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O basquete de Franca que planta árvores e combate a crise climática

Franca recebe até domingo cerca de 600 atletas na maior competição de basquete de base do Brasil e o único com pegada ecológica

16/07/2026 | 11:10
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FOTO: Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O basquete brasileiro mudou de patamar. Nas quadras tradicionais de Franca, a capital nacional do esporte, o barulho da bola batendo no piso de madeira agora vem acompanhado de um eco sustentável. Na edição desse ano, 10º Torneio Internacional de Basquete de Franca consolida de vez uma iniciativa que já virou marca registrada da competição: o Torneio Carbono Neutro.

Alinhado com as demandas mais urgentes de preservação do planeta, o campeonato, organizado pelo Instituto Chuí de Esportes com o selo do Programa Esporte pelo Clima, faz muito mais do que revelar jovens estrelas das categorias de base da Sub-12 ao Sub-15. Ele recalcula o próprio impacto do esporte no meio ambiente.

Através de uma metodologia baseada nas diretrizes do GHG Protocol, toda a pegada ecológica gerada pelo evento é meticulosamente medida. Entram na conta o deslocamento das delegações (com destaque para as longas distâncias percorridas por equipes de outros estados), a energia consumida nos ginásios, a alimentação dos atletas e até os copos descartáveis que vão para o lixo. Ao final, essa conta em toneladas de CO2 equivalente ($CO_2e$) é traduzida diretamente no plantio de árvores nativas na região de Franca, ajudando a recuperar a nossa biodiversidade e ensinando na prática lições valiosas de cidadania para os atletas.

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Mais que um crédito financeiro: compromisso real com a terra

Diferente de grandes corporações que apenas compram "créditos de carbono" de forma burocrática no mercado regulado tradicional para limpar a consciência, o diferencial do basquete sustentável em Franca é a ação direta e voluntária no território.

Em vez de apoiar projetos distantes em outros biomas ou estados, a compensação do torneio ocorre de forma visível e comunitária na própria região. Os atletas saem das quadras direto para a terra molhada na época das chuvas (geralmente em novembro), sentindo na pele o impacto real de suas ações.

"O grande diferencial desse plantio direto é justamente o processo educativo. Ir lá e comprar o crédito de carbono qualquer instituição pode fazer de forma fria. No nosso programa, nós trabalhamos olhando diretamente para o território. A nossa abordagem com a educação climática é entender como as mudanças climáticas afetam o cotidiano das pessoas. Essa mobilização social que fazemos também é o impacto positivo.", disse Natalia Vieira de Carvalho Martins, Coordenadora do Programa Esporte pelo Clima.

O "raio-x" das quadras: de onde vêm as emissões?

O inventário das edições anteriores do torneio trouxe dados curiosos que quebram velhos mitos. Se você pensa que a energia elétrica dos ginásios, como o Pedrocão e o SESI, é a grande vilã do clima, engana-se: ela respondeu por menos de 1% do total de emissões (com apenas 40,7 kg de $CO_2e$), graças ao uso inteligente de energia solar.

O verdadeiro "adversário" climático estava no prato e na estrada:

Alimentação (Carne Bovina): Representou 38% de todas as emissões do evento em 2025 (7,34 toneladas de $CO_2e$), fruto das refeições concentradas em proteínas para atletas de alta performance.

Transporte das Equipes: Foi responsável por 33% do impacto (6,36 toneladas de $CO_2e$), somando as viagens rodoviárias das equipes visitantes e o trânsito diário das delegações locais em Franca.

Hospedagem: Respondeu por 28,5% das emissões (5,50 toneladas de $CO_2e$) ao longo do evento.

Da Teoria ao Chão: Os Números que Fecham o Jogo

Se em 2024 o torneio gerou 25 toneladas de $CO_2$ e compensou com 220 mudas nativas, a edição de 2025 reduziu as emissões para 19,3 toneladas. Para compensar esse montante, seriam necessárias teoricamente 129 mudas. Contudo, em uma atitude de segurança ambiental, a organização subiu o sarrafo e plantou 200 árvores nativas na Fazenda Manacá (em Patrocínio Paulista), uma propriedade modelo, reconhecida com o prestigiado Selo Angus de Sustentabilidade pelas suas práticas agropecuárias de baixo carbono.

E o impacto não parou aí. O sucesso da proposta inspirou o histórico Mutirão COP-30. Unindo forças regionais, a ação se transformou na maior operação ecológica do Instituto Chuí, mobilizando mais de 760 pessoas e plantando 2.200 mudas nativas distribuídas em seis

municípios paulistas e mineiros (Franca, Arcos, Batatais, Campos Novos Paulista, Rifaina e Guará).


O futuro começa antes do apito inicial

Para 2026, o torneio quer ganhar o jogo antes mesmo de a bola subir. O foco agora é na mitigação. Por regulamento, o uso de copos plásticos descartáveis foi restringido de forma drástica nas áreas de competição, sendo substituídos por garrafas reutilizáveis distribuídas a todos os participantes. Na alimentação, o diálogo com os nutricionistas busca incentivar a diversificação de proteínas no cardápio, diminuindo a dependência da carne vermelha tradicional sem afetar o rendimento dos garotos em quadra.

Em um momento em que o Brasil caminha a passos largos rumo à COP-30 para liderar as discussões ambientais globais, o basquete de Franca prova que o esporte tem voz ativa e pernas fortes na corrida contra o aquecimento global. Cada cesta convertida nestes torneios é, de fato, mais um pulmão verde que passa a respirar nas florestas da nossa região.

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