
A Justiça de Rio Grande da Serra determinou que a Prefeitura retire toda a terra que deslizou de um barranco e deixou os moradores da Rua Julio Prestes de Albuquerque, no bairro Sítio Maria Joana, praticamente isolados. O desbarrancamento ocorreu há um mês e meio.
A Prefeitura informou, em nota, que enviará homens, equipamentos e máquinas para realizar as intervenções no local na segunda-feira. A medida foi tomada, após a intimação da Justiça chegar à Prefeitura, no dia 10. O documento dava prazo de 48 horas para que a administração tomasse providências, portanto o prazo venceu ontem.
DESCASO - Os moradores acusam a Prefeitura de descaso. "Desde o primeiro dia, ligamos para eles (Prefeitura), que vieram e apenas olharam. Não fizeram nada. Agora, se quisermos ir para o Centro temos que descer toda a rua a pé e esperar o ônibus", explica o caseiro Robson da Silva Gomes, 34 anos, que há 28 mora na Rua Julio Prestes de Albuquerque. A via é sem saída e com o desbarrancamento os moradores estão impedidos de sair de carro. A Prefeitura disse que "as fortes chuvas que aconteceram na região impediram intervenção mais rápida".
Para o desempregado Fabricio Silva Gomes, 21, que mora no fim da rua, o maior medo é não ter como ser socorrido em caso de emergência. "Tenho hidrocefalia e posso passar mal a qualquer momento. Se continuar assim como eu faço? Posso até morrer", conclui.
Ele conta que no dia da tragédia, poucos minutos antes da terra vir morro abaixo, duas moças tinham passado na rua. "Teve um barulhão e em seguida a terra e árvores desceram derrubando a fiação. Podia ter sido uma tragédia."
Robson relembra que a situação podia estar pior se não fosse o empenho dos moradores. "Ficamos quatro dias sem energia. A Eletropaulo não tinha condições de passar, mas demos um jeito e hoje temos luz. Caso contrário estaríamos sem energia até hoje."
Para a promotora Sandra Reimberg, que entrou com a ação, a dificuldade do bairro é grande. "Desde novembro, eles entraram em contato relatando os problemas até que chegou nessas proporções. Mandei um ofício para a Prefeitura e nada foi feito. Espero que agora seja resolvido", relata Sandra. Segundo ela, se a administração não cumprir poderá ser multada.
Moradores sofrem prejuízos
Mesmo passando apenas temporadas na casa que tem no bairro Sítio Maria Joana, o aposentado Wilson Albuquerque Machado, 70, de São Bernardo, reclama dos prejuízos com o desbarrancamento. Em frente da casa dele ficou um amontoado de terra. "A residência estava para vender já algum tempo, tinha até comprador que estava nas últimas negociações", relembra o aposentado. "Foi acontecer essas chuvas e deslizar tudo para que a pessoa desistisse", explica Wilson.
Dias depois, ele foi até o local para ver a situação e se deparou com a tragédia. "Não acreditei quando vi tudo aquilo em frente a residência. Tive que deixar o carro na rua e subir a pé. A garagem está bloqueada pela terra", diz o aposentado, que tem receio de que não encontre comprador para o imóvel.
A residência onde Robson da Silva Gomes é caseiro sofreu danos. "Foi tanta terra que desceu que a pressão acabou derrubando o alambrado da casa. O patrão entrou em contato com a Prefeitura há mais de duas semanas e a administração disse que em 48 horas iria arrumar a residência. Estamos esperando até agora", conta o caseiro.