Segurança pública Guto Volpi anunciará nesta sexta-feira (19) a saída de Arlei Capoccio do comando da Segurança, nomeará interino e mudará gabinete para sede da Guarda
FOTO: Celso Luiz/DGABC

O cancelamento da autorização de uso de armas da GCM (Guarda Civil Municipal) de Ribeirão Pires, determinada pela PF (Polícia Federal), vai custar a demissão do secretário de Segurança Urbana, Mobilidade e Defesa Civil, Arlei Capoccio. O prefeito Guto Volpi (PL) se reunirá com ele e outras autoridades nesta sexta-feira (19), às 9h, para comunicar a saída do cargo, além de outras providências.
Em entrevista exclusiva ao Diário, na noite desta quinta-feira (18), após retornar de viagem a Santa Catarina, onde participou de congresso sobre turismo, Guto revelou que faria o desligamento e adiantou que o secretário de Assuntos Jurídicos, Rangel Ferreira, assumirá interinamente a Pasta da Segurança. “Além disso, vou transferir temporariamente o meu gabinete para a sede da Guarda para poder tomar pé de toda a situação”, afirmou.
Guto classificou como “falha burocrática grave” o fato de Capoccio ter deixado de cumprir exigências previstas em um acordo de cooperação técnica firmado com a PF em 2021, entre elas a implantação de um sistema eletrônico de controle para armazenamento e monitoramento de armas.
Segundo a Prefeitura, dos 114 integrantes da GCM, 86 foram atingidos pela decisão da PF. Eles estariam com o porte de arma vencido. A Secretaria foi comunicada na quarta-feira e, após reunião entre representantes do Ministério Público, Prefeitura, GCM, PF e PM (Polícia Militar), ficou definido que o armamento seria recolhido temporariamente.
Guto não sabia se as armas de todos os GCMs seriam tiradas de circulação ou apenas dos 86 envolvidos. “Amanhã (hoje) vou ter melhor conhecimento do caso”, afirmou.
Uma ação do Núcleo de Apoio Técnico da Polícia Federal foi realizada na quarta-feira e, segundo nota da Prefeitura, “a Secretaria tomou conhecimento quanto ao apontado e, após verificação, reconheceu a validade das divergências apontadas e a falha administrativa, que serão brevemente sanadas pela Pasta e reforça que as medidas exigidas pela PF, que consistem majoritariamente na atualização de certidões individuais já estão em andamento. A administração municipal trata a questão como prioridade máxima, com a previsão de que todos os portes funcionais sejam normalizados o mais breve possível.”
O Paço informou também que “juntamente com o Ministério Público já alinhou com a SSP (Secretaria da Segurança Pública do Estado) o envio de efetivo da Polícia Militar, em número suficiente, para suprir a necessidade da segurança na cidade, até que sejam sanadas as divergências.
O governo do Estado, via SSP, disse que acompanha a situação em Ribeirão Pires e “já adota as medidas necessárias para garantir a segurança da população, atuando em harmonia com o trabalho suplementar realizado pela GCM”.
A Prefeitura informou que a PM já reforça o policiamento em Ribeirão até que as pendências sejam regularizadas, garantindo a manutenção da segurança pública local.
O Diário esteve na cidade nesta quinta-feira (18) e constatou a presença de viaturas da PM circulando e posicionadas no Centro. No período em que a equipe permaneceu no local, apenas uma viatura da GCM foi vista estacionada nas dependências da Prefeitura. Segundo apuração do jornal, cerca de 50 PMs foram enviados ao município.
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MP-SP apura série de irregularidades desde 2025
De acordo com o MP-SP (Ministério Público de São Paulo), a decisão da Polícia Federal foi adotada após denúncias que vêm sendo apuradas pela Promotoria de Justiça de Ribeirão Pires. Segundo o órgão, além da ausência de sistemas eletrônicos para registro, monitoramento e armazenamento de armamentos, também foram identificadas irregularidades relacionadas ao funcionamento de estruturas de controle interno, como corregedoria e ouvidoria independentes.
Ainda conforme o MP-SP, ao menos 20 guardas municipais prestaram depoimento à Promotoria relatando supostos casos de assédio moral, perseguição funcional, abuso de autoridade e falhas nos mecanismos de fiscalização da corporação. Os relatos também mencionam possíveis irregularidades no controle de armamentos e equipamentos públicos.
Em procedimento aberto em 2025, o promotor de Justiça Jonathan Vieira de Azevedo apontou a existência de indícios de abuso de autoridade, centralização excessiva de poder e possíveis irregularidades administrativas envolvendo integrantes da GCM.
O Ministério Público também informou que investiga suspeitas sobre eventual uso de viaturas, pessoal e outros recursos públicos para finalidades privadas.
O MP-SP informou que apura a possível existência de uma estrutura organizada voltada à prática de ilícitos dentro da corporação. Segundo o promotor que conduz a apuração, depoimentos colhidos pela Promotoria apresentaram indícios que estão sendo investigados, incluindo relatos de perseguições internas, desvio de finalidade administrativa e utilização indevida da estrutura pública.
Com relação aos procedimentos internos de controle, a administração municipal esclareceu que “o monitoramento do armamento da corporação segue um rigoroso protocolo físico de registro. A retirada e a devolução de armas de porte são controladas por acautelamento; já as portáteis são controladas mediante livros de registro específicos, garantindo a rastreabilidade e a responsabilidade individual de cada agente; porém, a Prefeitura já trabalha e estuda a implantação de sistema digital.”
Questionada sobre possíveis responsabilidades administrativas, a Prefeitura ressaltou que está abrindo procedimento interno para a apuração dos fatos.
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