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Renda sobe, mas calote
aumenta no Grande ABC

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Famílias da região pedem empréstimos sem olhar
as taxas de juros e acabam ficando endividadas


Pedro Souza
do Diário do Grande ABC

17/06/2013 | 07:01


Pelo pensamento lógico, quanto maior é o salário, menor é a necessidade de empréstimos, crediários e financiamentos para comprar. E se a inadimplência é uma companheira do consumidor, este apertará os cintos, fechará as mãos e juntará dinheiro para sair do calote. Infelizmente, essas duas ideias não condizem com a realidade do Grande ABC, muito pelo contrário, revela descoberta de um grupo de alunos da Universidade Metodista de São Paulo.

As famílias estão cada vez mais contratando crédito quando a renda aumenta. E quanto maior a inadimplência, que são os atrasos nos pagamentos das parcelas por mais de 90 dias, mais elas buscam empréstimos para se refinanciar. “Nosso modelo econométrico mostrou exatamente o contrário do que a gente esperava”, destacou uma das autoras da pesquisa e aluna, Bruna Romualdo Teixeira.

Outro dado interessante das famílias da região, apresentado pelo estudo do grupo, é que a taxa de juros não influencia a demanda por crédito. “Isso pode mostrar a falta de importância que as pessoas dão aos juros”, avalia a aluna e autora da pesquisa Joyce dos Santos Oliveira.

Desenvolvido também pelos estudantes Flávio Barbosa Gonçalves, Aline Luz dos Santos e Rute Berto Pereira, o estudo foi orientado pelo professor de Economia Sandro Maskio, que também é coordenador do Observatório Econômico da Metodista (centro de pesquisas acadêmico responsável por vários trabalhos sobre a região). Os graduandos vão apresentar os resultados em outubro em congresso científico da instituição de ensino.

Para Maskio, a principal conclusão sobre a pesquisa é que falta educação financeira para as famílias do Grande ABC. “E fica claro que o consumidor, ainda novato em lidar com o crédito, só aprende a utilizá-lo quando sente a dor do endividamento. Ele pede dinheiro emprestado e só percebe as consequências de não se planejar para isso quando já está enrolado”, declara.

DESCOBERTAS - O grupo iniciou as pesquisas, com modelos econométricos, com objetivo de constatar se a variação da renda na região tinha alguma influência na evolução do estoque de crédito, entre janeiro de 2009 e novembro de 2012. Como base, buscaram dados da Fundação Seade, sobre a renda, e do Banco Central, sobre o saldo de empréstimos. A escolha do período teve como ponto inicial a crise financeira, que despertou no segundo semestre de 2008 e marcou a história da economia.

Para dar mais aprofundamento ao estudo, coletaram informações da evolução das taxas médias de juros das operações, no BC. “Mas percebemos que elas não tinham influência na demanda de crédito”, conta Joyce. Foi neste momento que Maskio sugeriu a inclusão de mais uma variável, a inadimplência. E esta, por sua vez, com base em dados da Grande São Paulo da Serasa Experian, se mostrou grande influenciadora no interesse por empréstimos das famílias, com mais força do que o aumento da renda.


Elevação real dos salários foi de 19% e a inadimplência chegou a 55%

A inadimplência tem peso bem maior na expansão do saldo de crédito do Grande ABC do que a renda das famílias. Entre 2009 e o fim de 2012, o estoque de crédito subiu de R$ 9,3 bilhões para R$ 18,7 bilhões na região. O aumento real da renda foi de 19,5% e da inadimplência, 55%. Esta também foi outra constatação da pesquisa elaborada pelo grupo de alunos da Universidade Metodista de São Paulo.

Considerando todo o período estudado, entre janeiro de 2009 e novembro de 2012, cada ponto percentual que a inadimplência, sobre o total de crédito, subiu teve impacto de incremento no estoque de crédito de R$ 138 milhões.

Já em relação à renda média da população, a variação positiva de cada ponto percentual deste indicador, no período estudado, influenciou o saldo de crédito das sete cidades com acréscimo de R$ 59 milhões.
 



