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Ações da Petrobras caem 24% no ano mesmo com pré-sal

17/07/2010 | 07:35
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As ações da Petrobras caíram neste ano, até quinta-feira, cerca de 24%, mesmo com o anúncio da primeira extração do pré-sal. Mas o resultado não deve ser interpretado pelo pequeno investidor como prejudicial, afirma o professor Márcio Torres, que ministra aulas no curso de pós-graduação intensivo de finanças da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing). "Ao longo prazo, é uma ação que vai dar dinheiro", disse.

Entre os papéis negociados na BM&FBovespa, a estatal mantém os considerados entre os mais seguros e com maior liquidez. "Ela não é uma empresa que deve se estagnar e não vai regredir na produção. Eu acho que ela vai aumentar mais a produtividade, pois tem um centro de pesquisa muito grande e está investindo nele. Num horizonte de 20 anos, acho difícil ela reduzir", disse o professor de governança corporativa Roberto Gonzalez, que ministra aulas na Trevisan Escola de Negócios.

O papel PETR3 ON (Ordinária Nominativa), que não dá direito ao voto no conselho administrativo, recuou 23,6% entre 31 de dezembro e quinta-feira, passando de R$ 40,91 para R$ 31,30. Considerando o período de um ano encerrado na quinta-feira, o decréscimo foi de 17,5%.

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"Quando você pensa como pequeno investidor, você deve pensar em longo prazo", afirma Torres. E a valorização em cinco anos, encerrados na quinta, justifica a afirmação. Ela subiu 315,8%, passando de R$ 7,46 para R$ 31,02.

Mesmo a PETR4 PN (Preferencial Nominativa), que dá direito ao voto no conselho administrativo e caiu 26,1% neste ano, apresentou alta de 3,47% em cinco anos. Este é o período mínimo que os especialistas aconselham que os pequenos investidores deixem seu dinheiro aplicado em ações.

Desvalorização - Torres explica que o recuo dos papéis da Petrobras acontece pelo mau humor do mercado. Esta maré vermelha, segundo ele, surgiu pela expectativa do anúncio da estatal sobre os ativos e os próximos passos financeiros, principalmente por causa da extração do pré-sal e anunciada nova empresa Petro-sal. "Eles querem saber quanto do investimento virá das ações, quanto será a parte do governo e qual percentual que será de empréstimos", discorreu.

Como a expectativa está criada e o mercado de ações é, em grande parte, movimentado pelos grande investidores (empresa e fundos), estes por sua vez não compram as ações e não aconselham, então o preço caí.

Pilares - Para Gonzalez, três pontos sustentam o mau humor do mercado. O primeiro é o caso do vazamento de petróleo em tubulação da BP, no Golfo do México. "Todo o setor é prejudicado quando acontece casos como este e as incertezas começam a surgir", explicou.

Ele cita que surgem mais pesquisas sobre fontes de energia alternativas, como heólicas, em tempo de crise no setor de petróleo. "E, por fim, o mercado teme uma possível ingerência na Petrobras, que é estatal", disse Gonzalez, relacionando ao ano de eleição. "O mercado não aceita cobranças políticas na empresas, apenas cobranças técnicas", completou sobre pedidos relacionados ao pré-sal.




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