
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) confirmou 13 casos de sarampo no Estado neste ano. Do total, 11 ocorreram na capital e dois em São Bernardo do Campo.
Segundo a pasta, dois casos foram classificados como importados e os demais estão relacionados à importação, embora sem identificação da fonte de infecção. Todos os pacientes evoluíram para a cura.
Diante do cenário, a SES-SP reforçou a importância da vacinação como principal forma de prevenção. Desde junho, o Estado recomenda a aplicação da chamada dose zero da vacina tríplice viral em bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias residentes nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, como medida adicional de proteção.
Origem dos casos
Segundo a SES-SP, dois dos 13 casos confirmados neste ano são considerados importados, ou seja, ocorreram em pessoas que contraíram a doença durante uma viagem ao exterior.
Os outros 11 são classificados como relacionados à importação, quando a infecção acontece no Brasil após contato com o vírus introduzido por um viajante, mesmo que a fonte exata da transmissão não seja identificada.
Essa diferença é importante porque a presença de casos importados não significa, por si só, que o vírus voltou a circular de forma sustentada no País. O principal objetivo da vigilância epidemiológica é identificar rapidamente essas infecções e impedir que elas originem novas cadeias de transmissão.
Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), as Américas registraram 22.974 casos confirmados e 39 mortes por sarampo até o fim de junho deste ano, com a maior parte das ocorrências concentrada no México, Guatemala, Estados Unidos e Canadá.
O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, afirma que pessoas que viajam para países com circulação do sarampo podem voltar infectadas, assim como visitantes estrangeiros podem trazer o vírus para o Brasil. "O desafio é impedir que esses casos importados provoquem uma transmissão sustentada da doença no País."
O especialista acrescenta que o retorno daqueles que foram assistir à Copa do Mundo, realizada em países onde há surtos da doença, aumenta o risco para todos. "Por isso, é fundamental manter a vigilância e a vacinação em dia."
Vacinação é a principal forma de prevenção
A vacina tríplice viral faz parte do Calendário Nacional de Vacinação e está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). O esquema de rotina prevê duas doses para crianças, além da atualização da carteira vacinal de adolescentes e adultos que ainda não completaram o esquema recomendado.
"A primeira dose da vacina já alcança cerca de 90% a 92% de cobertura, mas a segunda ainda está entre 80% e 85%. Precisamos aumentar o número de crianças e adultos com duas doses, porque a vigilância e a vacinação são os pilares que mantêm o País livre do sarampo", diz Kfouri.
No Estado de São Paulo, bebês entre 6 meses e 11 meses e 29 dias que vivem na capital, Guarulhos e São Bernardo do Campo também devem receber a dose zero. Essa aplicação não substitui as doses previstas no calendário, mas oferece proteção adicional em áreas de maior risco.
Histórico do sarampo no País
O Brasil recuperou, em novembro de 2024, a certificação da Opas de país livre da circulação endêmica do sarampo.
O reconhecimento foi restabelecido após o controle da doença, que voltou a circular entre 2018 e 2022 e provocou mais de 39 mil casos no País. Em 2023, não houve confirmações da doença, enquanto 2024 e 2025 registraram apenas ocorrências esporádicas, em sua maioria ligadas à importação do vírus.
"Quando passa o período de transmissibilidade e não surgem novos casos, o surto é considerado encerrado. Por isso, é fundamental monitorar os pacientes e todas as pessoas que tiveram contato com eles, fazer busca ativa e investigação laboratorial para impedir que esses casos importados voltem a estabelecer a circulação do vírus no País", ressalta Kfouri.
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