Violência contra mulher GCMs receberam 428 pedidos de ajuda de mulheres em situação de violência no primeiro semestre do ano, ante 361 em 2025
Helber Aggio/PSA

O número de chamados direcionados às Patrulhas Maria da Penha da região aumentou 18,6% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. As GCMs (Guardas Civis Municipais) de seis cidades registraram 428 pedidos de ajuda de mulheres em situação de violência entre janeiro e junho deste ano, contra 361 no primeiro semestre do ano passado. A Prefeitura de Rio Grande da Serra não informou os dados.
As ocorrências mais frequentes envolvem o descumprimento de medidas protetivas de urgência. Também há acionamentos em situações de violência em andamento, quando a própria mulher, familiares, vizinhos ou outras pessoas acionam a Guarda diante de uma situação de risco.
Após o acionamento, a GCM realiza a intervenção e conduz o agressor à delegacia, de acordo com a secretária da Mulher de Mauá, Cida Maia. “A autoridade policial é a responsável por lavrar o boletim de ocorrência, adotar as providências previstas na legislação e, quando cabível, efetuar a prisão em flagrante. Posteriormente, o caso é submetido à audiência de custódia, ocasião em que o Poder Judiciário decide sobre a manutenção da prisão ou a aplicação de outras medidas legais”, explica.
Para Cida, os números cresceram porque as mulheres estão denunciando mais. “A leitura é que esse movimento está relacionado ao fortalecimento da rede de atendimento e à ampliação das ações de informação e prevenção. Quanto mais as mulheres conhecem seus direitos e sabem onde buscar ajuda, maior tende a ser a procura pelos serviços de proteção. E quando as mulheres percebem que existe uma rede preparada para acolhê-las e protegê-las, elas tendem a confiar mais nos serviços”, avalia.
A advogada criminalista especializada em Violência de Gênero, Danildes Teixeira, acredita que as mulheres estão recorrendo mais aos recursos disponíveis. “Este aumento deve-se às campanhas que estão sendo feitas. As mulheres antes tinham medo e vergonha de denunciar e agora estão sendo mais encorajadas. O caminho para romper a violência é a educação. Informação de qualidade é poder”, enfatiza.
AGILIDADE
A Patrulha Maria da Penha atende mulheres com medida protetiva, que podem ainda se cadastrar em sistemas de acionamento rápido, como o aplicativo Ana, utilizado por Santo André, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires. Por meio de apenas um clique pelo celular no botão do pânico, a GCM é acionada e se desloca até a vítima. Porém, nem todas as vítimas fazem a adesão a plataforma e podem chamar os agentes de segurança pelo telefone, no 153. Em Santo André, por exemplo, dos 170 chamados registrados neste ano, 52 (30%) foram pelo botão do pânico.
A Patrulha Maria da Penha da GCM de São Caetano acompanha exclusivamente mulheres que possuem medida protetiva pelo botão do Smart Sanca que pode ser instalado logo após o registro de ocorrência de violência doméstica na delegacia. Em São Bernardo, a Guardiã Maria da Penha atende todas as mulheres em situação de violência, mesmo sem medida protetiva, por meio de whatsapp, além dos canais telefônicos oficiais da GCM. O município possui ainda uma DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) 24 horas, única do Grande ABC.
No primeiro semestre deste ano, foram concedidas 2.060 medidas protetivas nas sete cidades, de acordo com dados do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Em todo ano passado, o Grande ABC somou 4.784, número estável em relação a 2024, com 4.913.
DEFESA PESSOAL
O governo sancionou nesta sexta-feira (24) lei que libera a venda e posse de aerossóis de extratos vegetais, como spray de pimenta, para mulheres acima de 18 anos como medida de defesa pessoal.
A comercialização, porém, precisa ser autorizada. As lojas devem seguir normas como registrar os dados do comprador e da pessoa que terá a posse do arossol e manter registro das vendas para rastreabilidade do produto.
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