Setecidades Titulo Arte

A delicadeza de trabalhar com as próprias mãos

Caroline Garcia
Do Diário OnLine
30/01/2017 | 16:14
Compartilhar notícia
Nario Barbosa/DGABC
Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


“Quanto mais feia a letra, melhor”. Quem diria que tal afirmação poderia ser de um professor de caligrafia. Pois é exatamente isso que diz Nilton Gonçalves Aguiar, que há 21 anos faz os alunos se orgulharem da própria escrita. “Quem tem letra bonita é resistente e não quer mudar o jeito de escrever com tanta facilidade”, conta o andreense de 66 anos.

A história de Aguiar com a caligrafia começou por conta da vontade de sua mulher de ter o diploma de Corte e Costura preenchido à mão e não encontrar ninguém para fazer o trabalho. “Achei um curso em São Paulo e fiz. Mas continuei com meu emprego em processamento de dados. Aos poucos, o pessoal do meu trabalho foi se interessando pela minha letra e me pediam aulas. Então, na hora do almoço ensinava o pouco que eu sabia.”

Com o passar do tempo, esses 10 minutos de aula evoluíram para uma apostila própria e a caligrafia virou a profissão de Aguiar. Hoje, o curso que ele ministra em Santo André, no Parque Oratório, dura cerca de um ano e meio.

DGABC

Com mensalidade de R$ 200 e aulas com duas horas de duração por semana, os aspirantes a calígrafos aprendem três tipos de letras: cursiva inglesa, gótica alemã e ronde francesa. A maioria dos trabalhos é para preencher diplomas, convites e fazer homenagens.

A média de preço de cada convite de casamento ou aniversário, na região, é entre R$ 2 e R$ 3 feito em cursiva inglesa, a mais popular delas. Já as outras duas tipologias são cobradas por letra, sendo R$ 0,50 as maiúsculas e R$ 0,30 as minúsculas.

“Todos os meus alunos sabem que não podem cobrar como amadores. Eles saem daqui formados e devem estabelecer um preço à altura do trabalho deles”, afirma Aguiar. Sobre o salário do profissional, ele é enfático ao dizer que “dá para viver sendo calígrafo”. “Tenho ex-aluna que tira de R$ 5 a R$ 6 mil por mês.”

Esse é o desejo de Carla Cilene Nieves Elias, de 41 anos, de Santo André. Hoje, ela concilia o trabalho de fisioterapeuta com a caligrafia. “Minha ideia é me dedicar mais a cada dia até tornar meu principal trabalho.”
Por sempre gostar de escrever e ganhar elogios na escola por sua letra, Carla percebeu que a caligrafia poderia fazer parte do seu dia a dia quando seu irmão pediu que ela fizesse seus convites de casamento. “Na época eu rabisquei alguma coisa. Depois, em 2013, que fui fazer o curso com o Nilton.”

Atualmente, uma amiga que é assessora de casamentos a ajuda na divulgação de seu trabalho. “Por enquanto, é só quando eu chego em casa de noite que tenho tempo para fazer. Mas minha vontade é trabalhar só com a caligrafia. Acredito que preciso achar só o nicho certo para isso acontecer.”

De acordo com o professor, o trabalho do calígrafo é sua própria autodivulgação. “É uma bola de neve. Em um casamento, por exemplo, olha quantas pessoas recebem o convite. Pronto, a divulgação está feita! O que não pode é ter medo de começar”, conclui.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;