
Claudia Raia relembrou um dos períodos mais delicados de sua trajetória pessoal e profissional. Em entrevista ao podcast Rivo Talks, a atriz falou sobre os rumores que surgiram na década de 1990 após declarar apoio a Fernando Collor durante sua campanha presidencial e contou como as especulações afetaram sua vida.
- Se me perguntar: O que você se arrependeu na vida? [Responderei:] Acho que nada. Nem o apoio ao Collor, que foi uma desgraça na minha vida, em todos os sentidos.
A atriz afirmou que com os boatos de que teria um relacionamento com o político e surgiram outros de que ela seria portadora de HIV, rumores que, segundo ela, eram completamente falsos.
- Meus teatros ficaram vazios, porque inventaram que eu era amante dele, portanto era HIV positivo. Enfim, uma coisa surreal, contou.
Durante a conversa, a artista explicou que os comentários surgiram em meio a especulações sobre a saúde de Collor e relembrou que, na época, havia muita falta de informação sobre o vírus HIV e a transmissão da doença, o que acabou aumentando o preconceito e o medo das pessoas.
- A história era que não podia falar que ele [Collor] era HIV positivo, porque era presidente [Mas,] como estava magro demais, [deveria ser por conta do] HIV. Meu teatro [ficava] vazio, porque as pessoas tinham medo de chegar perto das outras e pegar HIV, não se sabia nada.
Claudia contou que chegou a procurar ajuda médica para comprovar que os rumores não tinham fundamento. Ela realizou exames com o auxílio de Mário Bronstein, fundador de uma rede de laboratórios, que era pai de uma amiga próxima da atriz.
- Graças a Deus ele [Mário Bronstein] era pai de uma grande amiga minha que fez [o musical] Chorus Line comigo. Era meio que meu pai carioca.
O resultado do teste demorou cerca de 15 dias para ficar pronto, período que Claudia descreveu como extremamente angustiante para ela e sua família. A atriz ainda revelou que, durante a polêmica, sua vida foi investigada e enfrentou momentos de grande exposição.
- [Ficamos] 15 dias sofrendo, eu e a minha família. Uma coisa horrorosa, minhas contas vasculhadas... tudo de pior. Porém, tem uma coisa que me alivia: eu mais o Brasil inteiro votou nesse cara. Então, nem isso me causa arrependimento.
A atriz também destacou que sempre procurou se posicionar publicamente quando acreditava ser necessário, mas ressaltou que sua principal forma de manifestação continua sendo através da arte.
- Eu sempre falei, nunca escondi, sempre me posicionei. Só não quero que a minha vida vire um palanque, porque a minha força não está no palanque, está no palco. E minha arte é o meu ato político, finalizou.
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