História de vida Quarteto cruza a América a bordo de uma van para passar mensagem de otimismo às pessoas
Arquivo Pessoal

A Copa do Mundo é feita por jogadores espetaculares, que atuam em estádios modernos e gigantescos em busca do título de um dos eventos esportivos mais importantes e valorizados do planeta. Mas também é construída por histórias de tirar o fôlego. Uma delas é de um quarteto de amigos mexicanos que deixou a cidade de Monterrey no dia 9 de abril em direção ao Brasil, onde promete assistir todos os jogos da seleção durante o Mundial. Muito mais do que um simples ato de fanatismo pelo futebol, a epopeia tem como objetivo chamar a atenção para as crianças que lutam contra o câncer.
Enrique Guajardo Sánchez, Andrés Castro, Miguel Angel Pena e Abraão Joel Gardea deixaram tudo o que tinham no México para embarcar na aventura. Tudo começou quando, há quatro anos, Guajardo Sánchez, então com 17, foi diagnosticado com câncer nos ossos. Ele fez o tratamento e havia se recuperado da doença, que voltou ainda mais agressiva em 2013, fazendo com que ele mudasse sua forma de viver. O câncer manifesta-se em seus joelhos e o impede de se locomover sem uso de muletas.
Sánchez foi submetido a extenso tratamento, passou por 34 cirurgias, teve a pelve removia e o câncer continuava a se desenvolver. Sem saída, o mexicano convidou os amigos para viver dois sonhos: o de ver a Copa do Mundo e transmitir mensagem de otimismo aos que passam por problemas semelhante ao seu. Chamado de “La esperanza de los sueños (a esperança dos sonhos, em português)” o projeto começou a ser pensado há um ano e foi colocado em prática dia 9 de abril, quando o quarteto começou a viagem.
“Saímos do México em direção ao Brasil. Não tínhamos dinheiro, então escolhemos usar uma van que nos desse condição para dormir e usamos torneiras nas cidades onde visitamos para tomar banho. Assim seguimos o nosso sonho”, comentou Andrés Castro, responsável por conduzir a Dodge Ram, enfeitada e com os endereços das páginas virtuais do projeto para que as pessoas possam acompanhar a aventura dos mexicanos.
Com exceção do trecho entre a cidade de Cartagena, na Colômbia, e Puerto Colon, no Panamá, onde é impossível atravessar de carro e foi preciso utilizar barcos, todo o restante do percurso, o grupo realizou dirigindo noite e dia. “Estamos há dois meses praticamente dirigindo e morando na van. Já vimos os três primeiros jogos do México na primeira fase (em Natal, Fortaleza e Recife) da Copa e vamos seguir a seleção”, comentou Andrés Castro, que dirigia calmamente pela avenida Beira-Mar, uma das principais vias de Fortaleza, não se importando com as buzinas dos motoristas impacientes.
A van é adaptada e, ao invés dos tradicionais bancos, conta com camas e estrutura confortável para que o quarteto possa descansar entre um trecho e outro da viagem. Apesar de desgastante, o grupo passou por lugares belíssimos, como o deserto do Atacama, na região Norte do Chile, até a fronteira com o Peru. Em quase todas as cidades, o quarteto para e visita projetos voltados ao desenvolvimento ou cura de crianças, realizando palestras motivacionais.
Portador do câncer, Guajardo Sánchez tenta mostrar que, apesar das dificuldades, sempre há um lado bom na história. “A morte é tão confiante na vitória que te dá uma vida de vantagem, de modo que o câncer não significa morte, significa luta”, comentou. “A doença me ensinou a não desistir”, acrescentou ele, que passa a maior parte do tempo dentro da van enquanto seus amigos tratam de difundir a mensagem e mostrar a todos ao redor a paixão pela seleção mexicana.
Mesmo desgastante e considerada uma loucura por muitos, a viagem dos mexicanos já tem data para acabar. Eles podem voltar para casa hoje, se o time perder para a Holanda nas oitavas de final da Copa do Mundo, em jogo que será realizado às 13h, no Castelão, ou apenas no dia 13 de julho, depois da grande final da competição. Mas uma coisa é certa, a mensagem transmitida por eles para as centenas de pessoas, de inúmeras nações, será eterna.
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