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Discriminação contra pessoas com sobrepeso e obesidade dificulta acesso à saúde

23/07/2026 | 18:21
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A discriminação relacionada ao peso corporal é uma realidade frequente na América Latina e no Caribe e está associada a impactos que vão de danos à saúde mental à maior dificuldade de acesso aos serviços de saúde. A conclusão é de uma revisão sistemática liderada por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e publicada na revista científica The Lancet Regional Health - Americas.

O trabalho reuniu evidências de 46 estudos realizados em diferentes países da região para compreender como pessoas com sobrepeso e obesidade vivenciam o preconceito em seu cotidiano.

Os pesquisadores identificaram relatos de estigma em 97,8% das pesquisas analisadas. Segundo o estudo, as experiências incluem exclusão social, bullying, sofrimento emocional, estereótipos morais e conflitos familiares, além de consequências que comprometem a qualidade de vida e a procura por cuidados médicos.

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Em nota, a FMUSP reforça que "sobrepeso" e "obesidade" são classificações clínicas utilizadas para orientar o cuidado em saúde e não devem ser interpretadas como traços de caráter ou comportamento.

"Não se trata de um fenômeno isolado, mas de um processo contínuo que afeta a autoestima, a identidade e as oportunidades dessas pessoas", afirmou, em nota, a professora Fernanda Baeza Scagliusi, coordenadora do estudo.

Impactos da discriminação

A revisão mostra que o estigma relacionado ao peso costuma começar ainda na infância, principalmente por meio de apelidos, piadas e outras formas de bullying.

Ao longo da vida, essas experiências podem favorecer o isolamento social, a vergonha, a ansiedade, a tristeza e a baixa autoestima. Segundo os pesquisadores, muitas pessoas passam a evitar situações sociais por medo de novos episódios de julgamento.

Esse processo também interfere diretamente na forma como essas pessoas buscam atendimento médico. De acordo com o estudo, o preconceito está presente dentro dos próprios serviços de saúde, onde pacientes relatam julgamentos morais, desrespeito e a tendência de profissionais de saúde atribuírem diferentes sintomas exclusivamente ao peso corporal.

"Quando esse viés se manifesta no sistema de saúde, ele se torna uma barreira concreta ao cuidado. Muitas pessoas deixam de procurar atendimento ou têm suas queixas reduzidas ao peso corporal, o que compromete diagnósticos e tratamentos", ressalta Fernanda.

Mulheres são as mais afetadas

Segundo a revisão, mulheres são as principais vítimas da discriminação relacionada ao peso. Os pesquisadores atribuem esse cenário à maior pressão estética exercida sobre o corpo feminino, que torna mais frequentes os julgamentos sobre aparência e amplia a cobrança social por um padrão corporal considerado ideal.

O estudo também mostra que comentários de familiares, parceiros e pessoas próximas ajudam a perpetuar esse preconceito. Como essas atitudes costumam ocorrer nas relações do dia a dia e, muitas vezes, são interpretadas como demonstrações de cuidado, acabam sendo naturalizadas e comprometem a autoestima e o bem-estar emocional.

A pesquisadora afirma ainda que muitas mulheres acabam internalizando as mensagens negativas recebidas ao longo da vida, o que amplia o sofrimento psicológico e dificulta a construção de uma relação saudável com o próprio corpo.

Caminhos para reduzir o preconceito

Diante dos resultados, os pesquisadores defendem que o estigma relacionado ao peso seja reconhecido como um problema de saúde pública e enfrentado por meio de políticas voltadas à redução da discriminação. A revisão recomenda ações que envolvam educação da população e mudanças na formação dos profissionais de saúde.

"Combater esse problema é essencial para melhorar a saúde da população. Isso implica rever práticas, formar profissionais e garantir que o cuidado seja baseado em respeito e dignidade. Não se trata apenas de uma questão ética, mas de uma estratégia fundamental para reduzir desigualdades e melhorar os resultados em saúde", conclui Fernanda.




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