Fogo Acidente é o segundo em menos de 24 horas e não deixou feridos; explosão em indústria química registrou 13 feridos na segunda
André Henriques/DGABC

Menos de 24 horas depois de incêndio e explosão terem destruído a empresa Imã Aerossóis, no bairro Casa Grande, em Diadema, acidente semelhante, na madrugada de ontem, comprometeu as instalações da fabricante de extintores Resil, situada na Avenida Prestes Maia, na região central da cidade. Conforme o Corpo de Bombeiros, as chamas tiveram início por volta das 2h30 e foram controladas duas horas depois. Ao contrário do caso da indústria química, que teve 13 feridos, na ocorrência da metalúrgica não houve vítimas.
O combate ao fogo mobilizou cerca de 20 homens da corporação. De acordo com o tenente do Corpo de Bombeiros Felipe Pinholi Cardoso, a água armazenada no local ajudou a controlar as chamas. “Como todo grande incêndio, este requereu grande quantidade de água.”
Por volta das 11h, as equipes de bombeiros ainda atuavam no local. “Estamos fazendo o trabalho de rescaldo, revirando a parte que ainda não queimou para poder deixar esse lugar em segurança.”
Apesar da grande proporção do incêndio, não houve feridos. Na hora do ocorrido, apenas um porteiro trabalhava na empresa. Após perceber o início do fogo, o funcionário entrou em contato com o Corpo de Bombeiros.
Na manhã de ontem, o local foi vistoriado por técnicos da Defesa Civil de Diadema que, após rápida inspeção, interditou parcialmente a edificação atingida pelas chamas – aproximadamente 2.000 m².
De acordo com a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), a Resil encontra-se em situação regular, com licença de operação válida até 2018. O mesmo ocorre em relação ao alvará expedido pela Prefeitura, válido até março de 2017.
Por meio de nota, o Sindicato dos Metalúrgicos do Grande ABC destacou que a Resil possui 250 trabalhadores e que está em contato com a empresa e à disposição para ajudar no que for preciso. “A direção da fábrica informou que está empenhada em retomar a produção assim que possível.”
INQUÉRITO E MULTA
O Ministério Público do Estado de São Paulo destacou que está analisando o caso do incêndio na Imã Aerossóis para a instauração de inquérito civil.
Já a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) observou que finaliza relatório da vistoria realizada no local para embasar as autuações a serem lavradas à indústria. Isso porque a licença ambiental prévia de instalação, solicitada pela empresa em abril, foi negada devido à não apresentação de documentos necessários.
A Defesa Civil de Diadema interditou a Imã Aerossóis e uma empresa vizinha para que haja reparo de telhas que foram quebradas durante o incêndio. Além disso, fábrica de embalagens ao lado foi notificada para orientar seus funcionários a não passarem pelo corredor que faz divisa com a indústria química e, caso seja necessário, fazer uso de capacetes.
A administração informou ainda que a Imã Aerossóis encontra-se em situação irregular, passível de ser autuada por funcionar sem licença nem AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros). O caso “será apurado por meio do processo 17.506/16 e serão aplicadas as sanções pertinentes ao caso”.
A Polícia Civil aguarda conclusão de laudo da perícia, em até 30 dias, para iniciar a investigação. “Precisamos do parecer para avaliar como o inquérito será feito. Caso sejam comprovadas as irregularidades, os proprietários podem ser indiciados por crime de incêndio e atentado contra a vida”, explica o delegado-assistente do 2º DP (Vila Nogueira) Leonardo Piscirillo.
Embora tenham sido convidados a depor, os proprietários da indústria química não compareceram ao distrito policial. Os responsáveis também são procurados pelo Sindicato dos Químicos, que busca encontro para discutir possíveis ressarcimentos aos trabalhadores.
De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado, os feridos encaminhados para o Hospital Serraria permanecem internados, porém foram transferidos para outras unidades. Três vítimas seguem no Hospital São Lucas e o paciente que estava no Hospital Municipal de Diadema recebeu alta ontem.
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