Mutirão da Catarata Clínica responsável pelo mutirão da catarata
contratou infectologista para analisar relatório
Celso Luiz/DGABC

O Instituto de Oftalmologia da Baixada Santista contratou infectologista para analisar o laudo conclusivo de sindicância interna realizada pela Secretaria de Saúde de São Bernardo a respeito do mutirão de catarata malsucedido que deixou 18 idosos cegos e um morto. O sócio-proprietário da terceirizada responsável pelos procedimentos e contratada pela administração municipal desde 2013, Elcio Roque Kleinpaul, voltou a afirmar que faltam provas técnico-científicas que mostrem a origem da contaminação de 22 dos 27 pacientes submetidos ao mutirão pela bactéria Pseudomonas aeruginosa.
“Solicitamos o relatório completo da sindicância à Secretaria de Saúde, que ficou de entregar na segunda-feira, e vamos tentar levantar suposições. É de interesse da ciência saber de onde surgiu a contaminação”, declarou Kleinpaul na tarde de ontem, durante reunião da Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores da cidade.
O laudo final da Prefeitura sobre o tema aponta que a infecção foi causada pelo uso de materiais não esterilizados e ausência de procedimentos de desinfecção durante as cirurgias. No entanto, Kleinpaul lembrou que “foram feitas pesquisas em todos os materiais e deu tudo negativo para o crescimento da Pseudomonas.”
O oftalmologista também criticou o fato de a Secretaria de Saúde não ter permitido que ele continuasse a realizar o tratamento pós-operatório de dez pacientes acometidos pela endoftalmite (infecção oftalmológica) devido à suspensão do contrato. “Apesar do rompimento do convênio, eu tinha o dever moral e ético de continuar a acompanhar essas pessoas, mas, infelizmente, fui impedido.”
Para o presidente da comissão, o vereador Fábio Landi (PSB), a reunião, que inaugurou os trabalhos do grupo, foi produtiva. A expectativa é que dentro de 40 dias seja entregue relatório final à presidência da Câmara, responsável por deliberar sobre o problema. “Foi um encontro importante, ainda mais porque ele (Elcio) veio a convite e não mediante convocação. O próximo passo será ouvir os pacientes.”
O médico Paulo Barição também está na lista de pessoas que devem ser ouvidas pela comissão de vereadores, no entanto, ainda não foi localizado pelos parlamentares. A equipe do Diário também não teve sucesso nas tentativas de contato com o oftalmologista.
Os contratos entre a Prefeitura e o Instituto de Oftalmologia da Baixada Santista e também o da empresa com o oftalmologista Paulo Barição estão suspensos. A Secretaria de Saúde, no entanto, não forneceu informações sobre que medidas tomará em relação à empresa. Desde que firmou contrato com a Pasta de São Bernardo, o instituto já recebeu R$ 2,4 milhões, sendo R$ 177,7 mil apenas neste ano.
O caso é alvo de inquérito civil, instaurado pelo MP (Ministério Público) de São Bernardo e conduzido pelo promotor de Saúde Pública Marcelo Sciorilli, e também de inquérito policial, sob os cuidados do delegado titular da Delegacia de Proteção ao Idoso, Gilberto Peranovich. O Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) também instaurou sindicância para avaliar o problema, que corre em sigilo.
Entre os 18 cegos, dez pacientes submetidos às cirurgias realizadas no Hospital de Clínicas da cidade, no dia 30 de janeiro, precisaram remover o globo ocular devido à infecção. Já o aposentado Pelegrino Focher Riatto, 74 anos, sofreu complicações após o procedimento: AVC (Acidente Vascular Cerebral), trombose (coagulação do sangue no interior das veias) e não resistiu. A família acredita que a morte é consequência da infecção ocular adquirida na cirurgia de catarata.
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