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Governo inglês responde provocação de argentinos: 'Copa pode não ser nossa, mas Malvinas são'

16/07/2026 | 18:51
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O governo britânico respondeu às provocações feitas pelos jogadores da seleção argentina nesta quarta-feira, após a vitória de virada por 2 a 1 contra a Inglaterra, no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta (EUA), pela semifinal da Copa do Mundo. Ao fim da partida, alguns atletas, entre eles Nicolás Otamendi e Giovani Lo Celso, exibiram uma faixa com os dizeres: "As Malvinas são argentinas", em alusão a um conflito entre os dois países em 1982. A relação entre argentinos e ingleses vai muito além das quatro linhas.

A principal origem da rivalidade está na Guerra das Malvinas, em 1982, quando Argentina e Reino Unido disputaram o controle do arquipélago localizado no Atlântico Sul. Os britânicos mantiveram a posse do território, chamado de Falklands pelos ingleses e de Malvinas pelos argentinos. A situação, no entanto, não é aceita pelos sul-americanos até hoje.

Incomodado com a situação, o secretário de Negócios e Comércio do Reino Unido, Peter Kyle, pediu à Fifa, nesta quinta-feira, que a entidade investigue o comportamento dos jogadores, classificando o ato como um manifesto político. "A política deve ficar separada do futebol. Na verdade, um dos princípios fundamentais da Copa do Mundo é que a política permaneça fora do esporte.

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Agora, essa é uma questão que cabe à Fifa. Esperamos que ela conduza uma investigação sobre o assunto", disse à BBC. Outro posicionamento repercutiu e aumentou ainda mais a polêmica. Um porta-voz do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, respondeu à provocação dos atuais campeões do mundo.

"A Copa do Mundo pode não ser nossa, mas as ilhas definitivamente são. Nossa posição não mudou. A autodeterminação cabe aos habitantes das ilhas. Nosso compromisso nunca vacilará", afirmou o representante de Downing Street.

O conflito de 74 dias deixou 907 mortos, segundo estimativas: 649 militares argentinos, 255 soldados britânicos e três civis que viviam no local. Localizada a cerca de 550 quilômetros da costa da Argentina, o território ultramarino possui aproximadamente 12,2 mil km². O arquipélago é composto pelas duas ilhas principais, Gran Malvina e Soledad, além de mais de 700 ilhas menores.

Em 2013, foi realizado um plebiscito no arquipélago, no qual os moradores votaram pela manutenção do território como parte do Reino Unido. O referendo ocorreu nos dias 10 e 11 de março. Na ocasião, 92% do eleitorado participou da votação, e 99,8% dos votos válidos foram favoráveis à manutenção do status vigente.

O local possui sua autonomia, com governo e legislação próprios. O Reino Unido responde pela defesa e pelas relações exteriores. O rei Charles III é seu chefe de Estado. A Organização das Nações Unidas (ONU) considera a disputa de soberania um caso ainda não resolvido e defende uma solução via diálogo.

A rivalidade também é alimentada pelo histórico de confrontos em Copas do Mundo. Antes da semifinal desta edição, as seleções haviam se enfrentado cinco vezes no torneio, com três vitórias da Inglaterra e duas da Argentina. Agora, o retrospecto passa a registrar três triunfos para cada lado.

O duelo mais emblemático aconteceu nas quartas de final da Copa de 1986, quando Diego Maradona marcou um golaço e também fez o polêmico gol conhecido como a "Mão de Deus", conduzindo a Argentina à vitória por 2 a 1. O triunfo ganhou um significado geopolítico por ter ocorrido apenas quatro anos após o conflito. Naquele torneio, a Argentina conquistou seu segundo título mundial.

Atual campeã do mundo, a equipe de Lionel Messi busca o tetracampeonato. A Argentina enfrentará a Espanha no próximo domingo, às 16h (de Brasília), no MetLife Stadium, em East Rutherford, nos Estados Unidos.




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