Restauro Antonio Sarasá destaca a importância da conservação e revitalização do patrimônio cultural dos sete municípios
FOTO: Denis Maciel/DGABC

Preservar a história é o principal ofício da família Sarasá há sete décadas. A maestria no manejo de ferramentas, pincéis, tintas e outros artefatos como forma de resgate de formas, cores e nuances de obras corroídas pela ação do tempo começou em 1956, quando o patriarca, Gerardo, abriu um ateliê com seu nome no bairro paulistano do Ipiranga. A paixão foi compartilhada com os filhos, Antonio Luís Ramos Sarasá Martin, o Toninho, e Marcelo Ramos Sarasá Martin. Desde então, incontáveis trabalhos foram executados em todo o Brasil.
No Grande ABC, um dos mais marcantes foi a restauração do Pouso Paranapiacaba, também conhecido como Casa de Pedra, na Estrada Velha de Santos, em 2022. Isso porque há cerca de 40 anos o monumento histórico, inaugurado em 1922, havia sido restaurado por Gerardo, sob olhares atentos de Toninho e Marcelo.
“Esse projeto foi importante porque foi um dos primeiros trabalhos do meu pai. Ficamos emocionados porque percebemos que estávamos trabalhando com o mesmo pincel, na mesma prancheta. Tínhamos fotos em que estávamos sentados no mesmo banco, só que agora sem ele. Então foi muito emocionante a gente poder recontar essa história”, afirma Toninho, que é conservador, restaurador e gestor, enquanto seu irmão tornou-se arquiteto.
A dupla manteve viva a essência do trabalho iniciado por Gerardo, o que lhes rendeu convite para revitalizar edificações de valor histórico incomensurável em várias partes do território nacional, além de prêmios nacionais e internacionais.
Com base no conhecimento adquirido ao longo do tempo e da vivência que teve na região desde a infância, Toninho cita a necessidade de sacudir o Grande ABC e, por meio de seu trabalho, contar a história sob uma nova ótica e valorizar saberes de pessoas em condições de vulnerabilidade. “Nós nascemos aqui. Vejo que a região perdeu um pouco a sua história. Falamos pouco sobre os indígenas. Ninguém lembra. Tudo ficou apagado. Nossa vontade de vir para cá é chacoalhar a história”, afirma.
O especialista ressalta a necessidade da conservação dos bens públicos. Ele aponta a zeladoria – “zelo, amor e afeição” – como uma alternativa mais viável que o restauro e cita a importância do envolvimento da comunidade na recuperação de bens históricos, como forma de elevar o pertencimento, a sensação de que cada um pode contribuir um pouco para a melhora do espaço em que vivem. Transformar a vida das pessoas por meio da arte. “Meu maior sonho é que as pessoas se encantem. É o que posso esperar hoje do universo. Que as pessoas olhem e saiam um pouquinho melhor do que chegaram na minha frente”, afirma.
Fundador e diretor executivo do Estúdio Sarasá, Antonio Luís Ramos Sarasá Martin, o Toninho, não vê patrimônios culturais como “coisas”, mas sim “corpos em resistência”. Esses bens, capazes de estreitar a relação entre passado, presente e futuro ao permitir que conhecimentos atravessem gerações, estão distribuídos pelos municípios do Grande ABC.
O mais emblemático é a Vila Ferroviária de Paranapiacaba, considerada um “museu a céu aberto” e que atrai milhares de turistas para Santo André todos os anos. Também legado da companhia ferroviária inglesa São Paulo Railway, Rio Grande da Serra abriga o conjunto da Estação Ferroviária. Em Ribeirão Pires, a Igreja Nossa Senhora do Pilar tornou-se o centro das romarias.
Presidente da APCR (Associação Paulista de Conservadores e Restauradores), Toninho busca deselitizar o setor e afirma que, quando a comunidade entende a importância da arte e da zeladoria, ela se empodera. Na região, o trabalho está a todo vapor. “Estamos com alguns projetos com a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) para revalorizar os espaços nas estações de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra”, relata Sarasá, que possui 60 projetos em todo o Brasil.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.