Editorial Falta água potável para matar a sede da população do Grande ABC. A situação precária do saneamento básico foi exposta em aprofundada reportagem publicada ontem por este Diário. Hoje, voltando ao assunto, o jornal detalha as raízes do problema: o excesso de perdas e as fraudes na rede de abastecimento, algo comum nas sete cidades. Se ambos os itens fossem resolvidos, certamente torneiras secas deixariam de ser fonte de preocupação na região. A maior parte dos municípios divulgou metas para solucionar a questão, mas elas estão bastante aquém da necessidade.
Reconhecer que a diminuição de perdas e furtos de água é tema relevante na política de saneamento básico, todavia, já é avanço significativo rumo à solução do problema. Até pouco tempo atrás, esses pontos sequer eram discutidos pelos gestores, mais preocupados em ampliar a rede do que em mantê-la em boas condições. É hora, pois, de a sociedade civil organizada cobrar investimentos na conservação e fiscalização da tubulação que abastece as sete cidades.
O motivo que leva à perda d’água durante o processo de distribuição já é de conhecimento dos especialistas há muito tempo e se resume à idade da rede, construída há décadas e corroída pela falta de cuidados de sucessivas administrações. Já os episódios de furto são provocados por razões sociais, como a probreza, e pela pura e simples desfaçatez, protagonizados por quem gosta de levar vantagens, ainda que indevidas – este jornal já noticiou, por exemplo, caso em que a água furtada era utilizada para encher a piscina de residência de alto padrão.
Se os municípios se esforçarem na aplicação de medidas destinadas a acabar com as perdas, a água atualmente tratada seria suficiente para atender a todos os habitantes das sete cidades. Não é mais possível conviver com índices de desperdício próximos à metade do que é produzido, como ocorre em Mauá (49,05%, segundo dados mais recentes, de 2016) e Santo André (44,14%, de 2017). É hora de o Grande ABC cuidar do assunto com a atenção que ele merece.
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