
A briga lamentável não sujou apenas o nome do tradicional Fluminense. Romário e Zé Colméia terão de prestar depoimento sobre o caso diante do Juizado Especial Criminal do Rio, no próximo dia 29 (quarta-feira). Depois de ser agredido, exibindo um corte na boca e uma camiseta rasgada, Faria procurou a polícia para registrar uma denúncia de agressão contra o atacante tricolor e o fisioterapeuta.
Punição pela briga, se vier, ficará restrita à Justiça. O presidente do Flu, David Fischel, disse que o episódio foi "deplorável". Mas anunciou que não vai punir Romário, pois todo o time acabaria prejudicado com um eventual castigo ao artilheiro. Assim, ele vai comandar a equipe no jogo desta quarta-feira à noite, contra o Corinthians.
Galinhas - Faria, líder da facção Garra Flu, conseguiu entrar no treino do tricolor com seis galinhas, escondidas num saco preto de lixo. Depois de estender na arquibancada uma faixa da torcida (de cabeça para baixo), ele tirou os animais do saco e os atirou para o campo.
Diante do protesto, o técnico Renato Gaúcho interrompeu o treino rapidamente e conversou com os jogadores. Mas o trabalho foi retomado em seguida, com três galinhas no gramado – os animais foram retirados dali por funcionários da limpeza e jogados, vivos, numa lata de lixo.
Faria prosseguiu com os protestos, xingando os jogadores de "mercenários", "covardes" e "galinhas".
A briga começou logo em seguida. De banho tomado, Romário saiu dos vestiários tendo Zé Colméia a seu lado e partiu para cima de Faria. "Não vai me esculachar aqui dentro da minha casa, não", esbravejava Romário, entre palavrões e ofensas ao torcedor. O atacante ainda partiu para cima de Faria e o agrediu com socos e tapas na cabeça. Zé Colméia surgiu logo atrás, batendo ainda mais no líder da Garra Flu.
A confusão se generalizou quando integrantes de outras facções apareceram para defender Faria. O tumulto só terminou com a chegada da Polícia Militar, que foi acionada pela diretoria do clube.
Nas entrevistas que deu após o incidente, Faria caprichou nas críticas a Romário. "Alguém como ele, conhecido e respeitado no mundo todo, não pode fazer uma coisa dessas", afirmou o torcedor, que disse ser sócio do clube há um ano.
STJD – O Superior Tribunal de Justiça Desportiva não vai oferecer denúncia contra Romário, por causa da agressão ao torcedor. O procurador do tribunal, Lindolpho Marinho, disse que o jogador até poderia ser enquadrado no Artigo 314 do Código Brasileiro Disciplinar de Futebol (CBDF), que prevê suspensão de um a quatro jogos para atletas que assumam "atitude contrária à disciplina ou à moral desportiva, em relação a componente de sua representação adversária ou de espectador." Mas afirmou que o STJD vai levar em consideração os serviços prestados por Romário para o futebol brasileiro, a fim de evitar uma punição pelo incidente.
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