Homenagem Celebrada em 26 de julho, data reforça como ensinamentos e amor são ingredientes na relação com netos
Celso Luiz/DGABC

Existe um lugar onde sempre cabe mais de um abraço, um prato de comida preferido e uma boa brincadeira. Na casa dos avós, cada visita vira uma nova aventura. Seja em guerras de travesseiros, em corridas pela casa, assistindo a programas, filmes e desenhos, ou até mesmo brincando com os animais de estimação.
Comemorado neste domingo (26), o Dia dos Avós tem origem na tradição cristã. A data homenageia Santa Ana e São Joaquim, pais da Virgem Maria e avós de Jesus Cristo. A celebração foi oficializada pelo Papa Paulo VI no século XX. Porém, foi a partir da década de 1980 que a tradição passou a ganhar força também entre famílias de vários países. Uma das responsáveis por essa divulgação foi a portuguesa Ana Elisa do Couto (1926- 2007), conhecida carinhosamente como Dona Aninhas, que viajou por diversos lugares, incluindo o Brasil, incentivando o reconhecimento do período.
Para muitas crianças, os avós são aqueles que sempre têm tempo para se divertir, contar histórias e oferecer todo tipo de afeto quando tudo parece difícil. Mas, muito além de mimar os netos, eles também ajudam a ensinar valores, acompanham o crescimento dos pequenos e fortalecem a união. É exatamente isso que acontece na rotina de uma família que mora no Riacho Grande, em São Bernardo.
Técnico em processo industrial, Roney Sebastião da Silva, 52 anos, conta que ser avô é uma experiência diferente de qualquer outra. “É uma das melhores coisas do mundo. É um amor diferente, que só quem vive consegue explicar”, comentou. Além das diversões, ele acredita que ainda faz parte do papel dos avós ajudar na educação. “Mais do que dar presentes, o avô também ensina. Quero que eles vivam cada fase da infância sem pressa e aprendam o valor da família”, disse.
Dona de casa, Valdivia de Oliveira Andrade, 55, demonstra toda a sua emoção ao falar dos netos. Para ela, acompanhar o crescimento dos garotos é uma das maiores alegrias da vida. “Ser avó é ser mãe, amiga e um porto seguro ao mesmo tempo. Cada dia que vejo meus netos crescendo é um presente”, falou. Ela faz questão de cuidar dos pequenos sempre que eles aparecem para uma visita. “Meu maior desejo é que eles estudem bastante, continuem unidos e sejam felizes ao lado da família”, completou.
Os netos não escondem o quanto gostam de passar o tempo com os avós. Renato de Oliveira Andrade, 4, ainda é tímido para responder, mas demonstra carinho de um jeito muito especial. “Eu gosto da minha vovó e do meu vovô porque eles brincam comigo e me fazem feliz”, comentou.
O irmão mais velho, Vinicius de Oliveira Andrade, 7, revela que adora “perturbar” os avós, mas tudo em tom de brincadeira. “O mais legal é brincar, assistir a desenho e bagunçar bastante com eles”, disse. O menino também afirma que o carinho dos avós faz toda diferença. “Os abraços deles são relaxantes. Eu amo meus avós”, finalizou.
Portadores de TEA (Transtorno do Espectro Autista), os pequenos geralmente gostam de compartilhar memórias com os avós de uma maneira bem específica: brincando e interagindo com três iguanas, chamadas de José, Maria e Pandora, que, além de pets, se tornaram integrantes da família.
Os encontros quase sempre terminam em volta da mesa. Um bom churrasco, pipoca, cachorro-quente, hambúrguer, pão de queijo, sorvete, lasanha, feijoada e batata frita estão entre os alimentos preferidos dos netos, preparados com muito amor e atenção genuína.
Hoje, a data é uma ótima oportunidade para agradecer todo o afeto, experiência e os ensinamentos que passam de geração para geração.
Muito além dos mimos: os tesouros que serão lembrados para toda vida
Os avós são verdadeiros guardiões das histórias da família. Eles costumam contar como era a infância antigamente, lembrar momentos marcantes dos pais e ensinar muitas tradições. Assim, ajudam as crianças a conhecer suas próprias raízes.
Outra marca dos avós é a transmissão de costumes. Receitas especiais, comemorações religiosas, festas típicas, brincadeiras antigas e cantigas continuam vivas graças ao carinho de quem faz questão de compartilhar essas memórias com os netos.
Além disso, muitos avós auxiliam na rotina das famílias. Levam os pequenos à escola, cuidam deles enquanto os pais trabalham, preparam refeições e oferecem um ambiente acolhedor para descansar, brincar e conversar sobre inúmeros assuntos.
O apoio emocional também faz toda a diferença. Muitas crianças encontram nos avós alguém para ouvir seus medos, dar conselhos e oferecer conforto sem qualquer tipo de julgamento. Essa relação fortalece a confiança e cria laços que costumam durar por toda a vida.
E, diferentemente do que muita gente pode imaginar, os avós dos dias atuais acompanham a tecnologia. Muitos fazem videochamadas para se comunicar com um neto que está em outra cidade, Estado ou país, usam redes sociais para conversar, continuam trabalhando, praticam esportes, viajam e mantêm uma vida bastante ativa.
No fim das contas, ser avô é muito mais do que cuidar. É transmitir amor, valores, dedicação, histórias e construir lembranças que acompanharão os netos para sempre.
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