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Renda sobe, mas calote
aumenta no Grande ABC

Famílias da região pedem empréstimos sem olhar
as taxas de juros e acabam ficando endividadas

Pedro Souza
do Diário do Grande ABC

17/06/2013 | 07:01


Pelo pensamento lógico, quanto maior é o salário, menor é a necessidade de empréstimos, crediários e financiamentos para comprar. E se a inadimplência é uma companheira do consumidor, este apertará os cintos, fechará as mãos e juntará dinheiro para sair do calote. Infelizmente, essas duas ideias não condizem com a realidade do Grande ABC, muito pelo contrário, revela descoberta de um grupo de alunos da Universidade Metodista de São Paulo.

As famílias estão cada vez mais contratando crédito quando a renda aumenta. E quanto maior a inadimplência, que são os atrasos nos pagamentos das parcelas por mais de 90 dias, mais elas buscam empréstimos para se refinanciar. “Nosso modelo econométrico mostrou exatamente o contrário do que a gente esperava”, destacou uma das autoras da pesquisa e aluna, Bruna Romualdo Teixeira.

Outro dado interessante das famílias da região, apresentado pelo estudo do grupo, é que a taxa de juros não influencia a demanda por crédito. “Isso pode mostrar a falta de importância que as pessoas dão aos juros”, avalia a aluna e autora da pesquisa Joyce dos Santos Oliveira.

Desenvolvido também pelos estudantes Flávio Barbosa Gonçalves, Aline Luz dos Santos e Rute Berto Pereira, o estudo foi orientado pelo professor de Economia Sandro Maskio, que também é coordenador do Observatório Econômico da Metodista (centro de pesquisas acadêmico responsável por vários trabalhos sobre a região). Os graduandos vão apresentar os resultados em outubro em congresso científico da instituição de ensino.

Para Maskio, a principal conclusão sobre a pesquisa é que falta educação financeira para as famílias do Grande ABC. “E fica claro que o consumidor, ainda novato em lidar com o crédito, só aprende a utilizá-lo quando sente a dor do endividamento. Ele pede dinheiro emprestado e só percebe as consequências de não se planejar para isso quando já está enrolado”, declara.

DESCOBERTAS - O grupo iniciou as pesquisas, com modelos econométricos, com objetivo de constatar se a variação da renda na região tinha alguma influência na evolução do estoque de crédito, entre janeiro de 2009 e novembro de 2012. Como base, buscaram dados da Fundação Seade, sobre a renda, e do Banco Central, sobre o saldo de empréstimos. A escolha do período teve como ponto inicial a crise financeira, que despertou no segundo semestre de 2008 e marcou a história da economia.

Para dar mais aprofundamento ao estudo, coletaram informações da evolução das taxas médias de juros das operações, no BC. “Mas percebemos que elas não tinham influência na demanda de crédito”, conta Joyce. Foi neste momento que Maskio sugeriu a inclusão de mais uma variável, a inadimplência. E esta, por sua vez, com base em dados da Grande São Paulo da Serasa Experian, se mostrou grande influenciadora no interesse por empréstimos das famílias, com mais força do que o aumento da renda.


Elevação real dos salários foi de 19% e a inadimplência chegou a 55%

A inadimplência tem peso bem maior na expansão do saldo de crédito do Grande ABC do que a renda das famílias. Entre 2009 e o fim de 2012, o estoque de crédito subiu de R$ 9,3 bilhões para R$ 18,7 bilhões na região. O aumento real da renda foi de 19,5% e da inadimplência, 55%. Esta também foi outra constatação da pesquisa elaborada pelo grupo de alunos da Universidade Metodista de São Paulo.

Considerando todo o período estudado, entre janeiro de 2009 e novembro de 2012, cada ponto percentual que a inadimplência, sobre o total de crédito, subiu teve impacto de incremento no estoque de crédito de R$ 138 milhões.

Já em relação à renda média da população, a variação positiva de cada ponto percentual deste indicador, no período estudado, influenciou o saldo de crédito das sete cidades com acréscimo de R$ 59 milhões.
 

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