
Rivalidade histórica que extrapola o campo, reencontro após 40 anos do confronto marcado pelo "gol do século" de Diego Maradona e pela "mão de Deus", chance de disputar uma final de Copa do Mundo depois de 60 anos e a oportunidade de chegar à terceira decisão em 12 anos. Todos esses componentes estão em jogo na segunda semifinal do Mundial da América do Norte. Inglaterra e Argentina definem nesta quarta-feira, às 16h (de Brasília), em Atlanta, quem encara a Espanha na decisão.
Será o sexto confronto entre Argentina e Inglaterra em Copas do Mundo. O duelo mais lembrado até hoje é o das quartas de final da Copa de 1986, no México. "Todos sabemos como foi aquela partida em 1986, o que Diego (Maradona) fez.
Espero que possamos repetir o que eles fizeram", afirmou o meia Alexis Mac Allister. Quatro anos antes, em 1982, os dois países haviam se envolvido na Guerra das Malvinas, travada pela posse do arquipélago no Atlântico Sul. O conflito durou 74 dias e terminou com vitória dos ingleses, que chamam as ilhas de Falkland.
Por isso, o triunfo argentino por 2 a 1 no Estádio Azteca foi tratado como uma espécie de revanche esportiva e ganhou contornos históricos, embora os técnicos e jogadores das duas seleções tenham esfriado o peso da disputa sangrenta pelo território que deixou 649 militares argentinos mortos, além de 255 britânicos e três civis. "É uma partida de futebol e nada mais", afirmou o técnico Lionel Scaloni. Discurso que foi compartilhado pelo goleiro inglês Pickford.
"É apenas um jogo de futebol, com duas torcidas apaixonadas que vão lá para assistir a uma partida de alto nível. Espero que tudo seja em paz", observou. Atacante do Palmeiras, Flaco López foi um dos poucos a reconhecer que a disputa transcende o futebol.
"Obviamente, dentro e fora das quatro linhas do campo, é uma partida com muita história, muita dor e muitos significados." A Inglaterra leva vantagem no histórico do confronto em Copas do Mundo, com três vitórias. A mais recente foi em 2002, na fase de grupos da Copa disputada na Coreia do Sul e no Japão, quando venceu por 1 a 0.
Houve um empate e o triunfo argentino de 1986. A Inglaterra passou por solavancos para alcançar a sua quarta semifinal de Copa do Mundo, embora siga invicta. Terminou na liderança do Grupo L, com vitórias sobre Croácia e Panamá, e empate com Gana.
No mata-mata, descolou duas viradas, sobre Congo e Noruega, e encontrou dificuldades para superar o anfitrião México no Azteca com um jogador a menos. Campeã mundial em 1966, a Inglaterra busca encerrar o jejum de 60 anos sem levantar a taça mais cobiçada do planeta. Teve outras duas oportunidades para chegar à final, em 1990 e 2018, e falhou em ambas.
A história pode ser diferente desta vez por causa da mentalidade da seleção treinada por Thomas Tuchel. Frontal, franco e exigente, o treinador alemão desaprovou o desempenho da equipe na vitória de virada sobre a Noruega, e foi rebatido por Jude Bellingham, um dos astros do conjunto inglês e autor dos dois gols que colocaram a equipe na semifinal. Harry Kane, então, surgiu para esfriar a pressão e dizer que não há crise.
"Nós estamos onde chegamos por causa da nossa união, não só dos jogadores, também do técnico, da comissão e de todos os envolvidos com a equipe", disse Kane, presente na semifinal de 2018, quando os ingleses foram eliminados pela Croácia. Artilheiro daquela edição, o jogador do Bayern de Munique figura novamente entre os principais candidatos a goleador. Ele e Bellingham contribuíram com seis gols cada e brigam pela artilharia da competição com Lionel Messi e Kylian Mbappé, que dividem a liderança do ranking, com oito gols.
Os ingleses se preocupam com Lionel Messi, mas não só com o maior artilheiro da história dos Mundiais. "Não podemos focar apenas no Messi", alertou o goleiro Pickford. "Todos nós sabemos o quanto ele é bom, mas também o quanto a seleção argentina joga bem."
ARGENTINA BUSCA BI QUE SÓ ITÁLIA E BRASIL TÊM Atual campeã, a Argentina busca o tetra e o bi de forma consecutiva para se tornar a primeira seleção a conquistar dois títulos consecutivos desde o Brasil em 1962 - a outra foi a Itália, campeã em 1934 e 1938. A seleção sul-americana ostenta um aproveitamento de 100% no torneio, não, porém, sem sofrimento. Todos as classificações foram conquistadas com drama e suor contra adversários mais frágeis tecnicamente, nenhum deles integrante o top 10 do ranking da Fifa.
Quarta melhor seleção do mundo, segundo os índices da Fifa, a Inglaterra será a oponente mais desafiadora para o time treinado por Lionel Scaloni, que precisou da prorrogação para passar por Cabo Verde e Suíça e conseguiu uma virada improvável contra o Egito depois de estar perdendo por 2 a 0. "Estamos acostumados a sofrer", salientou o meia-atacante Thiago Almada. "Queremos alcançar a glória e colocar a Argentina no topo de novo."
"Será uma partida muito emocionante. Não se vê muitos jogos entre Argentina e Inglaterra", constatou o lateral Tagliafico. De fato, há poucos confrontos entre os dois na história, embora quase todos memoráveis. E será a primeira vez de Lionel Messi contra os ingleses.
"Sabemos que só o Leo (Messi) pode repetir uma partida do nível da que fez Diego (Maradona)", opinou Mac Allister. Scaloni estuda se vai manter o esquema com quatro meio-campistas - De Paul, Paredes, Enzo Fernández, Alexis Mac Allister. Coração da seleção que conquistou o mundo no Catar, o meio de campo argentino tem sido um setor fragilizado em algumas partidas.
De Paul, Enzo Fernández e Mac Allister não têm conseguido dar mais dinâmica e dominar as partidas como faziam antes. Existe a possibilidade de que um dos três saia. Certo é que o ataque terá Messi e Julián Álvarez, atacante do Atlético de Madrid que marcou o golaço decisivo para a vitória sobre os suíços.
FICHA TÉCNICA INGLATERRA X ARGENTINA INGLATERRA - Pickford; Konsa, Stones, Guéhi e O'Reilly; Elliot Anderson, Rice e Bellingham; Madueke, Harry Kane e Gordon. Técnico: Thomas Tuchel. ARGENTINA - Dibu Martínez; Molina, Romero, Lisandro Martínez e Tagliafico; Paredes, Enzo Fernández, De Paul e Mac Allister; Messi e Julián Álvarez.
Técnico: Lionel Scaloni. ÁRBITRO - Ismail Elfath (EUA). HORÁRIO - 16h (de Brasília). LOCAL - Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta (EUA). ONDE ASSITIR - Globo, SBT, SporTV, CazéTV NSports.
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