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Empresas do Grande ABC
importam mão de obra

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Trabalhadores entusiasmados, estrangeiros
conquistam chefes e mudam o ambiente


Andréa Ciaffone
Do Diário do Grande ABC

01/07/2013 | 07:00


Fugir pela janela do banheiro enquanto sua casa é invadida e sua família é assassinada por homens armados, e ter de passar dias no meio do mato para não ser mais uma vítima da blitz de limpeza étnica até conseguir escapar para um lugar seguro, bem longe de onde essa tragédia toda aconteceu.

Esta situação parece o começo de um filme de Hollywood, mas é uma realidade tão comum em alguns países africanos e asiáticos que não chama a atenção dos roteiristas, e sim de ONGs (Organizações Não-Governamentais), como a Adus (Instituto de Reintegração do Refugiado – Brasil), que tem se destacado na proteção e integração no País de fugitivos de países onde são perseguidos devido à sua raça, religião, nacionalidade, associação a determinado grupo social ou opinião política.

“A situação de vulnerabilidade e necessidade destas pessoas faz com que elas agarrem com unhas e dentes qualquer oportunidade de ter uma vida normal, especialmente quando ela se apresenta em forma de um emprego”, diz o cientista social e fundador do Adus, Marcelo Haydu. “Por isso, as empresas que tomam a atitude de contratá-los acabam ficando bem satisfeitas e nos pedem outras indicações de funcionários. Além disso, falam do nosso trabalho de reintegração para outras empresas”, conta Haydu.

Dos 150 refugiados que foram contratados nos últimos dois anos, 30 tiveram a carteira de trabalho assinada por empresas do Grande ABC. “Logo que começamos essa ação, entramos em contato com uma empresa da região, a (Metalúrgica) Moniz, de Ribeirão Pires, que precisava contratar um funcionário. Acabaram contratando três. Agora, eles possuem dez contratados”, conta Haydu.

Exasperados com a dificuldade de conseguir contratar ajudantes para sua indústria de móveis, a Primolar, de Santo André, Caroline Pitareli e seu irmão e sócio Gustavo Pitareli, estavam em busca de uma solução.

“Estávamos cansados. Além da dificuldade para achar colaboradores, era difícil retê-los. Tivemos um funcionário (brasileiro) que, depois de uma semana no emprego, pediu demissão dizendo que tinha feito as contas e que só ia sobrar R$ 500 do salário por mês e que, por isso, o emprego não interessava”, conta Caroline, que recentemente ganhou o prêmio Mulher Empreendedora da Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André).

“Meu irmão ouviu o Ernesto Moniz (dono da Metalúrgica Moniz) falar da possibilidade de empregar refugiados. Foi assim que chegamos ao Adus”, conta Caroline. Hoje, a folha de pagamento da indústria conta com oito refugiados de países como Nigéria, República do Congo, Costa do Marfim e Nepal, com idades entre 20 e 34 anos.

Para a empresa, contratar refugiados tem o mesmo custo de contratar brasileiros, já que eles têm carteira de trabalho assinada, o mesmo salário e direitos trabalhistas.
“Essas pessoas viveram situações extremas e poder apoiá-los mexe com os valores e sentimentos de toda a equipe”, completa a empresária, que constatou drástica redução no número de faltas e evasão de funcionários.

Caroline contratou para a sua equipe de vendas a refugiada congolesa Priska Lumakangilo, que é a protagonista da história (de terror) que abriu esta matéria.


Refugiados encontram no Brasil um novo e definitivo lar

No Brasil há um ano, os nepaleses Praman Gurung e Harikrishna Regmi levaram seis meses para conseguir a documentação para trabalhar e, desde então, estão empregados na indústria de móveis Primolar, em Santo André.

“Inicialmente pensei em ir para a Europa, mas estou feliz de ter vindo para o Brasil e pretendo ficar aqui para sempre”, diz Gurung. “A língua é o mais difícil, mas eu gosto muito das pessoas e da cultura brasileira”, completa ele, que fala inglês.

Regmi concorda e acrescenta que se sentiu muito acolhido pelo Brasil. “Não senti preconceito dos colegas de trabalho.”

Num ambiente em que há várias pessoas que não falam o português, a linguagem da boa vontade é a que impera. “A presença dos refugiados despertou a solidariedade das pessoas”, afirma Caroline Pitareli, sócia da Primolar, que também sentiu aumento na produtividade.
 



