Rio Grande da Serra
Daniel Tossato/DGABC:

Túmulos vandalizados, recipientes com água parada e muito entulho. Estes foram alguns dos problemas que a equipe do Diário encontrou no Cemitério Municipal de Rio Grande da Serra, em apenas meia hora em que esteve no local.
Diferente dos falecidos que ali descansam, o que parece estar bem viva é a criminalidade, já que alguns túmulos também tiveram as portas de ferro furtadas, demonstrando que a falta de segurança é um dos problemas por ali. Durante a estadia da reportagem, nenhum agente de segurança foi avistado.
Dentro de um dos mausoléus, foi possível encontrar uma grande caixa d''''água, como se o local reservado para abrigar a memória daqueles que já partiram funcionasse como um depósito de material de construção. Em outra parte da necrópole, alguns túmulos estão muito perto de ceder, podendo revelar os restos mortais de quem está enterrado lá.

Outro problema encontrado foi a falta de demarcação em algumas covas e valas. É preciso prestar atenção por onde anda, ou é provável que passe por cima de alguém que esteja enterrado no cemitério.
Em nota, a Prefeitura de Rio Grande da Serra informou que a manutenção do local é feita frequentemente pela própria administração municipal, assim como existe ronda 24 horas, realizada pela guarda patrimonial e que não há relatos oficiais de furto nas dependências do local. A Prefeitura adiantou que está prevista uma reforma no espaço, mas ainda sem data certa para início das obras.
HISTÓRICO
Inaugurado em 1965, com 22 mil metros quadrados, o Cemitério Municipal São Sebastião, como também é conhecido, sempre esteve envolvido em episódios curiosos.
No começo dos anos 1990, já sem vagas para receber os mortos da cidade, a Prefeitura começou a enterrar os falecidos nos corredores do cemitério, fato que perdurou até 1994, quando um projeto de cemitério vertical foi idealizado pela administração.
Ainda na mesma década, a administração tentou ampliar o terreno do cemitério, desmatando 19,7 mil metros quadrados de mata que ficava ao redor do local. Porém, foi multada pela Polícia Florestal, alegando que a área desmatada fazia parte do Parque Estadual da Serra do Mar. A obra foi embargada por ferir a Lei de Proteção aos Mananciais.
Nesta época um laudo produzido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas desaconselhava a utilização do terreno que ampliaria o cemitério. O estudo apontava a provável contaminação do lençol de água dos mananciais pelos corpos que entravam em estado de putrefação. Para evitar o problema, deveria ser mantida uma distância mínima entre o fundo da cova e o lençol d''''''''água.
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