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Haiti volta à Copa com elenco formado pela diáspora e encara a Escócia na estreia

12/06/2026 | 19:51
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Haiti e Escócia fazem neste sábado (13), às 22h (de Brasília), no Gillette Stadium, em Boston, a estreia na Copa do Mundo de 2026. Integrantes do Grupo C, que também conta com Brasil e Marrocos, as seleções chegam ao torneio carregando histórias bem distintas. Enquanto os escoceses encerraram um jejum de 28 anos sem disputar um Mundial, os haitianos retornam após mais de cinco décadas apostando em uma equipe formada majoritariamente por jogadores nascidos fora do país.

Dos 26 convocados pelo técnico Sébastien Migné, 16 não nasceram no Haiti. São 11 atletas nascidos na França, dois nos Estados Unidos, um no Canadá, um em Guadalupe e um na Suíça. O fenômeno é reflexo da grande diáspora haitiana, intensificada por décadas de dificuldades econômicas, instabilidade política e tragédias naturais.

O Haiti ocupa a 158ª posição entre os 193 países no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU e convive há anos com graves problemas sociais. Mais de 60% da população vive abaixo da linha da pobreza. Em 2010, um terremoto devastador matou cerca de 230 mil pessoas, entre elas 32 jogadores de futebol.

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Nos últimos anos, a violência das gangues também impactou diretamente o esporte local. O estádio nacional, em Porto Príncipe, foi tomado por grupos criminosos, obrigando a seleção a mandar partidas das Eliminatórias em Curaçao, cerca de 800 quilômetros distante de casa. Mesmo diante desse cenário, o país conseguiu reunir talentos descendentes espalhados pelo mundo e construir uma geração competitiva.

Entre os destaques estão o meia Jean-Ricner Bellegarde, do Wolverhampton, e o atacante Wilson Isidor, do Sunderland, nascido na França e naturalizado recentemente. No ataque, a principal referência é Frantzdy Pierrot, centroavante do Rizespor, da Turquia, que usa seus 1,95m como arma nas jogadas aéreas. O retorno ao Mundial encerra uma espera iniciada após a única participação haitiana em Copas.

Em 1974, a seleção disputou o torneio na Alemanha Ocidental e foi eliminada na primeira fase. Agora, tenta escrever um capítulo diferente em sua história. O comando da equipe está nas mãos do francês Sébastien Migné.

Ex-meio-campista sem grande projeção como jogador, ele construiu a carreira de treinador em diferentes países e conduziu o Haiti de volta ao principal torneio do futebol mundial. "Não é fácil. Quando você tem o sonho de jogar esse tipo de competição, você pensa em jogar contra os melhores. E quando você pensa em Copa do Mundo, você pensa no Brasil.

Então é uma grande oportunidade para o Haiti. Mas certamente não vai ser fácil", afirmou o treinador à CazéTV. Do outro lado, a Escócia encerrou uma espera de 28 anos para voltar a uma Copa do Mundo.

A última participação havia sido em 1998. A vaga foi conquistada com grande campanha nas Eliminatórias, superando a favorita Dinamarca e garantindo classificação direta. O resultado representou o ponto mais alto do trabalho conduzido por Steve Clarke, treinador que assumiu a seleção em 2019 e se tornou peça central na reconstrução do futebol escocês.

Apesar da campanha nas Eliminatórias, o restante do ciclo apresentou oscilações. A Escócia caiu ainda na fase de grupos da Eurocopa sem vencer partidas, foi rebaixada da Liga A para a Liga B da Liga das Nações e também não empolgou nos amistosos preparatórios. Ainda assim, a expectativa da torcida permanece alta, principalmente pela possibilidade de alcançar pela primeira vez uma fase eliminatória em Mundiais.

A equipe chega aos Estados Unidos com uma baixa importante. O meia Billy Gilmour sofreu lesão e acabou cortado da competição. Em compensação, o experiente lateral Andrew Robertson, recém-saído do Liverpool, segue como uma das principais lideranças do elenco ao lado de outros jogadores acostumados ao futebol de alto nível na Europa.

Clarke tratou a participação no Mundial como uma oportunidade especial para uma geração que recolocou a Escócia entre as principais seleções do continente. "É sempre difícil chegar a uma Copa do Mundo para um país como a Escócia, demoramos muito para voltar aqui. Em 1998 foi a última vez, então estamos determinados a chegar lá e nos sair bem", afirmou o treinador. FICHA TÉCNICA HAITI X ESCÓCIA HAITI - Johnny Placide; Carlens Arcus, Ricardo Ade, Martin Experience e JK Duverne; Leverton Pierre, Ruben Providence, Jean Jacques e Josué Casimir; Duckens Nazon e Wilson Isidor.

Técnico: Sébastien Migné. ESCÓCIA - Craig Gordon (Angus Gunn); Aaron Hickey, Grant Hanley, Jack Hendry e Andy Robertson; Ben Gannon-Doak, Scott McTominay, Lewis Fergunson e Ryan Christie; Che Adams e Lawrence Shankland. Técnico: Steve Clarke.

ÁRBITRO - Mustapha Ghorbal (ALG) DATA - 13/06 (Sábado) HORÁRIO - 22h LOCAL - Gillette Stadium, em Boston (EUA).




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