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Primeiro semestre tem maior número de mortes no trânsito da série histórica

Entre janeiro e junho de 2026, foram 136 óbitos na região; motociclistas (60) e pedestres (41) representam a maioria

16/07/2026 | 21:08
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FOTO: Celso Luiz/DGABC
FOTO: Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Grande ABC registrou o primeiro semestre mais letal no trânsito desde o início da série histórica do Infosiga, em 2015. Entre janeiro e junho de 2026, foram 136 mortes nas ruas da região, segundo dados do Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo). No mesmo período de 2025, foram registrados 128 óbitos. Até então, o maior número para um primeiro semestre era o de 2015, com 124 mortes.

Neste ano, São Bernardo liderou as estatísticas com 56 casos, seguida de Santo André e Diadema, com 28 e 23 vítimas, respectivamente. Mauá (16), Ribeirão Pires (11) e São Caetano (2) completam a lista. (Veja dados na tabela ao lado)

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Para a especialista em trânsito e coordenadora de dados e vigilância da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global, Mariana Novaski, as mortes muitas vezes estão associadas à imprudência e à vulnerabilidade. “Infelizmente, o aumento da mortalidade é algo que observamos de forma generalizada, especialmente no caso de motociclistas e pedestres. O trânsito está mais violento, muito relacionado ao excesso de velocidade, ocorrido por falta de fiscalização em locais mais estratégicos.”

“Quando se tem fiscalização e quando as pessoas sabem que podem ser pegas, como blitz contra o álcool na direção, por exemplo, a tendência é ter uma redução nos números. Campinas aumentou a quantidade de operações com a Polícia Militar e a GCM (Guarda Civil Municipal) e foi observada uma queda nas mortes no trânsito”, complementou a especialista. No caso de Campinas, citada por Mariana, a cidade passou de 58 óbitos no primeiro semestre do ano passado para 33 no mesmo período de 2026 – queda de 43,1%. 

Do total de mortes registradas no trânsito no primeiro semestre deste ano, 60 envolveram condutores ou passageiros de motocicletas, o equivalente a 44% dos casos. Os pedestres aparecem na sequência, com 41 vítimas, número que corresponde a 30% do total.

“O ocupante da moto está desprotegido. Quando uma pessoa está em cima de uma motocicleta, está exposta a alta velocidade. Caso esse corpo se choque com algo, ele vai ter uma lesão muito grave. O pedestre a mesma coisa, em caso de atropelamento ele recebe toda a energia do veículo”, comentou Mariana.

Ainda segundo a especialista, em uma região com intenso fluxo urbano, o trânsito costuma ser mais acelerado, principalmente entre os motociclistas. “Isso acaba prejudicando a segurança no trânsito. No caso de entregadores de aplicativos, por exemplo, eles estão expostos à situação extrema de pressão para ganhar o dia.”

PERFIL

A faixa etária com maior número de vítimas foi a de 20 a 29 anos, com 35 registros. Segundo especialistas, esse cenário pode estar relacionado ao fato de esse grupo representar uma parcela ativa da população, com maior participação profissional e econômica na sociedade, o que aumenta a circulação dessas pessoas pelas vias. 

“Tem uma questão de comportamento também, muitos jovens acabam se colocando em risco com velocidade e bebidas”, falou a especialista em trânsito. 

MEDIDAS

Para tentar combater a mortalidade no trânsito, as prefeituras realizam ações de conscientização. Santo André informou que, a partir de análises de dados, são elaborados projetos viários inovadores voltados à promoção da segurança, como Áreas Calmas, Faixas Azuis para Motociclistas, implantação de redutores de velocidade com barreiras físicas e fiscalização eletrônica.

Já São Caetano realiza o Programa Cidade da Mobilidade com palestras educativas em escolas e empresas, além de blitze educativas nas principais vias do município. “Essas ações têm como objetivo orientar a população sobre comportamentos seguros, prevenção de sinistros e valorização da vida no trânsito”, ressaltou.

Em Diadema, a Prefeitura deu início em junho à implantação da Faixa Azul, um espaço para a circulação de motocicletas. “O processo está em andamento de acordo com o novo asfaltamento e em períodos de menor fluxo de veículos”, comunicou a administração.

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