Prestes a completar 42 anos, a Fundação das Artes de São Caetano vive momento especial. Uma série de mudanças, físicas e estruturais, darão novo fôlego a uma entidade que já figurou - e ainda tem prestígio - entre as principais instituições de arte do Estado. E o principal, deverá receber o nome de seu criador, o ator Milton Andrade (1937-2009).
Fundada no dia 25 de abril de 1968, a entidade comemorará a data a partir de sábado. Além da festa, o que movimenta o meio artístico é a homenagem ao homem que dirigiu a instituição por 16 anos.
No dia do seu velório - 1º de dezembro -, amigos artistas conversaram sobre o assunto e arrecadaram assinaturas para encaminhar a ideia à Prefeitura. "Milton foi morador ilustre de São Caetano por mais de quatro décadas e participou intensamente de sua vida cultural. Emprestar seu nome é uma forma justa de reconhecimento", afirma a escritora Dalila Teles Veras, que ajudou a correr o abaixo-assinado.
Segundo o prefeito José Auricchio Jr., independente da lista de assinaturas, já existia essa intenção. "O abaixo-assinado reforça o reconhecimento dos artistas e da população. Milton é uma das reservas culturais mais importantes da cidade", entende Auricchio. A proposta é que o prédio da Fundação passe por reforma ainda em 2010 e, na reinauguração, prevista para o fim do ano, já ganhe o novo nome.
A atual diretora, Liana Crocco, lembra que o ator é uma referência em cultura. "Ele contribuiu muito para a arte na cidade, principalmente na formação de políticas públicas na área cultural", comenta.
Milton Andrade veio de Itapira, interior de São Paulo, na década de 1960. Engajado no teatro amador e realização de eventos artísticos na cidade, ele foi convidado pelo então prefeito Walter Braido a criar um ‘setor cultural'. "Já que Juscelino tinha o seu plano de metas, sentia-me encorajado a apresentar um projeto geral para a cultura em São Caetano", disse Andrade em depoimento gravado em 1995 e publicado na revista Raízes.
A Fundação, no início, teve um percalço por falta de sede. "Suas atividades eram no parque onde hoje está o Teatro Paulo Machado de Carvalho. mas perderam o espaço. Na época havia esse prédio na Visconde de Inhaúma que seria destinado a uma escola. Então, Milton levou as coisas da entidade para lá e se apossou do lugar. Ele sempre foi muito ativo e corajoso. Foi a grande alma da Fundação", conta o pesquisador José Armando Pereira da Silva, amigo de infância do ator e que também veio de Itapira para o Grande ABC.
O ator Antonio Petrin, criado em Santo André, trata Milton Andrade como "o grande homem da cultura de São Caetano" e lembra de sua importância também para a região. "Sempre foi parceiro e somou esforços com Santo André e São Bernardo em favor dos movimentos culturais. Ter seu nome na Fundação das Artes é uma homenagem digna e meritória", afirma.
Entidade celebra 42 anos
A partir de sábado (dia 17), a Fundação das Artes começa a comemorar seus 42 anos em atividade. A programação se inicia com a Orquestra Filarmônica de São Caetano e segue até dia 25, data do aniversário. Destaque para a estreia da ópera Dido & Enéas, que pela primeira vez unirá as quatro escolas da entidade: música, teatro, dança e artes visuais.
"Fizemos uma programação bem interessante, agregando professores, alunos, ex-alunos e convidados", explica a diretora Liana Crocco. Uma importante convidada é a Orquestra Brasileira de Música Jamaicana - dia 21, no Espaço Verde Chico Mendes -, que vem por meio de parceria com o Sesc São Caetano.
A ópera será exibida dias 24 e 25, no Teatro Paulo Machado de Carvalho. "É a primeira do gênero na região feita por alunos e professores", diz Liana. A peça é de de Henry Purcell (1659-1695) e apresentada em três atos.
No dia 19, haverá mesa-redonda sobre o tema Música e Mercado, com participações de professores convidados da Escola de Comunicação e Artes da USP, da Faam e do Instituto de Artes da Unesp.
Espetáculos teatrais e de dança, recitais, exposição, aula aberta, fórum, palestra e debate completam a agenda. Informações sobre a programação completa estão disponíveis no site www.fascs.com.br ou pelo telefone 4238-3030.
O encerramento terá encenação da peça O que Não Disseram, com o Núcleo 42 da Fundação. A direção é de Celso Correia Lopes e a temporada seguirá até 22 de maio.
Nova Fundação - "No ano que vem, teremos uma nova escola", garante a diretora. A afirmação deve-se às transformações estruturais por quais passa a Fundação das Artes, além da revitalização do prédio prevista para este ano.
A entidade, depois de reforma administrativa da Prefeitura, passou a ser um dos organismos ligados à Secretaria de Cultura. "Estamos reestruturando os cursos. Os de música e teatro são profissionalizantes, e estamos encaminhando para que, em breve, os de artes visuais e dança também sejam", adianta Liana.
Outra significativa mudança é em relação à Orquestra Filarmônica, que atualmente é gerida pela Apap (Associação de Pais, Alunos e Professores). "Estuda-se a criação de um órgão exclusivo para gerenciar a orquestra", explica. Além disso, a diretora fala em reforçar a integração dos trabalhos de alunos e professores e a circulação da produção.
Quanto à reforma física, a diretora adianta que a Fundação terá seu espaço adequado às necessidades atuais. Algumas salas terão seu tamanho reduzido ou ampliado de acordo com a frequência de cada aula. Também serão promovidas alterações prevendo melhor acessibilidade aos portadores de necessidades especiais.
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