Inclusão Ação de R$ 4,9 milhões prevê formação, prevenção à violência e incentivo ao empreendedorismo para 2.020 participantes da região e Capital
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Santo André e Mauá estão entre as três cidades do Estado que receberão o Projeto Renova Mulher, iniciativa do Instituto Social Casulo voltada ao acolhimento e fortalecimento da autonomia de mulheres migrantes e em situação de vulnerabilidade.
Com duração de 24 meses, a ação pretende selecionar 2.020 participantes nas duas cidades do Grande ABC e na Capital para uma jornada de formação que inclui prevenção à violência, desenvolvimento socioemocional, qualificação profissional e empreendedorismo.
O projeto tem o incentivo do Fundo Socioambiental da Caixa Econômica Federal e se refere a um edital lançado pelo banco em meados do ano passado, com valor total de R$ 4,9 milhões.
Os lançamentos do projeto na região estão marcados para terça-feira (28), em Mauá, na Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres, na Rua Santa Cecília, 489, Bairro Matriz, e na quarta-feira (29), em Santo André, no Auditório Heleny Guariba, na Praça IV Centenário, no Centro.
O estudo e processo de mobilização e seleção das participantes está sendo realizado em parceria com secretarias municipais e instituições que já atuam no acolhimento de mulheres em situação de vulnerabilidade.
A escolha dos dois municípios do Grande ABC ocorreu após um levantamento realizado pelo instituto sobre o perfil social dos municípios. “Fizemos um mapeamento do território e identificamos que Mauá e Santo André apresentam um número significativo de mulheres vulneráveis. A escolha também levou em consideração o edital da Caixa Econômica, que dividia os projetos por regiões. A partir disso, definimos esse território para atuação”, revelou a presidente do Instituto Social Casulo, Renata Oliveira.
De acordo com Renata, a seleção priorizará mulheres migrantes, refugiadas e aquelas que enfrentam situações de vulnerabilidade social, incluindo vítimas de violência doméstica. A definição das beneficiárias ocorrerá por meio de um questionário que analisará critérios como renda per capita, escolaridade, histórico de violência e potencial para inserção no mercado de trabalho ou para o empreendedorismo.
O projeto busca trabalhar a reconstrução da autonomia das participantes. “Muitas mulheres não conseguem sair do ciclo de violência porque não têm uma oportunidade de trabalho nem independência financeira. Antes de falar em empreendedorismo, precisamos acolher, trabalhar a autoestima e mostrar que elas são capazes de reconstruir suas vidas”, disse a presidente.
Segundo dados da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) de 2025, dos 44,4 milhões de habitantes do Estado de São Paulo, 8,6 milhões nasceram em outros Estados brasileiros. Somam-se a esse cenário 489.219 migrantes internacionais, com predominância da comunidade boliviana, de acordo com o Observatório das Migrações Internacionais em São Paulo. O PROJETO
O programa será dividido em três etapas. A primeira será voltada ao acolhimento e à prevenção da violência. Em seguida, as participantes passarão por atividades de desenvolvimento socioemocional. Somente na última fase serão direcionadas para qualificação profissional ou formação empreendedora, de acordo com o perfil identificado ao longo do acompanhamento.
A proposta, segundo Renata, é respeitar a realidade de cada participante, entendendo que cada mulher possui necessidades e trajetórias diferentes.“Não adianta colocar todas em uma sala e oferecer o mesmo curso. Algumas terão perfil para empreender, outras para ingressar no mercado de trabalho.
O nosso papel é identificar essas habilidades e construir esse caminho junto com elas”, explicou. Ao final da formação, mulheres com perfil empreendedor poderão receber mentoria especializada, orientação para solicitação de microcrédito e acompanhamento durante os primeiros seis meses de desenvolvimento do negócio.
“Seguramos na mão dessas mulheres. A gente sabe que empreender não é fácil. Pela experiência do Instituto Casulo, a gente percebe que elas precisam de uma mentoria, de um acompanhamento.”
A expectativa do instituto é aprovar 252 pedidos de financiamento ao longo dos dois anos de execução do projeto. As inscrições serão abertas após os eventos de lançamento. A organização estima receber cerca de 4.000 candidaturas para selecionar as 2.020 mulheres que participarão da iniciativa nas três cidades.
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