Trabalho Em 2013, indústria ampliou 15 mil postos; cenário é bem diferente do vivido neste ano

O ano de 2013 foi positivo para a economia do Grande ABC, que registrou crescimento no número de empregos e também na remuneração média paga aos trabalhadores, de acordo a Rais (Relação Anual de Informações Sociais) de 2013. Os dados, levantados a pedidos da equipe do Diário pelo Ministério do Trabalho, se referem a informações passadas obrigatoriamente por todas as empresas brasileiras.
No ano passado, os postos de trabalho da região tiveram expansão de 3,1% (abertura de 25 mil vagas), encerrando 2013 com 833 mil pessoas ocupadas (trabalhadores com carteira assinada e estatutários, da administração pública). Houve, para isso, contribuição significativa do setor industrial, que gerou quase 15 mil postos no período.
A renda média também se elevou, com alta real (descontando a inflação) de 4,4%, fazendo com que o pessoal empregado na região passasse a ganhar, em média, R$ 2.600.
Todos os segmentos tiveram aumento real, mas o comércio foi um dos que se destacaram, com reajuste médio de 4,7%. Já os profissionais das fábricas conquistaram reajuste médio mais modesto, de 1,4%, mas seguiram se sobressaindo, já que encerraram o ano com R$ 3.675 de remuneração mensal média, mais que o dobro do montante pago no setor comercial (R$ 1.813).
Segundo economistas ouvidos pelo Diário, esse cenário de 2013 reflete, em boa parte, o fato de ter sido um ano de recuperação do setor industrial, devido a medidas de incentivo ao consumo de bens duráveis – como o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzido para carros, eletrodomésticos e móveis.
Houve também reação da área de caminhões – que tem 55% da produção nacional concentrada no Grande ABC. Isso após forte queda (19,5%) das vendas no ano anterior – que havia sido motivada, em parte, por antecipação de compras de transportadoras em 2011, devido à entrada em vigor de norma mais rigorosa para emissão de poluentes. A melhora da economia e a oferta de linhas de financiamento do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) para a compra de veículos pesados também ajudaram a impulsionar o segmento em 2013.
O coordenador do Observatório Econômico da Universidade Metodista, Sandro Maskio, acrescenta que 2012 tinha sido um ano ruim para a indústria e, por isso, a base de comparação era fraca. Naquele ano, a atividade produtiva encolheu 0,8% no País em relação a 2011, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Já em 2013, houve expansão industrial de 1,3%, com crescimento de 9,9% na produção automotiva.
EM 2014 - O delegado regional do Corecon (Conselho Regional de Economia) no Grande ABC, Leonel Tinoco, assinala que o cenário de 2013 retratado na Rais é bem diferente do vivido neste ano, em que a inflação alta, o endividamento das famílias e os juros mais elevados afetaram o consumo.
Boa parte dos empregos gerados em 2013 na indústria também já foram embora neste ano. Foram fechados cerca de 8.600 postos nas fábricas desde janeiro, de acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), levantamento mensal do Ministério do Trabalho e que também se baseia em informações passadas pelas empresas (referentes a demissões e contratações). A Rais, que é anual, é mais precisa, já que pode ocorrer de companhias atrasarem o repasse de dados ao Caged.
EFEITO RENDA - Como o trabalhador da indústria tem renda mais alta, as demissões no setor afetam as outras atividades, principalmente o comércio. Maskio cita que a redução do volume de vagas reduz a massa salarial, ou seja, o volume de recursos injetados na economia, que poderiam ir para o consumo.
Além dos cortes, muitos trabalhadores das montadoras estão em férias coletivas ou em lay-off (ou seja, com contratos de trabalho suspensos temporariamente), por causa da demanda retraída, e acabam adiando compras, com receio de perderem o emprego.
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