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Álbum dos sonhos

Rodolfo de Souza
18/06/2026 | 09:11
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ARTE: Fernandes
ARTE: Fernandes Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Ultimamente tenho notado a molecada, para lá e para cá, com o álbum da Copa debaixo do braço. Ao que parece, deixaram de lado a obsessão pela tela digital para se envolver um pouco com o mágico pedacinho de papel que muito fascínio tem despertado nos meninos e nas meninas. O adulto, aliás, não ficou de fora dessa mania e, se passou dos quarenta, talvez ainda se sinta meio nostálgico com a brincadeira.

Gente grande ou não, todos correm, cheios de expectativa, à banca para comprar os envelopes e encher de felicidade o jornaleiro que torce para que se criem outras tantas coleções para todos os tipos de Copa.

E essa turma compra figurinhas, cola figurinhas, bate figurinhas, troca figurinhas, viaja nas imagens que trazem que acalentam, nos meninos, o sonho bom de um dia também brilhar nos campos e ter uma mulher que brilha nos gramados televisivos, só para exibir e chatear nas manchetes do País.

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E eu daqui olho embevecido a alegria geral fomentada pelo álbum e seus tesouros. Já não curto essa mania como nos velhos tempos, mas aprecio ver novamente o fio tênue que liga uma geração a outra! É isso mesmo! Por meio dessa febre, é possível ligar o presente ao passado. O estilingue, a fubeca, o andar descalço, tudo ficou para trás, mas as figurinhas estão aí, novinhas como se a sua magia fosse reinventada agora, nestes tempos da tecnologia.

E enquanto os garotos estão ali, compenetrados, envolvidos com elas, eu me rendo às circunstâncias e me imagino também discutindo e trocando as repetidas, falando da seleção e das possibilidades de vitória, afinal, a bola está rolando. Isso enche o peito de uma emoção incontida. 

Mas a meninada, judiação, desconhece as mazelas que tocam o mundo do futebol, assim como qualquer universo preso ao poder econômico. De qualquer forma, acredito que todos, até os adultos mais espertos, torcerão para que o craque despeje bolas e mais bolas nas redes adversárias, que faça gritar a plateia, que novamente verá seu País como o melhor do mundo! Grande e invencível Pátria Tupinambá! 

E, verdade seja dita, é preciso vencer na raça e no pé. Mesmo porque, brasileiro não tolera vitória comprada ou, o que é ainda pior, vendida. O problema é se alguém, novamente, quiser encher de dólares as malas brasileiras para que, outra vez, lhes entreguemos o jogo. A meninada das novas gerações por certo que chorará sem entender os combinados que se fazem na calada da noite. Talvez até abandonem as figurinhas, os coitadinhos, caso venham a tomar ciência de tais acordos. Claro que a população pouco fala a respeito. O sonho da copa, afinal, não pode ser maculado com tamanho ultraje. Por isso, é preferível aceitar uma derrota por sete a um, a descobrir que tudo não passou de uma farsa e que os jogadores, para quem somente a glória de vencer interessa, resolveram entregar de bandeja e dar vexame, só para escandalizar, revoltados que ficaram com as decisões superiores que colocaram os negócios acima do sentimento nacional. 

Mas é cedo para sofrer com isso. Bom mesmo é colecionar figurinhas e se deixar levar pela ilusão de que tudo é de verdade. Faz bem à alma.

Rodolfo de Souza nasceu e mora em Santo André. É professor e autor do blog cafeecronicas.com




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