Faltando apenas três meses para a bola começar a rolar na Copa do Mundo de 2010, o foco das empresas brasileiras ligadas às áreas de infraestrutura está mais concentrado na perspectiva de ganhos com as obras para a próxima edição do evento, em 2014, no Brasil.
Estima-se, no setor, que a preparação para a próxima Copa movimentará até R$ 100 bilhões, entre a construção e ampliação de estádios e hotéis, melhoria de portos, aeroportos, vias urbanas e comunicação, além de outros investimentos necessários para recepcionar bem os mais de 600 mil turistas internacionais esperados (sem falar dos nacionais).
Segundo o presidente do Sinaenco-SP (Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva em São Paulo), Roberto Bernasconi, o Brasil já está atrasado e só agora começou a acelerar os projetos dos estádios. "É uma corrida contra o relógio; 2010 é um ano decisivo, já que é necessária a obtenção do licenciamento prévio e de instalação para o início das obras", ressalta.
Apesar da demora na definição dos empreendimentos, o potencial de recursos atrai a atenção de empresas como a Tomé Equipamentos e Transportes, de São Bernardo, que está investindo neste ano 50 milhões de euros (cerca de R$ 120 milhões) para compra de 15 guindastes de grande porte - vários deles adquiridos da Alemanha e com capacidade para içar 1.200 toneladas.
O objetivo é a locação desses equipamentos. "Essa é a grande aposta, estamos preparados para atuar em obras da Petrobras, de energia eólica e principalmente nos projetos da Copa", assinala o diretor de operações da empresa, Washington Moura. Atualmente, a companhia tem frota com 200 guindastes e cerca de 700 combinações de conjuntos transportadores (caminhões, carretas e linha de eixos).
Outra empresa ligada a essa cadeia produtiva, a fabricante de módulos metálicos Eurobras, de Santo André, também coloca a Copa do Mundo do Brasil como foco promissor de negócios. A diretora comercial e de marketing, Thelma Buzzoni de Moraes, afirma que ainda não há meta traçada. "Mas o potencial é grande, tanto pela necessidade de infraestrutura para as construtoras (galpões para os operários, por exemplo) quanto para eventos", afirma.
A Eurobras fabrica, em média, de 350 a 400 módulos por mês, e hoje em dia, está com utilização plena de sua capacidade instalada. Dessa forma, o incremento previsto na demanda poderá exigir investimentos para a companhia ampliar a produção.
PEQUENAS
Além de gerar negócios para grandes construtoras e escritórios de arquitetura, a Copa também pode render frutos para pequenas empresas. Para o diretor da HF Engenharia e Projetos, de São Bernardo, Alexandre Bello, a expectativa é de que o mercado, que já está em alta, melhore ainda mais. "São muitos projetos, não só de estádios, mas também de hotéis, estações de metrô (entre outros)."