Diário do Grande ABC

TURISMO


quinta-feira, 11 de março de 2010 7:00

Outono em Gramado

Luís Felipe Soares
Enviado à Serra Gaúcha

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A capital do cinema do Brasil não vive apenas durante o mais famoso festival do gênero no País. A cidade de Gramado, no Rio Grande do Sul, apresenta beleza tipicamente europeia e que chama a atenção de todos que a visitam. O local conta com população de cerca de 33 mil habitantes e, desde 1940, tem no turismo a principal fonte de renda, com o setor representando 90% da economia local. O estilo e a arquitetura remetem à colonização vinda da Europa, principalmente por meio dos alemães.

Apesar de a maior parte do agito acontecer no inverno, em termos de eventos e presença de turistas, a beleza de Gramado se estende pelas outras três estações bem definidas. Claro que não é possível ver em fevereiro a fina camada de gelo que chega a cobrir os gramados, mas o calor e os preços da baixa temporada são atrativos.

Mesmo no outono, o calor faz com que a temperatura seja muito maior se comparada com o frio congelante característico do inverno. A alta temperatura do dia vai ficando cada vez menor com a chegada da noite, quando surge um pouco de neblina, dando mais charme ao interior gaúcho.

Primavera ou não, a presença de hortênsias é garantida. A flor é um dos símbolos de Gramado e dá nome à sua principal avenida. A via é repleta de fábricas e lojas de chocolate. A Avenida das Hortênsias também é movimentada com as atividades do museu de cera Dreamland e do Hollywood Dream Cars, museu de carros antigos.

Apesar de não ser característica conhecida, a cidade conta também com variedade de fábricas de móveis, que apresentam boa qualidade e ótimo preço. Como o comércio é o ponto forte da via, o movimento após as 18h praticamente não existe.

Um dos pontos mais procurados do centro é o Palácio dos Festivais, que abriga, entre outros eventos, o Festival de Cinema. Em sua 38ª edição, será celebrado entre os dias 6 e 14 de agosto. O Palácio pelo qual passam algumas das maiores estrelas do cinema brasileiro funciona também como cinema, mas sua abertura acontece somente nos horários das poucas sessões noturnas. Caso queira se sentir um vencedor do Kikito, símbolo da festa cinematográfica, basta comprar a réplica da estatueta em qualquer loja (R$ 25, em média).

Logo em frente ao Palácio se encontra a Rua Madre Verônica, mais conhecida como Rua Coberta. O local abriga, entre outras lojas e restaurantes, o Bistrot Brillat, onde o público pode relaxar e tomar um chope Eisenbahn (R$ 4,80, 300 ml) e experimentar um delicioso coelho com aipim regado no azeite de oliva (R$ 41,50 o prato individual). O prato foi um dos destaques na última edição do Festival de Gastronomia de Gramado, evento que ocorre entre os dias 8 e 17 de outubro.

Para os amantes de vinhos, a dica é passar um tempo dentro das adegas e casas especializadas. Alguns locais, como a Casa do Vinho, só trabalham com bebidas da região, sendo alguns exemplares com destaque dentre os melhores do Brasil, casos da marca Don Laurindo (entre R$ 41 e R$ 64) e Casa Valduga (entre R$ 23 e R$ 125). Também é possível encontrar exemplares artesanais mais baratos, assim como um grande acervo de queijos e salames.

No fim da tarde, a tranquilidade do interior é simbolizada pela visita ao Lago Negro. Antigamente, o espaço era conhecido como Vale do Bom Retiro, mas um incêndio arrasou a mata da região. O local foi reconstruído artificialmente, com árvores da Floresta Negra da Alemanha, importadas para que pudessem ser replantadas ao redor do lago, que então foi rebatizado. O passeio à sua margem nos leva a observar os pinheiros, assim como o belo pôr do sol refletido em suas águas escuras. A entrada é gratuita, mas quem quiser andar de pedalinho deve desembolsar a quantia de R$ 15. O Lago Negro é um dos melhores pontos para se fazer fotografias.

O frio trazido pela noite faz com que a visita aos restaurantes seja inevitável. Para contornar a baixa sensação térmica mesmo fora do inverno, a dica é encontrar uma boa sequência de fondue - não confundir com rodízio. O preço individual é em média R$ 50 para que se possa experimentar os pratos de queijo, carne e chocolate. Também é possível pedir fondues à la carte (média de R$ 60), com alguns sabores diferentes.

O jornalista viajou a convite da CVC, da Webjet e do Serrano Resort & Spa.

Mini Mundo continua a surpreender

A recriação de grandes construções mundiais é a chave do sucesso do Mini Mundo. O pequeno parque temático tem encantado crianças e adultos desde os anos 1980 em Gramado e continua a surpreender todos que o visitam. A entrada custa R$ 14 e crianças pagam meia.

O espaço foi criado quando o descendente de alemães Otto Höppner decidiu presentear a neta com uma versão grande de casa de boneca. Para o neto, elaborou uma estação de trem. A ideia começou a se desenvolver e, após a família conhecer atrações internacionais nos mesmos moldes, resolveu criar seu próprio parque.

As primeiras obras começaram a ganhar a companhia de miniaturas, na proporção de um por 24, de grandes construções. É possível observar réplicas da Estação Ferroviária de Neuffen e do Castelo de Lichtenstein (Alemanha), do Aeroporto Internacional de Bariloche (Argentina) e de locais da cidade de Porto Alegre, como o porto e a prefeitura. Alguns pontos turísticos da própria Gramado também ganham sua homenagem no espaço da família Höppner. Destaque para a miniatura do Castelo de Neuschwanstein, palácio alemão que inspirou o visionário norte-americano Walt Disney (1901-1966) a criar o famoso Castelo da Cinderela no parque Magic Kingdom, em Orlando. A cópia em miniatura demorou nove meses para ser construída e pesa mais de uma tonelada. Bonecos, carros e outros apetrechos fazem com que as réplicas ganhem mais vida. A chegada de datas comemorativas faz com que o parque ganhe enfeites temáticos.

As 204 maquetes foram construídas após os responsáveis terem acesso à planta baixa com as medidas oficiais das construções originais. A escolha de novas atrações leva em conta a forte história por trás dos locais.

A única obra de outro ponto do Brasil é a Igreja de São Francisco de Assis, em Minas Gerais. Com detalhes em amarelo e música barroca saindo de dentro do pequeno prédio, a atração ganha um toque diferente com a ‘presença' do papa Bento XVI e sua bênção aos fiéis.

A ideia dos responsáveis pelo Mini Mundo é de conseguir plantas baixas de outros locais brasileiros, mas o acesso a elas é muito difícil - por isso a maior presença de cartões-postais de outros países. Um dos objetivos do parque é ter versões em miniatura de obras marcantes de Oscar Niemeyer.

Em breve o Mini Mundo terá seu espaço ampliado. Outra ideia é a construção de um museu com antigas maquetes que já cederam lugar para as atuais. A expectativa é de que fique pronto em 2011.




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