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Homem feminino



14/10/2008 | 07:02


Ary Fontoura conta histórias ótimas sobre A Guerra dos Rocha, muitas delas mais divertidas do que o próprio filme de Jorge Fernando que estreou sexta-feira. Você pode pensar por isso que talvez não seja um bom negócio assistir à comédia que é remake de uma produção argentina. Esperando la Carroza, o original, arrebentou nas bilheterias do Prata. Mas vale, sim.

As cenas de Ary com Nicete Bruno são um regalo. As duas transformam o gesto e o verbo em ferramentas não só para divertir, mas para dar alguma densidade ao Parente é Serpente" do diretor. As ‘duas' - pois Ary Fontoura faz a matriarca da família Rocha, expulsa de casa em casa pelos filhos, até ser dada como morta num acidente.

A mãe Rocha vive a situação de voltar para casa no próprio enterro e esculachar os filhos, mas antes ela diz a frase-chave para o viúvo inconsolável, porque perdeu a mulher (ele é o dono do cadáver de verdade) - "Console-se; o senhor perdeu a mulher; eu perdi três filhos."

As histórias de Ary Fontoura envolvem suas dificuldades para representar ‘montado'. Todo dia, ele passava por horas de maquiagem. Ajeitar a peruca, as unhas postiças, os seios.

As sobrancelhas foram arrancadas de cara - e hoje ele pode dizer com segurança. "Ser mulher é difícil. As pobrezinhas sofrem." Chegou um momento em que, com o relógio biológico alterado - ia dormir à 1h30, acordava às 5h -, ele desistiu de fazer as unhas todo dia. Manteve-as pintadas.

Durante a rodagem, Ary vivia na ponte aérea Rio-São Paulo, pois fazia uma peça em Campinas, no papel de um bicheiro casca-dura. "Para viajar, eu podia disfarçar a falta das sobrancelhas usando óculos e, no teatro, usava a boa e velha cola para aplicar pelos falsos. Mas eu pedi um copo d'água para a aeromoça e, quando estendi a mão, com aquelas unhas bem vermelhas, ela ficou paralisada. Fui logo informando que estava fazendo um filme. Ela achou que eu estava mais é querendo lançar moda. Até me disse que artista é sempre ousado."

Ary já fizera travestis antes e usara saltos altos, mas tudo junto terminou por desequilibrá-lo. "Os seios falsos me jogavam para a frente. Os saltos me faziam cair para os lados." Para tornar os seios menos rígidos, a figurinista Marília Carneiro criou um modelo de sutiã recheado com alpiste.

Jorge Fernando fez ver a Ary Fontoura que não queria uma drag queen. Queria que essa mulher fosse a mais naturalista e verdadeira possível - a diversão viria daí.

A história, em si, não é nova - e Ary Fontoura viu Parente é Serpente, a comédia de Monicelli que foi referência para o diretor. Os críticos vão dizer que Parente é Serpente é melhor, que Jorge Fernando está copiando etc. "Novidade, não é. Essa história já foi contada outras vezes, e não só pelo diretor italiano e pelo argentino. Hoje em dia é muito difícil ser original. Ser original é copiar os outros, refazendo as coisas à maneira da gente", filosofa Ary Fontoura.

Ele concede esta entrevista num intervalo das gravações de A Favorita. Ele se confessa feliz da vida com a novela de João Emanuel Carneiro. "A Favorita está atingindo picos de 66 pontos e isso não acontecia há tempos, mesmo numa novela das oito"

Ary Fontoura adora seu personagem. "Silveirinha é escorregadio, não é confiável. E, para mim, ele transmite piedade." É um personagem que Ary tira de letra. A mãe Rocha foi mais difícil. "No início, estava meio perdido, mas aí fui olhar uma velhas fotos de família e me dei conta de que, vestido como mulher, estava igualzinho à minha mãe. Em alguma lugar, ela deve estar dizendo - Ary, você não tem jeito..."

