Esclarecimentos

A Suécia pediu explicações à Venezuela sobre as armas suecas vendidas a Caracas e encontradas em um campo da guerrilha colombiana das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), informaram fontes de governo nesta segunda-feira.
"Está confirmado que uma pequena quantidade de armas fabricadas na Suécia foi encontrada em um acampamento das Farc. Pedimos a dirigentes do governo da Venezuela explicações sobre como estes equipamentos chegaram à Colômbia", declarou Jens Eriksson, conselheiro político do ministério do Comércio. Segundo ele, as armas encontradas foram vendidas à Venezuela.
A revista britânica especializada em defesa, Jane's, revelou que o exército colombiano apreendeu das Farc vários lança-foguetes antitanque AT4 fabricados pela sueca Saab.
A Saab lamentou nesta segunda-feira que as armas tenham parado nas mãos das Farc.
"É sempre desagradável quando isso acontece", declarou o diretor-geral da filial da Saab que fabrica os AT4, Saab Bofors Dynamics, sem querer se pronunciar especificamente sobre esta apreensão envolvendo as Farc.
"Todos os países para os quais exportamos devem assinar um certificado de destinatário final, caso contrário a exportação não é autorizada. Infelizmente, às vezes, uma arma é encontrada onde não deveria, mas é raro", explicou Tomas Samuelsson em um e-mail à AFP.
No último domingo, o presidente Alvaro Uribe denunciou que os guerrilheiros esquerdistas compraram lança-foguetes no exterior e que seu governo apresentou queixa através dos canais diplomáticos dos respectivos países, sem mencionar quais.
Em Caracas, o ministro venezuelano do Interior, Tareck El Aissami, rejeitou nesta segunda-feira as denúncias de que um lote de armas vendido pela Suécia à Venezuela tivesse sido encontrado em um acampamento da guerrilha das Farc, destacando que está é uma "nova investida" contra seu país.
"Isto me parece uma nova investida contra nosso governo fundamentada em mentiras", disse El Aissami em entrevista à imprensa. "Desmentimos absolutamente que nosso governo ou nossas instituições estejam prontos a colaborar com organizações criminosas ou terroristas. Dá vontade de rir, parece um filme barato do governo norte-americano, os 'pitiyanquis' da região", acrescentou.
No entanto, o ministro destacou que caberá ao presidente Hugo Chávez, através da chancelaria, responder aos pedidos de informação feitos pelo governo colombiano a este respeito.
As declarações do ministro são a primeira resposta da Venezuela neste caso.
O governo colombiano denunciou ter encontrado armas antitanques fabricadas em um país europeu em acampamentos das Farc.
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