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Região criou 198 mil empregos com carteira assinada desde 1998

Porém, a renda média do trabalhador caiu cerca de 23% nos últimos dez anos, segundo estudo do Dieese


Michele Loureiro
Do Diário do Grande ABC

15/03/2009 | 07:00


Os últimos dez anos foram favoráveis na criação de empregos com carteira assinada no Grande ABC. No total, são 198 mil postos criados desde 1998. Além disso, estudo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) destaca que dois de cada três trabalhadores que conseguiram empregos na região na última década estão protegidos pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).

Porém, a renda média do trabalhador despencou 23,5% no mesmo período, caindo de R$ 1.600 para R$ 1.200. Para o diretor técnico do Dieese, Sérgio Mendonça, os números retratam o aumento da formalidade no Grande ABC. "Podemos comparar a região com o País. No Brasil, apenas metade dos trabalhadores tem a carteira assinada, portanto a região é um polo de formalidade em expansão", destacou.

Observar o desenvolvimento do emprego na região ficou ainda mais relevante com a sequência de demissões que assola o Grande ABC. Desde setembro, a região perdeu 17,4 mil postos, 11,5 mil na indústria.

"Costumamos definir o Grande ABC como uma zona elástica. É um local onde todas as tendências são superdimensionadas, ou seja, em tempos de incertezas econômicas a região pode ter problemas mais agravados. Em compensação, em épocas de crescimento os valores tendem a ser mais acentuados", explicou.

Apesar dos temores quanto o desemprego crescente, é fato que os números ainda são positivos. "Devemos pensar meios de controlar o fechamento de vagas, mas o Grande ABC ainda é destaque de criação de empregos no País", destacou.

Quanto à queda da renda, o responsável, segundo o Dieese, foi o comércio. "O principal setor responsável pela baixa foi o comércio. Em compensação, o setor metal-mecânico segurou o índice, que poderia ter despencado mais. Isto porque, devido a competitividade no mercado de trabalho, alguns precisam submeter-se a salários menores em combate ao desemprego ", analisou Mendonça.

ÍNDICES ATUAIS - Para o coordenador da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), Alexandre Loloian, a última década foi positiva para o desenvolvimento do emprego. Mas os números de 2009 preocupam.

"Dados de janeiro da PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) mostram aumento da taxa de desemprego total na região de 7%, em relação ao mês anterior, o maior já registrado desde o início da série, em 1999. Isso significa que, em apenas um mês, 9.000 pessoas passaram a integrar o contingente de 143 mil desempregados no Grande ABC."

Secretário quer ampliar seguro-desemprego

O secretário Estadual do Emprego e Relações do Trabalho, Guilherme Afif Domingos, defendeu a ampliação do seguro-desemprego como forma de combater o desemprego. "Dez meses seria um prazo justo para que o trabalhador pudesse se recolocar no mercado de trabalho sem passar necessidades financeiras".

O secretário afirmou que o governo federal tem como tornar possível tal aumento. "O FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) tem servido mais como um fundo de apoio ao tesouro. Quem precisa de apoio são os trabalhadores, não o governo", criticou.

A ampliação temporária do recurso - a proposta é de estender para 2009 e 2010 - acarretaria em gasto de R$ 6 bilhões aos cofres públicos. "Em dez meses o trabalhador poderia realizar cursos de capacitação e se recolocar no mercado com mais potencial", defendeu o secretário.

Afif afirmou que já enviou projeto ao governo federal e criticou a demora nas ações anticrise. "O governo federal demorou para assumir o desemprego em decorrência da crise econômica mundial, por isso agora há uma pressão em ações concretas para frear os cortes", destacou.

O secretário contabiliza a perda de 65 mil vagas no Estado de São Paulo nos últimos três meses, sendo 12 mil apenas em janeiro. "Gostaria de pensar que a crise é passageira. Mas isso é um desejo místico, se nenhuma ação concreta for tomada rapidamente, poderemos amargar números trágicos de cortes de vagas", afirmou.

Analisando o Grande ABC, Afif afirmou que a região acabou sendo ‘blindada' por um defeito, que no momento acaba tornando-se virtude. "Por não ser uma região tão dependente do mercado externo os números não estão piores. Em contrapartida, quando o cenário estava positivo para exportações, não observamos alto aproveitamento da região", destacou o secretário.

Para ele, a capacitação é uma das saídas para o enfrentamento do cenário atual. "Temos um programa que deve beneficiar 60 mil trabalhadores do Estado. Com certeza o Grande ABC estará na lista. Nos próximos dias haverá reunião com o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC para definir os últimos detalhes do projeto", prometeu Afif.



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