 



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Homem feminino


14/10/2008 | 07:02


Ary Fontoura conta histórias ótimas sobre A Guerra dos Rocha, muitas delas mais divertidas do que o próprio filme de Jorge Fernando que estreou sexta-feira. Você pode pensar por isso que talvez não seja um bom negócio assistir à comédia que é remake de uma produção argentina. Esperando la Carroza, o original, arrebentou nas bilheterias do Prata. Mas vale, sim.

As cenas de Ary com Nicete Bruno são um regalo. As duas transformam o gesto e o verbo em ferramentas não só para divertir, mas para dar alguma densidade ao Parente é Serpente" do diretor. As ‘duas' - pois Ary Fontoura faz a matriarca da família Rocha, expulsa de casa em casa pelos filhos, até ser dada como morta num acidente.

A mãe Rocha vive a situação de voltar para casa no próprio enterro e esculachar os filhos, mas antes ela diz a frase-chave para o viúvo inconsolável, porque perdeu a mulher (ele é o dono do cadáver de verdade) - "Console-se; o senhor perdeu a mulher; eu perdi três filhos."

As histórias de Ary Fontoura envolvem suas dificuldades para representar ‘montado'. Todo dia, ele passava por horas de maquiagem. Ajeitar a peruca, as unhas postiças, os seios.

As sobrancelhas foram arrancadas de cara - e hoje ele pode dizer com segurança. "Ser mulher é difícil. As pobrezinhas sofrem." Chegou um momento em que, com o relógio biológico alterado - ia dormir à 1h30, acordava às 5h -, ele desistiu de fazer as unhas todo dia. Manteve-as pintadas.

Durante a rodagem, Ary vivia na ponte aérea Rio-São Paulo, pois fazia uma peça em Campinas, no papel de um bicheiro casca-dura. "Para viajar, eu podia disfarçar a falta das sobrancelhas usando óculos e, no teatro, usava a boa e velha cola para aplicar pelos falsos. Mas eu pedi um copo d'água para a aeromoça e, quando estendi a mão, com aquelas unhas bem vermelhas, ela ficou paralisada. Fui logo informando que estava fazendo um filme. Ela achou que eu estava mais é querendo lançar moda. Até me disse que artista é sempre ousado."

Ary já fizera travestis antes e usara saltos altos, mas tudo junto terminou por desequilibrá-lo. "Os seios falsos me jogavam para a frente. Os saltos me faziam cair para os lados." Para tornar os seios menos rígidos, a figurinista Marília Carneiro criou um modelo de sutiã recheado com alpiste.

Jorge Fernando fez ver a Ary Fontoura que não queria uma drag queen. Queria que essa mulher fosse a mais naturalista e verdadeira possível - a diversão viria daí.

A história, em si, não é nova - e Ary Fontoura viu Parente é Serpente, a comédia de Monicelli que foi referência para o diretor. Os críticos vão dizer que Parente é Serpente é melhor, que Jorge Fernando está copiando etc. "Novidade, não é. Essa história já foi contada outras vezes, e não só pelo diretor italiano e pelo argentino. Hoje em dia é muito difícil ser original. Ser original é copiar os outros, refazendo as coisas à maneira da gente", filosofa Ary Fontoura.

Ele concede esta entrevista num intervalo das gravações de A Favorita. Ele se confessa feliz da vida com a novela de João Emanuel Carneiro. "A Favorita está atingindo picos de 66 pontos e isso não acontecia há tempos, mesmo numa novela das oito"

Ary Fontoura adora seu personagem. "Silveirinha é escorregadio, não é confiável. E, para mim, ele transmite piedade." É um personagem que Ary tira de letra. A mãe Rocha foi mais difícil. "No início, estava meio perdido, mas aí fui olhar uma velhas fotos de família e me dei conta de que, vestido como mulher, estava igualzinho à minha mãe. Em alguma lugar, ela deve estar dizendo - Ary, você não tem jeito..."

 

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