Crítica A declaração foi feita durante entrevista realizada na última quarta-feira (15)
FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo e ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou na última quarta-feira (15), a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) como "frouxa, pouco transparente e pouco fiscalizada". "Há vários focos de corrupção na Secretaria da Fazenda, na Secretaria da Agricultura, na Secretaria de Transportes. Eu não vejo ninguém preocupado com isso."
Em entrevista ao programa Papo com Editor, do Broadcast Político, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, Haddad afirmou haver uma "simbiose" entre o governador e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que, segundo ele, precisa ser explicitada.
Conhecido como o "mais tucano dos petistas", Haddad avaliou que a "boa tradição do tucanato" - referência à ala do hoje reduzido PSDB, partido que governou o Estado por 28 anos consecutivos - está ao seu lado. Ele mencionou o vice-presidente Geraldo Alckmin, hoje no PSB e que deve atuar na campanha pelo interior, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O petista disse ainda que o agronegócio precisa superar o "preconceito contra o PT".
A seguir, os principais trechos da entrevista:
Broadcast Político: O senhor resistiu bastante a disputar novamente o governo de São Paulo. O que faltou para vencer Tarcísio em 2022 e o que pode ser diferente desta vez?
Fernando Haddad: Em primeiro lugar, nós estamos em uma campanha nacional que envolve uma disputa de projetos de País. Em segundo lugar, o governador do Estado de São Paulo apoiar o Flávio Bolsonaro da maneira como está apoiando e apoiar Donald Trump da maneira como está apoiando - uma nação hostil ao Brasil, um governo hostil ao Brasil, que pode prejudicar e já está prejudicando, sobretudo o Estado de São Paulo, que é o mais afetado pelas ações dos Estados Unidos contra o País - também não é uma coisa que me pareça razoável. Então, essa simbiose entre Tarcísio e Flávio precisa ser explicitada. Em terceiro lugar, mas não menos importante, há a queda da qualidade dos serviços públicos em São Paulo. E há a questão da venda da Sabesp, que, na minha opinião, é um escândalo pela forma como ela foi privatizada.
Então, são três temas que eu quero discutir com Tarcísio: por que apoiar Flávio? Por que apoiar os Estados Unidos? E por que o descaso com a população de São Paulo no que diz respeito ao que ela tem de mais precioso, que é a qualidade do serviço público, que se deteriorou?
Broadcast Político: Analistas apontam que a dificuldade do PT em São Paulo é o interior por três motivos: influência do agronegócio, conservadorismo enraizado e o ex-eleitor tucano moderado que migrou para Tarcísio. Qual é a sua avaliação?
Haddad: A boa tradição do tucanato em São Paulo está me apoiando. O que você chama de tucanos são pessoas que nem têm vínculo com a fundação e com os fundamentos da criação do PSDB. É Geraldo Alckmin, é Mário Covas, é Fernando Henrique Cardoso. E muitas pessoas ligadas a essas lideranças históricas importantes do PSDB não assinam embaixo do que Tarcísio está fazendo em São Paulo. De jeito nenhum. Você falou do agro. Eu certamente sou o ministro da Fazenda que, por orientação do presidente da República, mais fez pelo agro em todos os tempos. Nós batemos recorde atrás de recorde, tanto em crédito quanto em produção. A gente tem que acabar com o preconceito. O preconceito está sendo alimentado no Brasil, e isso tem razão de ser, porque a extrema direita alimenta-se do preconceito e alimenta o preconceito. É um tipo de abordagem política sempre em busca de espantalhos para criar antagonismo entre as pessoas.
Broadcast Político: O senhor falou sobre rever os contratos da Sabesp firmados na gestão Tarcísio. Há previsão de inspecionar outros?
Haddad:Eu vou reler todos os contratos, como sempre faço. Por exemplo, o túnel Roberto Marinho, que foi denunciado como superfaturado aqui na capital, eu mandei cancelar. São Paulo hoje tem uma administração frouxa, pouco transparente, pouco fiscalizada. A Controladoria-Geral do Estado não atua como a minha atuava aqui em São Paulo. Nós não temos hoje um mecanismo de controle no governo do Estado. Há vários focos de corrupção na Secretaria da Fazenda, na Secretaria da Agricultura, na Secretaria de Transportes. Vários focos de corrupção. Eu não vejo ninguém preocupado com isso. Onde chego, eu passo uma régua para não ter esse tipo de problema.
Broadcast Político: A segurança pública é apontada como a maior preocupação dos paulistas e um dos principais desafios de sua campanha. Quais diretrizes do seu plano para a área?
Haddad: Vamos tomar a Operação Carbono Oculto como exemplo do que deve ser feito para combater o crime organizado: um gabinete permanente, presidido pelo governador, com as forças de segurança do Estado e do País, além do Coaf e da Receita Federal. Não haverá truque para melhorar estatística, como dizer que o número de homicídios caiu enquanto crescem as mortes de causa indeterminada. O segundo ponto é o espaço público. Não dá mais para fazer patrulhamento sem serviço de inteligência. Há também os crimes digitais. Quando uma pessoa cai em um golpe e faz uma transferência, não se pode levar uma semana para rastrear o dinheiro. Nos crimes violentos e domésticos contra crianças e mulheres, precisamos de uma tecnologia social de prevenção.
Broadcast Político: O senhor tem rejeição menor entre as mulheres e, nesse segmento, chega a empatar tecnicamente com Tarcísio. O eleitorado feminino será decisivo para sua estratégia eleitoral?
Haddad: Os Bolsonaro têm problema com mulher. Isso está mais ou menos claro, não é? Agora mesmo, Tarcísio deu uma declaração extremamente deselegante sobre duas ex-senadoras que estão concorrendo ao Senado por São Paulo (Marina Silva e Simone Tebet). Foi completamente deselegante, agressivo e desnecessário. Flávio também tem problema. Tem problema com Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, tem problema com Damares Alves, senadora, tem problema com todo mundo.
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