
O julgamento dos acusados de assassinar e esquartejar os irmãos Igor Giovanni, 12 anos, e João Vitor dos Santos Rodrigues, 13, em Ribeirão Pires, ainda não tem data para acontecer. O crime, ocorrido em setembro de 2008, no Bairro Vila Aurora, tem como executores o pai das crianças, o vigilante João Alexandre Rodrigues, e a madrasta, Eliane Aparecida Antunes Rodrigues. O casal se encontra preso na Penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo.
Há um ano, a Justiça decidiu que o casal irá a júri popular. No entanto, os réus recorreram da sentença de pronúncia em agosto do ano passado, o que atrasou a marcação da data do julgamento.
Segundo a assessoria de imprensa do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), os autos do processo foram retidos para processamento de Grupos e Câmaras à mesa no último dia 9. Na prática, isso significa que logo mais o recurso será julgado pelo relator do processo e por mais dois desembargadores, que devem tomar uma decisão quanto ao pedido da defesa. Só então o julgamento poderá ser agendado.
Rodrigues responderá pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe - com utilização de meio cruel (asfixia) - e emprego de recurso que dificultou a defesa das vítimas. Ele ainda será julgado por destruição de cadáver e fraude processual. A madrasta dos meninos responderá pelos mesmos crimes, além de ser acusada de induzir as crianças à fuga.
Esquecimento - O caso que chocou o País pode estar perto de ter seu desfecho, mas para a família de Igor e João Vitor, a dor da perda não tem fim. "Ainda estou fazendo tratamento psicológico e psiquiátrico. Só não desisti de tudo porque tenho outros filhos", afirma a mãe dos meninos assassinados, a auxiliar de cozinha Cláudia Lopes dos Santos, que confessa que até hoje não tem coragem de saber detalhes do crime. "Só de pensar, me sinto mal. Ainda não entendo como puderam fazer isso."
Para Cláudia, que atualmente mora em Parati, no Rio de Janeiro, diferentemente do que aconteceu com a menina Isabella Nardoni, 5 anos, jogada pela janela do sexto andar de um prédio na Zona Norte de São Paulo, o caso de seus filhos acabou caindo no esquecimento. "Não entendo o motivo de isso ter acontecido, mas acredito que seja por se tratar de uma família humilde", afirma a auxiliar.
A cabeleireira Vera de Cássia Garcia, esposa do primo de Rodrigues, compartilha da mesma opinião de Cláudia. "Acho uma injustiça muito grande. Não quero menosprezar ninguém, mas a morte dos meninos foi uma verdadeira barbárie. Acontece que a mãe deles é pobre", protesta.
A família espera agora que pelo menos o desfecho do caso de Igor e João Vitor seja semelhante ao do caso Isabella, em que Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá foram condenados às penas de 31 e 26 anos de reclusão, respectivamente, pela autoria do assassinato da menina. "Eles não podem ficar impunes. Não desejo morte, mas os culpados têm que pagar caro pelo o que fizeram", diz Cláudia.
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