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Virando noites para estar na avenida

11/02/2010 | 08:08
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Fernando Nonato/DGABC
Fernando Nonato/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Mesmo sem dormir, os carnavalescos da Unidos da Serraria não perdem a esperança e o brilho no olhar ao falar dos preparativos da escola bicampeã de Diadema em 2009.

A vice-presidente Marli Domingos de Oliveira, 49 anos, conta que faz parte da agremiação desde a fundação, em 1987. "Conheci a escola quando Waldomiro Gomes (fundador) saiu pelo bairro Serraria fazendo a divulgação", diz.

Seu primeiro desfile foi aos 20 anos, como passista. "A sensação era maravilhosa. Quando acabava, minha vontade era voltar e começar tudo de novo", relembra Marli.

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Há dois anos, ela recebeu o convite para ser a vice presidente da agremiação. "Agora fico na coordenação e na produção das fantasias. Apesar de não desfilar, estou presente na avenida para verificar se está tudo do jeito que planejamos", conta.

Ela confessa que precisa ter muita vontade e paixão pela festa para seguir em frente. "A verba para esse Carnaval saiu tem pouco tempo e agora temos que correr. Tenho 40% das fantasias prontas. Não desisto em respeito ao público, que sempre está presente na avenida prestigiando o nosso trabalho", justifica Marli, que é comerciante, mas nesta época larga a profissão e os afazeres domésticos para se dedicar à comemoração.

FAMÍLIA NA AVENIDA - Roberto Sabino, 48, sempre adorou o Carnaval. Na escola, sempre saiu na bateria. "Ao entrar na avenida, aquele barulho dava um arrepio que só quem está lá sabe o que é. Uma coisa indescritível". Mas há cinco anos, devido ao diabetes, teve as pernas amputadas. "Agora desfilo nas alas dos cadeirantes junto com amigos que jogam basquete", diz empolgado.

Como o pai, Tais Roberta Sabino dos Santos, 28, foi criada na folia. Ela desfila desde os 6 anos e há 14 ocupa o cargo de porta-bandeira da escola. "É uma responsabilidade muito grande. Quando termina o desfile, quero que chegue logo a apuração para saber se eu e meu companheiro não perdemos nenhum ponto", fala.

Tais é tão apaixonada pelo Carnaval que confecciona a própria fantasia. "Tem que ter criatividade. A cada ano, a roupa tem que estar mais bonita. Sempre uso as cores da escola que são vermelha, preto, amarelo e branco." Mesmo a roupa sendo pesada, ela não mede esforços para estar linda na avenida. "Uma vez desfilei com uma roupa de veludo e choveu tanto que no fim estava muito pesada", relembra.

AJUDA DA MÃE - Para ajudá-la, ela conta com a ajuda da mãe, Mirtes Domingos de Oliveira, 50, que sai ao seu lado todos os anos. "Faço parte da harmonia do casal (porta- bandeira e mestre-sala). Também fico de olho para ver se não rasga a roupa, o arame do vestido não quebre ou ainda para que ela não se machuque."

 Enredo contará a história de luta de Chico Rei

Com o enredo Do Reino de Alguém, ao Reino de Além do Mar, Quem Foi Rei Nunca Perde a Majestade, a Unidos da Serraria levará para a avenida a história de Chico Rei. "Vamos mostrar as três passagens de sua história (Chico). Ele era rei na África veio para o Rio de Janeiro e foi vendido como escravo para Minas Gerais. Mas com muita luta conseguiu conquistar sua liberdade e a dos amigos", diz a vice-presidente da escola, Marli Domingos de Oliveira.

Serão 150 componentes distribuídos em seis alas, além de um casal de porta-bandeira e mestre-sala e um mirim. A bateria é composta por 40 componentes que promete agitar o desfile. "Mesmo com poucos integrantes, vamos para a avenida com muita garra e força de vontade para mostrar o nosso trabalho", diz Marli, que acredita que o Carnaval é uma data muito importante para a cultura brasileira,

A previsão da organização é que a escola inicie o seu desfile na Avenida Ulisses Guimarães, no dia 14, às 4h30.

Quem quiser conferir o ensaio da Unidos da Serraria que pode ir hoje e amanhã, partir das 21h, na Praça Ayrton Senna, no Serraria.




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