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Cinema nacional é luxo só


Alessandro Soares
Do Diário do Grande ABC

30/06/2001 | 17:08


Há cinco anos, dois filmes disputavam os holofotes como futuras superproduções nacionais. O Xangô de Baker Street saiu na frente e estréia na primeira semana de outubro, dirigido por Miguel Faria Jr. e baseado no romance homônimo de Jô Soares. Chatô, a mais cara produção cinematográfica brasileira ainda não concluída (orçada em cerca de R$ 13 milhões), deve ficar pronta até novembro. É o que espera o diretor e produtor Guilherme Fontes, que afirma estar absolutamente concentrado no término do filme iniciado em 1999 e que ainda não ficou pronto.

São os destaques em um semestre que terá, em setembro ou outubro, o filme Caramuru, título nas telonas da minissérie da Rede Globo A Invenção do Brasil, de Guel Arraes. Assim como foi com O Auto da Compadecida, do mesmo diretor. Copacabana, de Carla Camurati, puxa a fila esta semana. O restante depende da distribuição.

Produções independentes aguardam vaga no circuito, nem sempre favorável ao filme nacional. Estão na fila Latitude Zero, de Toni Venturi, 2000 Nordestes, produção de Luiz Carlos Barreto, O Casamento de Louise, de Betice de Paula e Durval Discos, de Anna Muylaert, além dos documentários Janela da Alma, de Walter Carvalho e João Jardim, e Barra 68 – Sem Perder a Ternura, de Vladimir Carvalho.

Em fase de filmagens está O Príncipe, de Ugo Giorgetti. Avassaladoras, de Mara Mourão, com Reynaldo Gianecchini e Giovanna Antonelli, está em finalização, com distribuição garantida pela Fox.

Lima Duarte é cotado para viver Adoniran Barbosa, sambista e cronista musical paulistano, no longa Trem das Onze, de Walter Caira. Ângela Diniz, socialite assassinada pelo namorado Doca Street em 1975, em Búzios, no Rio, terá sua cinebiografia Quem Ama Não Mata dirigida por Roberto Faria, que volta ao cinema 14 anos depois. Marca a estréia de Deborah Secco na tela grande, apesar de ela aparecer antes em Caramuru, produto vindo da TV, com Camila Pitanga e Selton Mello.

Ambos os filmes estão na fase de captação de recursos, uma etapa difícil atualmente. Só no fim do ano as empresas interessadas sabem quanto poderão investir pela Lei do Audiovisual, que permite a dedução no Imposto de Renda devido com o patrocínio ao cinema. Rosemberg Cariry roda seu quinto longa-metragem em agosto, Nas Escadarias do Palácio, inspirado na lenda cearense de Lua Cambará. O orçamento era de R$ 1,5 milhão, mas o filme será feito com os R$ 700 mil já obtidos.

O nó – A grande preocupação aparece com o filme já pronto: a distribuição ou o nó do cinema brasileiro. “As leis de incentivo democratizaram a produção nacional. Mas filmes com menos apelo comercial sofrem estragulamento no circuito”, diz Miguel Faria Jr. Seu Xangô tem apelo mais comercial e será distribuído pela Columbia.

Em seu filme, está escalado o ator português Joaquim de Almeida como o detetive inglês Sherlock Holmes, em visita ao Brasil imperial do século XIX. Jô Soares o queria no filme desde o início, pois o personagem precisava ter um sotaque português, de Macau. Almeida já estrelou produções de Hollywood como Perigo Real e Imediato, com Harrison Ford. Outra portuguesa no elenco é Maria de Medeiros como a atriz francesa Sarah Bernhardt em visita ao Brasil. O doutor Watson é o inglês Anthony O’Donnel.

O próprio Jô aparece como o Desembargador. Marcelo Anthony (Marquês de Sales), Marco Nanini (Mello), Cláudia Abreu (Baronesa) e Letícia Sabatela (Esperidiana) completam o elenco. Estimado em R$ 7 milhões em 1996, Xangô foi concluído com R$ 4 milhões de orçamento. A produção de Bruno Stroppiana (que nesse meio tempo realizou Tieta, Buena Vista e Estorvo) está pronta há mais de um ano e foi rodada em 14 semanas. A demora se deve à produção e filmagens no exterior. Nesta adaptação, personagens entram e outros saem, e o final deve ser diferente do livro.



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