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Os filhotes da ditadura

Esse pessoal adora pegar uns caraminguás do dinheiro público, mas isso não é o pior que estão fazendo


Carlos Brickmann

23/04/2008 | 00:00


Uma tapioca com nosso dinheiro, vá lá. Uns creminhos importados no free-shop, na conta da Viúva, é coisa escandalosa mas dá para suportar. Botar a sogra no jatinho e levar para um passeio na Europa não é prêmio – pode ser castigo.

Enfim, esse pessoal adora pegar uns caraminguás do dinheiro público, mas isso não é o pior que estão fazendo: o pior é tornar institucional a espionagem dos governos sobre os cidadãos. Há mais de 400 mil telefones sendo gravados com ordem judicial; sabe-se lá quantos sem ordem nenhuma. Até a Polícia Rodoviária Federal grampeia telefones. E agora a repórter Fernanda Odilla, do Correio Braziliense, descobriu que a Infraero, desde a gestão do brigadeiro J. Carlos (seu penúltimo presidente), criou uma assessoria, comandada por um coronel-aviador da reserva, só para “coletar, produzir, analisar e interpretar dados necessários à tomada de decisões”. Dedica-se, em outras palavras, à arapongagem.

E para que essa arapongagem? Oficialmente, “colaborar com órgãos como a Polícia Federal no combate ao tráfico de drogas, armas, carga, obter informações de pessoas nos aeroportos e também trabalhar com estatísticas e dados sobre o setor aéreo”. Traduzindo, bisbilhotar cidadãos comuns, gente como a gente. Já cuidar de seus afazeres, como manter os aeroportos em condições seguras de operação, com pistas modernas e adequadas, isso fica para depois.

A mania de bisbilhotar, arapongar, fuçar, é lembrança da ditadura. Depois estranham quando, com toda a estrutura montada, começam a aparecer dossiês.

UM, DOIS, TRÊS

O vice-presidente José Alencar já mostrou que em sua palavra se pode confiar. Gostemos ou não de suas idéias, Alencar é franco, diz o que está pensando. E em que está pensando o nosso vice? Está pensando num presidente mineiro, talvez até, por que não?, o governador Aécio Neves, que quarta-feira faz oposição ao presidente Lula mas até o ano que vem as coisas podem mudar um pouco, quem sabe? Lembra que o último mineiro na Presidência, Juscelino Kubitschek, deixou o poder há quase 50 anos. Mas diz também, e é bom prestar atenção, que o povo quer Lula de novo, e é preciso atender à vontade do povo. Lula diz que não quer, mas por que será que as pessoas mais ligadas a ele continuam querendo?

 

FESTA DO CAQUI

Atenção: a CPI dos Cartões Corporativos ganhou acesso aos gastos secretos do presidente Lula e de seus parentes. Os parlamentares se comprometeram a manter em sigilo os fatos de que tomarem conhecimento; também prometem não usar celular nem qualquer equipamento que possa fotografar ou copiar os papéis. Esta coluna aposta uma gravação de Blowin' in the wind, com Bob Dylan, contra o genérico do senador Suplicy, que haverá quebras de sigilo todos os dias.

 

LOS HERMANOS

Fernando Lugo, presidente eleito do Paraguai, festejou a vitória ao lado de frei Betto, ex-assessor de Lula. Seus coordenadores de campanha foram indicados pelo governador paranaense Roberto Requião. Sua promessa principal é aumentar, para o Brasil, o preço da energia de Itaipu. De US$ 300 milhões por ano, conforme o tratado de Itaipu (pelo qual o Brasil construiu e pagou a usina inteira e deu metade ao Paraguai), Lugo quer passar a US$ 2 bilhões. Lula disse que vai resistir, mas não deve haver crise: o chanceler Celso Amorim prometeu fazer um acordo com o Paraguai, como antes já cedera diante do boliviano Evo Morales.

NOVOS RUMOS?

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) rejeitou a criação de um cartão de crédito, entre outros motivos porque os bancos são “a escória do sistema neoliberal”. Curiosíssimo: o Vaticano tem um banco, o Instituto para Obras Religiosas, que foi grande acionista de outro banco, o Ambrosiano. O diretor do IOR, monsenhor Paul Marcinkus, fez muito sucesso no mercado financeiro, onde era conhecido como “banqueiro de Deus”. Certo dia, porém, o Ambrosiano quebrou, seu presidente se suicidou e Marcinkus se aposentou. Será que, até o advento desses tristes problemas, banco não era tão escória assim?


