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Embalagens brasileiras: tormento

Marli Gonçalves
26/07/2026 | 08:23
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Reprodução Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


São muito ruins as embalagens de tantos e certos produtos, não funcionam, difíceis de serem abertas, lidos os seus rótulos. Você já deve ter proferido muitos palavrões ao tentar abrir algumas delas.

Faca, facão, faquinha – que precisa ter de todos os tamanhos. Dentes fortes. Canivete, tesoura afiada, luvas, vapor – e calma, muita calma. Calmíssima. Concentração. Criatividade. Racionalidade e muita força de vontade para não desistir. Aliás, não desistir, não se machucar, não continuar com fome e, muito menos, você, mulher, evitar ir atrás de algum “homem” ou chamar o porteiro. A autossuficiência no caso de algumas embalagens precisa desse armamento. Ah, acrescente, se possível, uma boa lupa ou seu habitual óculos de grau.

Eu poderia estar aqui falando do tarifaço, do caos habitual do transporte público, daquele candidato da familícia que só escorrega, do horror dos crimes, do absurdo do bebê que morreu entalado numa grade da creche sem ninguém ver, dos bêbados assassinos no trânsito. Do frio, do calor, do El Niño. Mas as embalagens tomaram a frente. Conversando com uma amiga com sérios problemas de visão, o tema veio, lembrando de quantas delas, embalagens, têm rótulos ilegíveis, tipo fontes diminutas brancas no amarelo. Fora as plaquinhas nos pontos de venda que, para a gente saber o preço precisa sambar ou rezar, cada dia menores e mais confusas. Você acha que vai pagar uma coisa no caixa, mas precisava comprar três produtos da mesma marca, sabor, escambau, ou fazer parte – registrada, app, cartão – de algum clube de descontos, sem piscina.

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Nem sempre são embalagens de alimentos. Já tentou abrir o invólucro do enxaguante bucal Listerine? Vamos lá. É uma trava. Você olha o desenho – até parece fácil. Aperte para baixo, pressione, rode. Boa Sorte!

Embalagens dignas de nota. Zero, claro. Os enlouquecedores sachês, aqueles de ketchup, mostarda, maionese. Corte aqui, abra aqui. Abracadabra! Ficou bonita sua roupa manchada, colorida? Desistiu de usar no seu sanduíche? Sei como é que é.

Biscoitos e fitinhas vermelhas... Quer um conselho? Vai direto na faca. O mesmo com pacotes de salgados e outros com aquele vinco atrás que requer um certo capricho no momento de juntar e abrir para, digamos, o conteúdo não sair voando.

Imagino que tenha muitos outros exemplos, e já esteja listando enquanto lê. Torço para que não tenha quebrado a unha, se cortado ou torcido o braço tentando abrir algum vidro, pote, ou lata de conserva com aquele ferrinho. Tomara que seu abridor de latas esteja bem afiado para dar a volta completa.

Precisamos falar sobre isso, talvez tema para as eleições? Por que nossas embalagens são tão ruins?

Marli Gonçalves é jornalista, cronista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo e autora de Feminismo no Cotidiano.




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