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Novo tarifaço dos EUA contra Brasil entra em vigor nesta quarta-feira (22)

Governo inicia tratativas com representantes de setores afetados pela tarifa de 25% e mantém no radar possibilidade de outras cobranças

Beatriz Mirelle
22/07/2026 | 08:30
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@Whitehouse/Fotos públicas Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos contra 4.000 produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta-feira (22) e o Brasil já mantém no radar a possibilidade de outra cobrança de 12,5%. O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou na terça-feira (21) que o governo norte-americano definirá “em breve” taxas relacionadas à investigação sobre trabalho forçado. A medida pode atingir 60 países.

Prevista para ser oficializada nesta semana, a sanção deverá substituir uma tarifa global temporária de 10%, que foi imposta pelo governo de Donald Trump no início de 2025.

Ainda na terça, o governo federal realizou a primeira reunião com os setores afetados, como associações do setor de máquinas e equipamentos, calçados e pneus. Para mitigar os efeitos, autoridades planejam a diversificação de mercados e um pacote de socorro às empresas afetadas, com uma nova edição do Plano Brasil Soberano, do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

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A projeção é de que 18% das exportações brasileiras aos EUA sejam impactadas. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, 57% da pauta exportadora ao País continua isenta, enquanto 24% estão sujeitas a outro regime tarifário, relacionado à investigação sobre as vendas de aço e alumínio para o país. Pelas redes sociais, o presidente Lula publicou uma mensagem, sem citar o tarifaço, em que afirmou que “nada é mais sagrado do que a defesa da soberania nacional” e que “ninguém diz o que vamos fazer”. 

No Grande ABC, a indústria de transformação será a principal afetada, segundo especialistas. No balanço entre o primeiro semestre de 2025 e de 2026, as exportações da região para os EUA caíram 13,35%, enquanto as importações recuaram 15,75% no período.

O presidente-executivo da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), José Velloso, declarou ser contra a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica. O comentário ocorreu após encontro com o vice-presidente Geraldo Alckmin e com os ministros Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e Dario Durigan, da Fazenda.

“Não entendemos que reciprocidade ou retaliação vai resolver um problema político. O que vai resolver  é diplomacia do Estado e diplomacia junto a empresários norte-americanos. Ainda existe espaço para isso, dado que há um componente político muito grande (na imposição de sobretaxa)”, disse Velloso.

O percentual de 25% foi sugerido pelo USTR (sigla em inglês para Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) após o fim de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio, que concluiu que o Brasil possui práticas que “oneram ou restringem” o comércio dos Estados Unidos, como Pix, desmatamento ilegal e pirataria. 

Ao todo, 2.126 produtos ficaram isentos, como carne bovina, café, laranja, suco de laranja, mel orgânico, hidróxido de alumínio, sucata de ferro e de aço, medicamentos e insumos farmacêuticos.

Em paralelo aos embates com o Brasil, os EUA anunciaram taxas de 50% contra o Canadá. O presidente Donald Trump alega que o país adota tratamento discriminatório contra seus produtos, em especial veículos, bebidas alcoólicas e laticínios. 

Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o mercado financeiro nacional ainda subestima os efeitos indiretos das cobranças de 25%, que podem causar renegociação de contratos, compressão de margens e redirecionamento das exportações. Ele destacou que os primeiros impactos devem surgir nas encomendas, no faturamento das empresas exportadoras e na concessão de crédito.

“A balança comercial e os indicadores de atividade tendem a refletir esse movimento entre um e três meses. O maior risco não começa com a entrada em vigor da tarifa, mas com uma eventual escalada das tensões comerciais nas próximas semanas, que ampliaria a incerteza, reduziria investimentos e elevaria os impactos sobre setores mais dependentes do mercado americano”, pontuou.

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