
O valor pago pela população de Mauá para a Prefeitura fazer a retirada de entulho quase dobrou em relação ao ano passado. Até dezembro de 2009, os moradores gastavam R$ 76,37 por cada viagem feita pelo caminhão da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos com os restos de obras. O valor subiu para R$ 140 neste ano - acréscimo de 83,3%.
O aumento no preço do serviço gerou outro problema. Quem não tem dinheiro para pagar a taxa da Prefeitura acaba contratando carroceiros, alguns deles irregulares. Essas pessoas nem sempre levam o lixo retirado das casas para aterros ou depósitos. Eles depositam o material em terrenos desocupados ou áreas próximas a córregos.
Morador do Jardim Oratório, o técnico em segurança do trabalho Anderson Roberto Loureiro, 28 anos, já viu carroceiros largando entulho em um terreno próximo à sua casa, na Avenida Santa Catarina. "Acho que eles separam o que dá para reciclar e jogam o que sobra aqui. Já chamamos a Prefeitura diversas vezes, mas ninguém vem limpar", conta Loureiro.
Como parte das casas do bairro foi demolida devido à obra de prolongamento da Avenida Jacu Pêssego, há entulho por todos os lados. Flagrantes de ruas e calçadas sujas podem ser feitos em outros pontos da cidade. "Eu mesmo já fiz obra aqui em casa e chamei uma caçamba particular para recolher o entulho. Saiu R$ 120. É mais barato do que a Prefeitura", conta o esfirreiro Andrei Carvalho, 32, morador da Rua João Gianoni, no Jardim Cerqueira Leite.
EXPLICAÇÕES - O aumento da taxa de remoção de entulho motivou o vereador Manoel Lopes (DEM) a entrar com requerimento na sessão da Câmara de 23 de fevereiro pedindo explicações para a Prefeitura. "Se só parte da população podia pagar a taxa de R$ 76, imagina agora? A cidade já está suja, a coisa vai ficar mais feia ainda", afirma o vereador Lopes. "Achei um absurdo aumentarem a taxa em 83%."
Em documento enviado à Câmara dia 12, o prefeito Oswaldo Dias (PT) respondeu que o valor foi "reajustado devido à defasagem do valor anterior", levando em conta o pagamento de "maquinários, veículos e mão de obra da Prefeitura". A Prefeitura de Mauá não respondeu ao Diário ontem.
Três municípios da região oferecem serviço gratuito
As demais cidades da região não cobram para retirar entulho das casas dos moradores. Enquanto alguns municípios não têm o serviço, outros possuem programas que fazem a remoção periódica deste tipo de lixo em bairros ou instalam pontos onde o cidadão pode deixar os detritos gratuitamente.
Em Santo André, o Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) dispõe de 15 estações de coleta espalhadas pela cidade. É permitido o descarte de até um metro cúbico de móveis, material reciclável e restos de obras.
Cada bairro de Diadema recebe a visita de caminhões da Prefeitura duas vezes por ano como parte do programa Pé na Rua. Na ocasião, podem ser descartados até 50 quilos de entulho por morador. A Prefeitura gasta uma média de R$ 5 milhões por ano para retirar este tipo de lixo, inclusive aquele que é jogado nas ruas de maneira irregular. São retiradas uma média de 4.000 toneladas de entulho por mês.
Ribeirão Pires informou que realiza constantemente serviços de coleta de entulho e móveis usados em todo o município sem cobrar nenhuma taxa por isso.
Os moradores de São Caetano e Rio Grande da Serra têm que dar uma destinação a seu entulho procurando empresas privadas. A Operação Cata-Bagulho, de São Caetano, recolhe apenas móveis e objetos velhos.
São Bernardo não informou como funciona a retirada de detritos de obras pequenas. A Prefeitura orienta os moradores a contratarem empresas regularizadas para fazer o trabalho.
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