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Gasto no Natal já
aponta desaceleração

Em S.Bernardo vendas cresceram 15% em 2010; para 2011
previsão é de 8%, mesmo assim, associações estão otimistas


Erica Martin
Vinicius Gorczeski

16/11/2011 | 07:13


As associações comerciais da região não estão tão otimistas quando o assunto são as compras de fim de ano, que devem desacelerar em 2011 e fazer com que o Natal seja marcado por lembrancinhas. De acordo com o presidente da Associação Comercial e Industrial de São Bernardo, o crescimento das vendas na cidade foi de 15% em 2010, quando comparado ao ano anterior. Para este ano, a previsão declinou para 8%. "É uma expectativa realista, mas não é o que estávamos acostumados. Nesta época do ano (novembro), o aquecimento das vendas já deveria ser mais expressivo, afinal estamos nos aproximando do dia 25 de dezembro", explica Moura.

Em Diadema a projeção é de empate no percentual de alta nas vendas com 2010. "A estimativa é manter o ritmo igual aos 5% verificados no ano passado", diz o presidente da Associação Comercial e Empresarial, Gildo Freire.

As expectativas menos otimistas não são exclusividade da região. Há a estimativa é que a empolgação com as compras do Natal seja reduzida em todo o País. "Em 2010, o crescimento nas vendas foi de 10%. Este ano, a previsão para o Brasil é entre 5% e 6%", comenta o gerente de indicadores de mercado da Serasa Experian, Luiz Rabi.

 

CONSUMIDOR

O brasileiro está mais consciente por acreditar que o cenário não é propício para aumentar suas dívidas. A inflação elevada (estimada em 6,5% para o fim do ano), que faz o poder de compra do salário diminuir; as crises internacionais e o avanço da inadimplência - que cresceu 5,9%, em outubro, na comparação com o mês de setembro - são alguns dos fatores que fazem o consumidor colocar o pé no freio e comprar menos. É o caso do comerciante Osvaldo Luiz e a mulher, a dona de casa Célia Flogi, ambos com 61 anos. Eles já decidiram que neste ano vão gastar menos nas compras natalinas. "Combinamos com a família de não trocar presentes. Só os netos vão ganhar. Está tudo absurdamente caro", explica o casal de Santo André. Mesmo assim, eles estimam gastar mais do que R$ 200 com os mimos das crianças, mas o que deve acontecer só depois da chegada do Papai-Noel. "Na data só vamos dar lembranças, depois os preços caem e fica tudo mais barato para comprar."

EMO casal Geraldo Silva, 32 anos e Suely Auraújo, 29, de São Bernardo, gastaram no último Natal, pelo menos, R$ 1.000 com presentes para a família. Este ano a previsão é desembolsar o mesmo valor, mas ambos mudaram a estratégia de compras. "Só vamos gastar a partir do mês que vem, quando receber o 13° salário. Mas o dinheiro será para comprar coisas para nós, principalmente roupas e calçados, que estamos precisando. Presentes só para os mais chegados da família", comentou o casal.

 

 

ESTRATÉGIAS - Como os consumidores retardaram o início das compras, os lojistas que desejam contornar o ritmo menor de crescimento, e correr atrás do tempo perdido, precisam adotar estratégias para ganhar o público. Os enfeites natalinos já estão presentes antecipadamente em diversos comércios.

Em uma loja de roupas femininas localizada na Marechal Deodoro, em São Bernardo, a vitrine de Natal foi montada ontem. A iniciativa foi necessária já que o faturamento da loja, até o dia 14, não corresponde nem a metade do que foi registrado no ano passado. "Até 2010, começávamos a campanha de Natal no dia 25 de novembro, neste ano foi preciso começar bem antes", explica o gerente Rodrigo Pereira. A loja tem outras estratégias para acelerar o movimento. Além de promoções relâmpagos, a partir do dia 5, o horário de funcionamento será das 9h às 22h. "No ano passado, o horário foi ampliado entre a segunda e terceira semana de dezembro, neste ano será logo na primeira", diz o gerente.

Ele explica que o consumidor está preferindo os produtos mais baratos, mas o foco do estabelecimento é vender mercadorias mais sofisticadas e de fabricação própria. Por conta disso, o comércio deixa de ganhar com os itens de maior valor agregado que pressionaram para baixo os seus ganhos.

Em uma loja de jogos da Oliveira Lima, em Santo André, a vendedora Tatiane Castro, que trabalha há três anos no comércio de eletrônicos e games, já percebeu a retração do consumidor pelos produtos mais caros. Um Nintendo Wii, que detecta os movimentos do usuário custa, por exemplo, R$ 800 "Há três anos não tinha tempo para almoçar, hoje está bem mais tranquilo. Além disso, o movimento ainda está fraco para o Natal", comenta.

A gerente de uma loja de jeans também de Santo André, Aline Figueiredo, já notou que o movimento do estabelecimento, em relação ao ano passado, está 20% menor.

 

 

CONFIANTES - Os comerciantes de Santo André, diferentemente dos lojistas de Diadema e São Bernardo, estão otimistas com o fim do ano. Para o assessor da presidência da Associação Comercial e Industrial da cidade, Nelson Pereira, as vendas devem se acelerar nas próximas semanas. "Além do pagamento do 13° e a Participação nos Lucros e Resultados, os reajustes salariais foram altos. O cenário não é ruim", diz Pereira. O que pode aumentar o fluxo de pessoas, em Santo André, é o aumento do número de lojas. O Grand Plaza Shopping, por exemplo, está em fase de ampliação e contribuirá com 94 novas operações até outubro de 2012.

Pereira também explicou que em 2010 as vendas na cidade subiram 10% em relação a 2009. Para este Natal, o aumento poderá chegar a 15%, número expressivo, já que no ano passado a economia brasileira só se expandiu e o Produto Interno Bruto fechou o ano com elevação de 7,5%. A previsão de crescimento para o PIB em 2011 é de 3,16%, conforme o último boletim Focus divulgado pelo Banco Central.

 

BARATO - Lojistas já perceberam que o consumidor está em busca de presentes mais baratos. E o comércio que tem seu negócio baseado em itens mais básicos se beneficia. "Vendemos muitos cintos e bolsas. As pessoas compram e dizem que vão dar de Natal", diz a gerente de uma loja de bijuteria, Patrícia So Hung, localizada na Oliveira Lima, em Santo André, que espera aumentar em 30% as vendas no Natal.

 



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