
Um Corolla mais esportivo, confortável e prazeroso. É essa a aposta da Toyota para a versão 2011, que chega amanhã às revendas da marca com novo motor 2.0 e a inédita opção Altis, agora a mais requintada do catálogo.
A montadora de origem japonesa decidiu jogar pesado para manter seu espaço. Convocou as engenharias da empresa no Brasil e no Japão para desenvolver exclusivamente para o mercado nacional a família de motores flex ZR.
O novo propulsor 2.0 16V Dual VVT-I faz parte da estratégia de surpreendrer a concorrência e, assim, consolidar o domínio do Corolla entre os sedãs médios. Potência aliada à economia é um dos maiores ganhos da moderna geração de motores.
Com isso, a Toyota espera não só manter seu público como atrair novos consumidores para o modelo, que tenta se livrar do estigma de carro de "tiozão", principalmente entre o público mais jovem.
E o 2.0 pode ser o plus que faltava ao Corolla. Concebido para ser otimizado com o etanol brasileiro, o motor agrada ao oferecer potência máxima de 153 cv com álcool a 5.800 rpm. Ou de 142 cv a 5.600 rpm, com gasolina. Já o torque atinge 20,7 mkgf a 4.800 rpm com etanol e 19,8 mkgf a 4.000 giros com gasolina.
No test drive, realizado de São Paulo a Itu, pode-se perceber a diferença entre o ZR e o motor 1.8 (família ZZ). Além de proporcionar condução mais segura e suave, o 2 litros gasta quase a mesma coisa que o 1.8. Na medição disponível no computador de bordo, ambos apresentaram consumo médio de 9 km/l - abastecidos a álcool.
Com o motor 2.0, o Corolla acelera de 0 a 100 km/h em 11,6 segundos com álcool - 11,8 segundos com gasolina. Segundo teste encomendado pela Toyota junto ao Instituto Mauá, a performance é a melhor entre os veículos de motor 2.0 ofertados no mercado brasileiro.
Também contribui para o melhor desempenho do 2.0 a nova transmissão automática de quatro velocidades shifttronic. Segundo o fabricante, a caixa tem relação de marchas mais adequada à motorização do 2 litros Flex.
A disponibilidade de borboletas no volante é um dos aspectos que privilegia o prazer na direção. A opção de trocas sequenciais também pode ser feita na alavanca de câmbio em posição ‘S', proporcionando condução mais esportiva.
Para reforçar o requinte, o Corolla, na nova versão Altis traz, como itens de diferenciação, acabamento interno na cor bege, regulagem elétrica do banco do motorista e sensor de estacionamento.
Acabamento dos painéis das portas em padrão madeira, sensor de chuva, sistema de som que reproduz MP3, além de faróis de xenon são itens que reforçam a comodidade.
Esteticamente, o Corolla, nas versões Altis e XEi (não mais disponível na motorização 1.8), recebeu o logo Dual 2.0 VVTi Flex, que identifica a nova motorização. Na versão topo de linha, também se vê presente o logo Altis na traseira. As demais versões não sofreram alterações no desenho.
A configuração Altis será oferecida a R$ 89.160. A XEi custará R$ 75.830. Nas suas duas configurações, a GLi 1.8 16V custará R$ 69.670 (automática) e R$65.660 (manual). A XLi também tem dois preços: R$ 65.920 (automática) e R$ 61.890 (manual).
Já a versão XLi 1.6 16V VVT-i será descontinuada. Todas as versões estarão disponíveis amanhã na rede Toyota.
Crise pode atrasar fábrica de Sorocaba
O presidente da Toyota no Brasil, Shozo Hasebe, afirmou que a montadora trabalha com hipótese de atraso nas obras da nova fábrica em Sorocaba (interior paulista). O executivo afirmou que, em razão da crise econômica de 2008, o cronograma pode sofrer revisão, mas negou falta de recursos para o investimento em decorrência dos problemas que a montadora enfrenta, principalmente nos Estados Unidos, com queda de vendas e recall. "Estamos fazendo estudo para saber se realmente haverá atraso no projeto", afirmou.
Hasebe disse ainda não ter previsão de data de inauguração da unidade, antes estipulada para 2011. "A nossa intenção é que seja inaugurada o quanto antes." Segundo ele, a Toyota já dispõe da licença ambiental para a construção. O terreno já está passando por terraplenagem.
Como é de praxe, o executivo não quis comentar qual será o primeiro veículo a ser produzido em Sorocaba. "É uma surpresa", disse, ao ser questionado sobre a possibilidade de o Etios, recentemente apresentado pela Toyota na Índia, ser feito aqui. "Quando nos propomos a fabricar, nosso objetivo é oferecer o carro que seja o melhor e o mais barato no momento apropriado", disse.
O que já se sabe é que será um veículo compacto. O objetivo da Toyota é ampliar o volume de vendas ao disputar o segmento mais vendido no País. A empresa também estuda fabricar aqui motores - atualmente importados - para equipar atuais e futuros modelos.
O presidente da Toyota no Brasil disse que ainda está no horizonte da montadora conquistar até 15% do mercado nacional. "Nós temos esperança que este desejo vire realidade. Estamos trabalhando e dando passos para concretizar esta meta", afirmou Hasebe.
Com o crescimento do mercado brasileiro e o fim de subsídios no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) a partir de abril, o executivo considera que a competição na indústria automobilística ficará cada vez mais acirrada. A fabricação de uma nova família de motores com características exclusivas para o etanol brasileiro já é uma iniciativa da montadora para enfrentar o mercado mais disputado.
A Toyota trabalha com expectativa de crescimento ou, na pior das hipóteses, de igual volume de vendas ao ano passado, quando o mercado alcançou 3,1 milhões de unidades. Deste total, a empresa ficou com 3,1% das vendas - cerca de 94 mil unidades.
A expectativa é consolidar a liderança do Corolla com o novo motor. No ano passado, o veículo ampliou em 20% as vendas sobre 2008 - passando de 45.642 para 54.603. Em 2010, a empresa planeja emplacar acima de 60 mil unidades. Só no primeiro bimestre, as vendas do modelo já cresceram 22% sobre igual período de 2009.
Para Hasebe, o bom resultado no bimestre é prova da credibilidade da Toyota, que, para ele, não teve a imagem prejudicada no Brasil em razão de recall nos EUA. Ele disse que nenhum modelo da marca comercializado aqui enfrenta problemas de fabricação como em outros países.