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Rio 2016 não sai da
cabeça de mesa-tenista

Andréa Iseki/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Mylena, 15 anos, está em plena evolução e vai
disputar Parapan em Buenos Aires, em outubro


Thiago Postigo Silva
Do Diário do Grande ABC

15/09/2013 | 07:00


Disputar os Jogos Paralímpicos do Rio em 2016, sabendo que tem concorrentes fortes, parece um sonho distante para uma garota de 15 anos. Apenas parece. A mesa-tenista Mylena Andrade Cordeiro, de Ribeirão Pires, sabe que este é apenas mais um obstáculo em sua curta, mas vitoriosa carreira.

Portadora de problema na coluna quando nasceu (leia ao lado), ela não pode andar, mas nunca deixou que a cadeira de rodas a impedisse de correr atrás de seus objetivos. Há cinco anos competindo no tênis de mesa, hoje na categoria juvenil, ela é dona de simplesmente 38 medalhas, primeira colocada no ranking da classe 5 e vai disputar o Parapan-Americano da modalidade, em outubro, em Buenos Aires (Argentina).

Mylena também já disputou o Brasileiro em 2012 com atletas profissionais e conquistou o impressionante terceiro lugar. Tudo é fruto de treinamento intenso em cinco dias da semana, o que envolve trabalhos técnico e físico, além de estudar no período da manhã.

“Minha felicidade é o tênis de mesa. É que mais gosto de fazer”, contou Mylena.

A evolução da atleta é reconhecida por seus treinadores, que enxergam possibilidades reais de a mesa-tenista integrar a Seleção Brasileira no Rio. “Há disputa muito grande com concorrentes de idade mais avançada. Porém, ela tem jovialidade para se tornar uma atleta de ponta do nosso País, com chances de estar no Rio”, assegurou Marcelo Lemos, técnico da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente).

Para o professor particular, Edílson Gomes de Souza, Mylena está no caminho certo para disputar os Jogos de 2016, apesar de reconhecer que será uma batalha bem difícil à atleta ribeirão-pirense.

“São menos de três anos, principalmente porque a convocação da Seleção é realizada no ano anterior. Mas ela tem muitas chances”, destacou Edílson. “Não dá para adiantar, porque sabemos que ela joga com quem está muito há mais tempo, com 25 anos de experiência. Porém, ela está desenvolvendo muito bem”, completou.

Mesmo com a inexperiência, Mylena assegurou que não vai desistir do objetivo de participarsua primeira Paralimpíada, ainda mais em casa. “Estou treinando bastante para disputar os Jogos em 2016. Sonho com isso, principalmente em vestir a camisa da Seleção e representar o meu País”, frisou.

Mãe acompanhará desempenho de longe


Os dias entre 12 e 20 de outubro serão de grande saudade para a mãe de Mylena, Shirlei Maria de Andrade Cordeiro, 41. Durante o período, a filha estará em Buenos Aires para a disputa do Parapan-Americano e será a primeira competição que viajará sem sua companhia.

Shirlei dedica boa parte do dia para a filha. Exceto quando Mylena está na escola, a mãe está todo o tempo com a atleta. Além de acompanhar os treinamentos, ela esteve em todos os torneios.

“A minha rotina é voltada para ela. No período da manhã, faço alguns deveres em casa e ajudo no trabalho do meu marido. Depois, toda a tarde é somente dela”, brincou Shirlei. “Não sei como vou fazer (quando ela estiver na Argentina). Vou morrer de saudade. Vou ver se acompanho os jogos pela internet.”

Tanto Shirlei quanto o marido, Marcos Cordeiro, sempre se preocuparam em ajudar a filha. Inicialmente, Mylena começou a treinar basquete e depois natação, mas nunca com o intuito de competir. Eles construíram uma piscina em casa, que foi toda pensada para auxiliar na locomoção da atleta.

“Sempre achamos que o esporte seria muito bom para ela não ficar sozinha”, destacou a mãe. “Antes era meio tímida. Continua um pouco, mas melhorou bastante”, completou.

Os pais também nunca se preocuparam em investir nos treinamentos da filha, com professor particular e academia, entre outros gastos. Contudo, a jovem já tem seu salário. “Pelos resultados que conquistou, ela ganhava R$ 415 de bolsa estudantil. Agora, recebe R$ 925 da bolsa nacional, devido ao terceiro lugar que conquistou no Campeonato Brasileiro”, ressaltou a mãe.
 

Sem lamúrias, atleta espera servir de exemplo


A doença de Mylena foi descoberta no nascimento, quando os médicos identificaram malformação congênita da coluna vertebral, chamada Mielomeningocele. Logo, foi operada, em cirurgia de alto risco. O procedimento foi bem sucedido, porém os médicos avisaram que a garota não poderia andar.

Mas o fato de viver sobre uma cadeira de rodas nunca foi motivo de desânimo para a mesa-tenista. “É tudo tranquilo. Sei aproveitar muito bem a vida dessa forma. Onde quero, vou”, destacou Mylena.

Aliás, ela espera que possa servir de exemplo a outras pessoas que enfrentam deficiências semelhantes. “É importante, porque posso incentivar pessoas em situações parecidas a não desanimar”, frisou.

Ela diz, inclusive, que já é reconhecida nas ruas. “Uma vez, estava andando e uma senhora pediu para tirar uma foto. Fiquei com pouco de vergonha”, brincou a atleta, fã do cantor Daniel. “Eu já o conheci e ele gravou um vídeo para meu aniversário de 15 anos”, contou.
 



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