Editorial A trágica morte de um garoto de 13 anos em decorrência de complicações respiratórias em Santo André, na última terça-feira, serviu de alerta para a gravidade da doença, mesmo para quem tem pouca idade e, teoricamente, é mais saudável do que quem já é considerado idoso.
Dados levantados junto à Secretaria de Estado da Saúde mostram que das 465 ocorrências de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) causada pela influenza registradas no Grande ABC entre o início do ano e o dia 5 de julho, 232 envolveram pessoas de 0 a 19 anos, o que equivale a 50%.
Entre os que passaram dos 60 anos, foram 92 registros, ou 19,7%. No mesmo período do ano passado, 271 de um total de 702, ou seja, 38,6%. Isso indica queda de 18,9 pontos percentuais.
O fato de os mais velhos aderirem mais às campanhas vacinais do que os jovens é a principal causa apontada por especialistas para justificar a discrepância de casos entre as duas faixas etárias.
Enquanto um grupo se previne, o outro, talvez por se achar imune ou confiar na condição física, ignora a oferta do imunizante, que é aplicado gratuitamente nos postos de saúde ou pode ser adquirido em farmácias ou clínicas particulares, e acaba se colocando em risco desnecessário. O medicamento oferecido na rede pública protege contra as cepas H1N1, H3N2 e dois tipos do vírus B, potencializando a chance de a pessoa se manter livre da contaminação.
Integrante da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), a médica ouvida pela reportagem deste Diário revela que mesmo os indivíduos saudáveis correm graves riscos se infectados pela influenza. E que a doença pode evoluir a óbito.
Em tempos de polarização e negacionismo, em que avalanches de notícias falsas chegam o tempo todo, principalmente por meio das redes sociais, vale a pena acreditar na ciência e buscar proteção. Uma atitude que não custa nada e pode ser a diferença entre a vida e a morte. A saúde deve ser colocada sempre em primeiro lugar.
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