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Os filhotes da ditadura

Esse pessoal adora pegar uns caraminguás do dinheiro público, mas isso não é o pior que estão fazendo

Carlos Brickmann

23/04/2008 | 00:00


Uma tapioca com nosso dinheiro, vá lá. Uns creminhos importados no free-shop, na conta da Viúva, é coisa escandalosa mas dá para suportar. Botar a sogra no jatinho e levar para um passeio na Europa não é prêmio – pode ser castigo.

Enfim, esse pessoal adora pegar uns caraminguás do dinheiro público, mas isso não é o pior que estão fazendo: o pior é tornar institucional a espionagem dos governos sobre os cidadãos. Há mais de 400 mil telefones sendo gravados com ordem judicial; sabe-se lá quantos sem ordem nenhuma. Até a Polícia Rodoviária Federal grampeia telefones. E agora a repórter Fernanda Odilla, do Correio Braziliense, descobriu que a Infraero, desde a gestão do brigadeiro J. Carlos (seu penúltimo presidente), criou uma assessoria, comandada por um coronel-aviador da reserva, só para “coletar, produzir, analisar e interpretar dados necessários à tomada de decisões”. Dedica-se, em outras palavras, à arapongagem.

E para que essa arapongagem? Oficialmente, “colaborar com órgãos como a Polícia Federal no combate ao tráfico de drogas, armas, carga, obter informações de pessoas nos aeroportos e também trabalhar com estatísticas e dados sobre o setor aéreo”. Traduzindo, bisbilhotar cidadãos comuns, gente como a gente. Já cuidar de seus afazeres, como manter os aeroportos em condições seguras de operação, com pistas modernas e adequadas, isso fica para depois.

A mania de bisbilhotar, arapongar, fuçar, é lembrança da ditadura. Depois estranham quando, com toda a estrutura montada, começam a aparecer dossiês.

UM, DOIS, TRÊS

O vice-presidente José Alencar já mostrou que em sua palavra se pode confiar. Gostemos ou não de suas idéias, Alencar é franco, diz o que está pensando. E em que está pensando o nosso vice? Está pensando num presidente mineiro, talvez até, por que não?, o governador Aécio Neves, que quarta-feira faz oposição ao presidente Lula mas até o ano que vem as coisas podem mudar um pouco, quem sabe? Lembra que o último mineiro na Presidência, Juscelino Kubitschek, deixou o poder há quase 50 anos. Mas diz também, e é bom prestar atenção, que o povo quer Lula de novo, e é preciso atender à vontade do povo. Lula diz que não quer, mas por que será que as pessoas mais ligadas a ele continuam querendo?

 

FESTA DO CAQUI

Atenção: a CPI dos Cartões Corporativos ganhou acesso aos gastos secretos do presidente Lula e de seus parentes. Os parlamentares se comprometeram a manter em sigilo os fatos de que tomarem conhecimento; também prometem não usar celular nem qualquer equipamento que possa fotografar ou copiar os papéis. Esta coluna aposta uma gravação de Blowin' in the wind, com Bob Dylan, contra o genérico do senador Suplicy, que haverá quebras de sigilo todos os dias.

 

LOS HERMANOS

Fernando Lugo, presidente eleito do Paraguai, festejou a vitória ao lado de frei Betto, ex-assessor de Lula. Seus coordenadores de campanha foram indicados pelo governador paranaense Roberto Requião. Sua promessa principal é aumentar, para o Brasil, o preço da energia de Itaipu. De US$ 300 milhões por ano, conforme o tratado de Itaipu (pelo qual o Brasil construiu e pagou a usina inteira e deu metade ao Paraguai), Lugo quer passar a US$ 2 bilhões. Lula disse que vai resistir, mas não deve haver crise: o chanceler Celso Amorim prometeu fazer um acordo com o Paraguai, como antes já cedera diante do boliviano Evo Morales.

NOVOS RUMOS?

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) rejeitou a criação de um cartão de crédito, entre outros motivos porque os bancos são “a escória do sistema neoliberal”. Curiosíssimo: o Vaticano tem um banco, o Instituto para Obras Religiosas, que foi grande acionista de outro banco, o Ambrosiano. O diretor do IOR, monsenhor Paul Marcinkus, fez muito sucesso no mercado financeiro, onde era conhecido como “banqueiro de Deus”. Certo dia, porém, o Ambrosiano quebrou, seu presidente se suicidou e Marcinkus se aposentou. Será que, até o advento desses tristes problemas, banco não era tão escória assim?

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