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Parques da região não têm ambulatório


Tiago Dantas
Do Diário do Grande ABC

27/09/2009 | 07:02


Os moradores do Grande ABC que têm o costume de fazer caminhada ou corrida nos parques da região convivem com o risco de precisar de auxílio médico e ambulâncias nas áreas verdes e não o encontrar. De cinco endereços visitados pelo Diário na última semana, apenas dois possuíam ambulatório com enfermeiros de plantão.

Nos parques Central e Celso Daniel, em Santo André, e do Paço, em Diadema, o resgate de alguém que passa mal enquanto se exercita acaba ficando a cargo do Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência). Nos Parques Cidade de São Bernardo, na cidade de mesmo nome, e Chico Mendes, em São Caetano, o atendimento é feito em ambulatórios.

Em Santo André, o Parque Celso Daniel, no bairro Campestre, e o Parque Central, na Vila Assunção, não possuem qualquer tipo de atendimento médico. "Quando tem ocorrência de alguém passando mal, a gente chama o Samu. Se precisar, o guarda-civil pode ajudar a dar os primeiros socorros", afirma um guarda que trabalha na segurança do Parque Celso Daniel, que pediu para não ser identificado.

Um policial militar que fazia ronda no Parque Central quarta-feira conta que, mesmo quando há shows no parque, falta atendimento médico. A proximidade com o Hospital Mário Covas acaba sendo utilizada como justificativa para a falta de ambulatório, segundo frequentadores do local. A Prefeitura de Santo André não respondeu ao pedido do Diário de informações sobre a instalação de enfermarias nos parques do município.

Diadema é outra cidade com falta de atendimento destinado aos praticantes de esporte que se sintam mal por algum motivo. O Parque do Paço, no Centro, também sofre com a falta de um posto médico equipado.

Um funcionário admite que o parque tem um projeto para construir um ambulatório ao lado de uma guarita de segurança na entrada do local. A Prefeitura de Diadema informou que a colocação de ambulâncias com equipe médica de plantão em parques públicos fica restrita aos dias em que as áreas verdes recebem eventos que atraem públicos grandes, como shows.

Pronto atendimento - Os frequentadores do Parque Cidade de São Bernardo, no município homônimo, e do Espaço Verde Chico Mendes, em São Caetano, encontram enfermeiros nos ambulatórios montados para oferecer os primeiros socorros. A Prefeitura de São Bernardo informa que "disponibiliza serviço médico com profissionais de saúde nos parques Engenheiro Salvador Arena, Raphael Lazzuri e Parque da Juventude de Esportes Radicais."

A Prefeitura de São Caetano comunicou que possui uma ambulância que fica todos os dias no Chico Mendes, parque de maior circulação da cidade, e dá apoio às outras áreas verdes.

"Sem dúvida nenhuma é importante ter um serviço de apoio ambulatorial nos parques e em qualquer lugar público", diz Antônio Cláudio de Oliveira, diretor de enfermagem do Cetes/HCor (Centro de Ensino, Treinamento e Simulação do Hospital do Coração).

Demora de 10 minutos pode levar à morte

A cada minuto que se demora para atender uma pessoa que está sofrendo um ataque cardíaco, as chances de salvar o paciente caem 10%. "Se você demorar dez minutos, pode ser fatal. Sem contar que a demora pode deixar a vítima com sequelas", afirma Antônio Cláudio de Oliveira, diretor de enfermagem do Hcor (Hospital do Coração).

O comerciante Luís Dias, 40 anos, diz que contabilizou demora de quase 15 minutos no atendimento a um homem de 49 anos que sofreu uma parada cardíaca no Parque Celso Daniel, em Santo André, no dia 12. "Se tivesse um enfermeiro de plantão, o rapaz poderia ter sido atendido na hora. Acho um absurdo uma demora dessas", conta.

O enfermeiro Oliveira lembra que a primeira coisa a se fazer ao se deparar com uma vítima de mal súbito é ligar para o Samu ou os bombeiros. "É importante lembrar para quem não tem formação num curso de primeiros socorros os na área médica que elas não devem tentar ajudar a vítima porque podem acabar piorando a situação", ensina. O enfermeiro lembra que dores no peito, pescoço e braço, suor frio e tontura são sintomas de início de infarto.

Treino gratuito para quem quer correr

Desde o início do mês, o Parque Celso Daniel, em Santo André, recebe o projeto Pé no Parque, cujo objetivo é dar treinamento especializado a um grupo de corrida de rua. Cinquenta pessoas frequentam as sessões de treinos às terças e quinta-feiras. O resto da preparação, descrita em uma planilha individual, fica a cargo do frequentador do programa. Segundo a organização, há fila de espera para entrar no treino. Quem quiser se inscrever, pode ir ao parque nos dias das aulas às 7h30 ou às 19h.

"Essa fase com todo mundo junto é importante até pelo aspecto coletivo da atividade. O atletismo é o esporte mais democrático que existe", afirma João Vicente de Moraes Neto, diretor técnico da academia que oferece os treinos gratuitos em convênio com a Prefeitura de Santo André. Além dele, outro professor e dois estagiários participam do projeto. O mesmo treinamento em uma academia da região custaria entre R$ 80 e 110.

A nutricionista Juliana Pizzocolo, 27 anos, ressalta a proximidade com outras pessoas interessadas em começar a correr. "São pessoas de todas as idades, todos os tipos", diz. Um dos alunos mais aplicados é José Antônio Félix, 75, que começou a correr dez anos atrás. "O que mais tem em casa é troféu e medalha. Enquanto aguentar, vou correr. Nessa idade, ninguém ganha de mim", afirma.



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