, está impugnada. A PRE-SP (Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo) avalia que Mauricinho "não demonstrou cumprir todas as condições de elegibilidade constitucionalmente exigidas".
Na prática, deixou de juntar na inscrição certidões criminais fornecidas pelas Justiças Federal e Estadual e não comprovou que está filiado ao PDT desde 3 de outubro de 2009. O pedetista tem de anexar os documentos e tentar reverter a situação.
Sobre este último caso, há imbróglio jurídico. Ele se filiou ao PSDB em 1º de outubro de 2003 e ao PDT em 28 de setembro de 2009. Informou ao diretório tucano o cancelamento de sua ficha dia 9 de setembro do ano passado. O cartório soube somente dia 30 do mesmo mês, mas deveria ter sido comunicado até dia 29.
Mauricinho alega que não foi notificado para se defender no processo de dupla filiação e seu direito de defesa foi cerceado. A situação será definida pelo TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo).
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