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Empresas do Grande ABC
importam mão de obra

Trabalhadores entusiasmados, estrangeiros
conquistam chefes e mudam o ambiente

Andréa Ciaffone
Do Diário do Grande ABC

01/07/2013 | 07:00


Fugir pela janela do banheiro enquanto sua casa é invadida e sua família é assassinada por homens armados, e ter de passar dias no meio do mato para não ser mais uma vítima da blitz de limpeza étnica até conseguir escapar para um lugar seguro, bem longe de onde essa tragédia toda aconteceu.

Esta situação parece o começo de um filme de Hollywood, mas é uma realidade tão comum em alguns países africanos e asiáticos que não chama a atenção dos roteiristas, e sim de ONGs (Organizações Não-Governamentais), como a Adus (Instituto de Reintegração do Refugiado – Brasil), que tem se destacado na proteção e integração no País de fugitivos de países onde são perseguidos devido à sua raça, religião, nacionalidade, associação a determinado grupo social ou opinião política.

“A situação de vulnerabilidade e necessidade destas pessoas faz com que elas agarrem com unhas e dentes qualquer oportunidade de ter uma vida normal, especialmente quando ela se apresenta em forma de um emprego”, diz o cientista social e fundador do Adus, Marcelo Haydu. “Por isso, as empresas que tomam a atitude de contratá-los acabam ficando bem satisfeitas e nos pedem outras indicações de funcionários. Além disso, falam do nosso trabalho de reintegração para outras empresas”, conta Haydu.

Dos 150 refugiados que foram contratados nos últimos dois anos, 30 tiveram a carteira de trabalho assinada por empresas do Grande ABC. “Logo que começamos essa ação, entramos em contato com uma empresa da região, a (Metalúrgica) Moniz, de Ribeirão Pires, que precisava contratar um funcionário. Acabaram contratando três. Agora, eles possuem dez contratados”, conta Haydu.

Exasperados com a dificuldade de conseguir contratar ajudantes para sua indústria de móveis, a Primolar, de Santo André, Caroline Pitareli e seu irmão e sócio Gustavo Pitareli, estavam em busca de uma solução.

“Estávamos cansados. Além da dificuldade para achar colaboradores, era difícil retê-los. Tivemos um funcionário (brasileiro) que, depois de uma semana no emprego, pediu demissão dizendo que tinha feito as contas e que só ia sobrar R$ 500 do salário por mês e que, por isso, o emprego não interessava”, conta Caroline, que recentemente ganhou o prêmio Mulher Empreendedora da Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André).

“Meu irmão ouviu o Ernesto Moniz (dono da Metalúrgica Moniz) falar da possibilidade de empregar refugiados. Foi assim que chegamos ao Adus”, conta Caroline. Hoje, a folha de pagamento da indústria conta com oito refugiados de países como Nigéria, República do Congo, Costa do Marfim e Nepal, com idades entre 20 e 34 anos.

Para a empresa, contratar refugiados tem o mesmo custo de contratar brasileiros, já que eles têm carteira de trabalho assinada, o mesmo salário e direitos trabalhistas.
“Essas pessoas viveram situações extremas e poder apoiá-los mexe com os valores e sentimentos de toda a equipe”, completa a empresária, que constatou drástica redução no número de faltas e evasão de funcionários.

Caroline contratou para a sua equipe de vendas a refugiada congolesa Priska Lumakangilo, que é a protagonista da história (de terror) que abriu esta matéria.


Refugiados encontram no Brasil um novo e definitivo lar

No Brasil há um ano, os nepaleses Praman Gurung e Harikrishna Regmi levaram seis meses para conseguir a documentação para trabalhar e, desde então, estão empregados na indústria de móveis Primolar, em Santo André.

“Inicialmente pensei em ir para a Europa, mas estou feliz de ter vindo para o Brasil e pretendo ficar aqui para sempre”, diz Gurung. “A língua é o mais difícil, mas eu gosto muito das pessoas e da cultura brasileira”, completa ele, que fala inglês.

Regmi concorda e acrescenta que se sentiu muito acolhido pelo Brasil. “Não senti preconceito dos colegas de trabalho.”

Num ambiente em que há várias pessoas que não falam o português, a linguagem da boa vontade é a que impera. “A presença dos refugiados despertou a solidariedade das pessoas”, afirma Caroline Pitareli, sócia da Primolar, que também sentiu aumento na produtividade.
 

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