
Ela foi precoce em tudo. Aos 12 anos, conheceu o diretor do primeiro filme neorrealista brasileiro, "Fome" (1931), Olympio Guilherme, com quem teve sua primeira experiência sexual. Aos 19, começou um explosivo romance com o escritor Oswald de Andrade, levando-o a terminar seu casamento com a pintora Tarsila do Amaral. Aos 20 anos, militante, incendiou o bairro do Cambuci em protesto contra o governo provisório. E, aos 21, tornou-se a primeira mulher presa no Brasil por motivos políticos, substituindo num comício comunista um amigo estivador, morto em seus braços pela polícia.
Essa foi Patrícia Galvão, a Pagu (1910-1962), diva do movimento modernista brasileiro cujo centenário de nascimento é comemorado hoje com a abertura da programação "Viva Pagu", no Centro de Estudos Pagu Unisanta, em Santos.
A programação do centenário envolve várias cidades, entre elas Santos, Paraty (na Flip) e São Paulo (hoje serão apresentadas cartas inéditas suas na Casa das Rosas). No dia 1º, no mesmo local, será lançado o livro "Viva Pagu - Fotobiografia de Patrícia Galvão", de Lúcia Maria Teixeira Furlani e Geraldo Galvão Ferraz, seguido de exposição com imagens raras da também pioneira escritora militante: é dela o primeiro romance proletário publicado no Brasil, "Parque Industrial" (1931).
A fotobiografia, com documentos inéditos, será seguida (no fim do ano) por uma coleção de quatro livros que reúne toda a produção jornalística de Pagu. Associada à figura da extravagante garota que conquistou o inventor do modernismo e depois virou militante comunista, Pagu, parente de Frei Galvão, o primeiro santo brasileiro, foi amiga de intelectuais como Borges e Breton. Ela morreu em 1962 e traduziu autores importantes (Ionesco, Arrabal), formando dramaturgos como Plínio Marcos.
Pagu, também criou para o teatro. Foram peças curtas em um ato, como "Fuga e Variações", escrita em 1954. Ela resumiu assim esse seu trabalho: "Jovens colegiais em conflito com os pais, a própria condição, o ambiente, os estudos, os ideais, a religião, a verdade, a liberdade e a coação com o mundo."
Atriz faz leitura de cartas inéditas
Hoje, a partir das 18h, na Casa das Rosas (Av. Paulista, 37, São Paulo. Tel.: 3285-6986), a atriz Miriam Freeland - que interpretou Pagu na minissérie "Um Só Coração" - faz leitura de cartas inéditas trocadas entre Pagu e personagens que revolucionaram o mundo das artes e da cultura no Brasil.
Na mesma noite, a professora Lúcia Maria Teixeira Furlani fará a palestra ‘Pagu, travessia para diferentes paixões'. A palestrante pesquisa a vida da diva do modernismo desde 1998. É autora de livros sobre Pagu e fundadora do Centro Pagu Unisanta, que reúne grande acervo sobre a personagem. Dia 1º, na Casa das Rosas, Lúcia Maria lança o livro "Viva Pagu - Fotobiografia de Patrícia Galvão", que ela escreveu junto com o filho de Pagu, Geraldo Galvão Ferraz. (Do Diário do Grande ABC)